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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Arte é?

Em 2003 eu comecei a estagiar no Jornal do Comércio. Estudava um pouco de manhã, um pouco à noite, e ficava no jornal durante a tarde. Tudo muito corrido, não tinha tempo pra nada, morri de stress. Ainda por cima tinha toda a história de procurar onde morar, pois a não-pensão onde eu morava não dava mais. Ou seja, tempo quase nenhum para as coisas.

Então no segundo semestre do ano tinha uma cadeira de vídeo onde tínhamos que fazer dois curtas documentários (ou grandes reportagens) sobre qualquer coisa. Sempre adorei as cadeiras de televisão, apesar do professor, e assim fomos fazer um vídeo sobre a quarta Bienal do Mercosul, que estava em voga. Assunto sugerido por mim, que trabalhava na editoria de cultura do JC e tinha acesso a várias informações. Faziam parte do grupo também a Karine Endres e a Raquel Casiraghi, com quem eu me dava muito bem.

Dificuldade um: os míseros horários disponíveis para sair com uma câmera e para edição. Eu, ainda por cima, geralmente só podendo fazer coisas em fins de semana, o que tornaria tudo impossível se não fosse a grande ajuda do Manoel, recém chegado ao estúdio da Fabico, e, talvez por isso, ainda não contaminado pelas mentes perigosas de lá.

Dificuldade dois: os incapazes monitores que trabalhavam no estúdio, que eram pessoas de semestres inferiores, bem burras e/ou arrogantes e/ou idiotas mesmo.

Dificuldade três: o professor Kléber.

Tentando ultrapassar tais obstáculos, fizemos uma gravação em um domingo (muito obrigado, Manoel!) e, depois, acabei juntando uma pauta do JC e consegui gravar no Margs em um dia de semana à tarde, com a monitora com quem eu já havia me desentendido em outra ocasião e acabei me desentendendo de novo (as partes com som ruim é culpa dela).

Tempo para editar? Pouco. Como era eu que ia fazer a edição, acabei empurrando tudo do meio pro fim do semestre. Meu padrasto ainda teve um AVC e acabei me atrasando mais. A Karine me acompanhou em duas sessões de edição, o que depois acabou gerando uma discussão entre nós porque eu não coloquei ela nos créditos como editora também (pois eu não considerei que ela fez edição, mas, enfim, hoje eu colocaria).

Tentei sempre fazer um vídeo descolado, diferente do que geralmente as outras pessoas, que não tinham nenhuma intimidade com imagens, faziam. Ficou dentro do tema, fluido, meio maluco. Em algumas partes eu deria uma azeitada, mas, no geral, gosto muito dele até hoje. Segue ele online:

 

Arte é? from Ederson Nunes on Vimeo.

 

Conseguimos falar com a Lia Menna Barreto, que naquela Bienal estava com uma instalação montada onde ela e seus assistentes ficavam derretendo e colando animais de plástico, chamada Fábrica. A entrevista foi super bacana para o vídeo, apesar de ela ter ficado talvez um pouco irritada com nossas perguntas sobre arte. Encontramos várias pessoas que deram entrevistas significativas, alguns monitores falando sobre as obras e, em especial, a Germana Konrath, que incrivelmente nos falou sobre a obra do fusca e da mesa de água de defunto, fechando o vídeo com um certo impacto.

Este pequeno documentário acabou causando minha primeira e única discussão com um professor da Fabico. O professor Kléber, como era notório, era mesquinho e muito ultrapassado. Espero que ele não continue por lá. Pois por causa de uma fita que nós usamos, que "pertencia" ao estúdio, ao invés de ter usado só a nossa (que já estava cheia), ele veio nos encher o saco, e eu me levantei e disse "então eu vou até a secretaria reclamar do senhor". Só não fui por causa da Raquel, que pediu pra conversarmos mais, e ele acabou não voltando ao assunto da fita. Só que daí surgiram problemas de relação. Apesar do vídeo muito superior à maioria, e do início das gravações e edição do segundo vídeo, que não daria tempo de terminar, ele NOS REPROVOU. Foi a primeira vez que eu fui reprovado na faculdade, e logo em uma matéria de televisão. Isso foi ruim para nós. No outro semestre eu queria ser monitor lá no estúdio, mas apesar de ser quilômetros mais esperto e ter toneladas de experiência a mais que os outros candidatos, o professor não me escolheu entre os aprovados. O que