Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

I forgot to take my meds

Pois então, show do Placebo em Porto Alegre, abrindo a turnê no Brasil.

Placebo em Porto Alegre

Antes de tudo, uma constatação: cada show ao vivo é melhor/pior de acordo com quem está à sua volta. Não adianta Frank Sinatra cantando My way na sua frente se tem alguém ao lado pisando no teu pé e gritando “gostoso!”. Por causa disso, há muito desisti de me importar com shows. Porque eu realmente odeio todas as pessoas que estão na platéia.

Outro ponto: Pepsi on Stage é algo a se pensar a respeito. Como já tinha falado aqui, tenho certa dificuldade em entrar no clima lá dentro. Ontem nem foi esse muito um problema, já que eu estava perto do palco e não tinha muitas interferências visuais do local em si. Contudo, comecemos pelo início: quando chegava-se lá, se você tinha ingressos para a pista você não entrava. Antes você tinha que andar uns 60 metros no meio dos cambistas e entrar num corredorzinho de ferro de 1 metro de largura, contra a cerca, e voltar os 60 metros no meio de latas de cerveja jogadas no chão, depois passar por um labirinto de 4 voltas para então, sim, conseguir entrar. Para que isso? Não faço idéia. Nem a metade dos ingressos foi vendida, obviamente não haveria fila, nem tumulto.

Lá dentro, você percebe uma dificuldade: o palco é baixo.

Dito isso, imagine que o show começa. E começa na hora, pontualmente às 22h. Agora imagine que você tem 1,80m de altura e cinco corpos na sua frente está alguém com 1,90m. O palco é baixo, a cabeça dele ocupa metade do vocalista. Agora imagine que a pessoa alta quer gravar pedaços do show com o celular, e levanta a mão com o aparelho luminoso acima de 2 metros e fica com ela lá por vários minutos, várias vezes. A mão dele bloqueia a visão do baterista.

Agora imagine que na sua frente tem um casal. E eles não conhecem Placebo. E eles não sabem nada de nada e não prestam atenção ao que está acontecendo, mas ficam de minuto em minuto cochichando e dizendo gracinhas, a 20cm do teu rosto.

Imagine também que há alguém passando com UMA CAIXA DE ISOPOR NA CABEÇA de 10 em 10 minutos. E ele não apenas passa lá, como passa aqui, e te empurra, e grita bem na sua cara “CERVEJA! ÁGUA! REFRI!”.

Não, assim não é possível se concentrar. Você então olha para o telão, e lá a banda está mais cor-de-laranja que a Vera Fischer, e quando a luz no palco é vermelha, na tela só dá pra ver vultos, tipo a visão do Predador.

Imagine que surge uma brecha para o lado, e lá vamos nós. Agora a visão é bem melhor, não há obstáculos. Porém, imagine que há dois amigos na sua frente, na mesma distância do casal já citado. E eles até conhecem Placebo, mas não dançam, não pulam, não se mexem 1 centímetro sequer, e ficam cochichando coisas a cada 5 minutos. Ok, não é o fim do mundo. Um deles fuma? Hum, pelo menos estamos vendo Brian Molko cantar.

Agora esforce sua mente e imagine que alguém que tem 1,50cm e, obviamente não está vendo nada do palco, de repente suba nas costas do namorado. Ali, na sua frente, bem na hora que toca Speak in tongues. Imagine que você grite, queimando de raiva, “TIRA ESSA VAGABUNDA DAÍ!”, mas eles não escutam, porque estão animados felizes cantando a música e vendo tudo. Imagine-se tentando encontrar algo nos bolsos para atirar nessas pessoas. Nada. Talvez uma moeda de 1 real? Hum, não vale a pena, porque é possível que você erre.

Ok, 10 minutos depois ela desce. E você fica meia hora preocupado, olhando, procurando eles e temendo que isso aconteça de novo.

Não acontece. Agora podemos aproveitar o show.

PLacebo em Porto Alegre

A metade final da apresentação, que foi quando eu realmente consegui assistir algo, foi muito melhor que o show deles em 2005. Principalmente porque o vocalista estava ali com vontade de cantar e de ter alguma conexão com o público.

O melhor momento continuou sendo Special K. Mas momentos marcantes também em Meds (minha preferida – não há como não cantar “Baby, did you forget to take your meds?”), Infra-red, The Never-Ending Why e até Every You, Every Me, que nem é das que eu mais gosto, mas a versão que tocaram foi bem bacana.

Tocaram também uma música inédita, Trigger Happy, que é das melhores para se ver ao vivo, e também foi um momento para se lembrar, com todos levantando as mãos no refrão “Put your hands in the air, and wave them like you give a fuck”. E eu cantando, porque pesquisa é tudo na vida e eu já conhecia.

 

Placebo em Porto Alegre

 

 

No final, tocaram Taste in Men, cuja letra eu incrivelmente sabia. Foi bom, adoro Placebo, escuto sempre suas músicas, e gosto dos últimos trabalhos tanto quanto dos anteriores.

Da próxima vez, irei de novo. Mas atrás. Ficando longe o stress é menor. No show do Seal, também no Pepsi on Stage, eu estava lá fotografando, mas percebi que se você fica mais atrás você pode até não ter aquela visão, mas fica bem mais à vontade.

 

Rock and roll all nite

Estava lendo esta notícia sobre o show do Kiss em São Paulo e fiquei lembrando do show do Kiss que eu presenciei em 1999. Achei estranho nunca ter escrito sobre o show aqui no blog antes (pesquisei avançadamente no Google), somente me referindo a ele quando falei do Rammstein.

Bom, eu tinha 18 anos e morava em Pelotas, tendo antes morado minha vida toda em Rio Grande. Tinha ido a apenas 1 show decente na vida: Titãs no ano anterior. Era um ano - 1999 - em que eu estava parado, pois havia trancado a faculdade (jornalismo, UCPEL) e não tinha nada pra fazer a não ser pensar no que eu faria. Ia na fonoaudióloga toda semana e não tinha dinheiro para nada. Mas estava deprimido, querendo aventuras. Então combinei com a fono de atrasar o pagamento dela para poder ir a Porto Alegre ver o Kiss.

Não, eu não gostava exatamente da banda. Pra falar a verdade, não sabia nenhuma música deles e só conheci alguma coisa na época de promoção do show, pois a Atlântida ficava tocando 30 vezes por dia uma nova deles (Psycho Circus, se não me engano, que deveter sido o nome da turnê) e umas velhinhas também.

Comprei então o ingresso e passagens numa agencia de turismo que ia fazer uma excursão ao show. Eu nunca tinha ido a Porto Alegre (a não ser levemente em 1994, indo pra Gramado). No ônibus, pessoas malucas bebiam, gritavam, xingavam quem passava na rua, um horror. Mas acho que isso é normal.

O show era no hipódromo. Na entrada ganhava-se um mini-desodorante amarelo da Rexona. E, claro, óculos 3D. Havia 2 telões que, diziam, iam transmitir imagens em 3D em alguns momentos. Eu fiquei longe do palco (digamos, atrás de umas 10 mil pessoas) e por isso talvez minha percepção 3D não tenha funcionado bem. Mas enfim, ganhei de brinde uns óculos de papelão, com desenhos da banda, que ainda tenho (devo ter, quero dizer, em algum lugar).

Na abertura, então, tocou Rammstein, cuja música nova a Atlântida também estava promovendo na época (Du Hast). Um show terrível, porque era muito sinistro e eu tinha 18 anos e estava sozinho no meio de milhares de pessoas que eu achava que iam todos virar parte de uma seita satânica e me mutilar. Mas passou.

O show do Kiss me marcou porque o vocalista ficava repetinto "Allright, Porto Alegre!", porque tinha muitos efeitos (a gruitarra voava, o vocalista voava, tinha fogos de artiício e, claro, Gene Simmons cuspindo sangue) e porque eu não sbaia cantar nada. Tentei cantar Rock and roll all nite, mas eu não sabia nem o refrão e cantei tudo errado.

Ao meu lado, sempre pessoas problemáticas: um cara entrando em coma alcoólico, uma guria baixinha que ficava pulando pra ver algo, uns fumando sem parar etc... Mas foi tranqüilo.

Na volta, me perdi. Quando saí do ônibus, eu marquei: o ônibus está perto desta árvore, perto desta cerca. Só que haviam 200 ônibus, 200 àrvores e a cerca era gigante. Fiquei aproximadamente uma hora vagando pelo estacionamento,até me lembrar que, talvez, era para o outro lado. E era. Só faltava eu, o responsável pela excursão estava nervosíssimo.

Chegando de volta em Pelotas, peguei um táxi para ir pra casa. O taxista tinha uma Zero Hora com um pôster do Kiss e eu pedi para ele. O pôster não tenho mais, e ainda não gosto do Kiss. Mas foi uma experiência importante para mim na época.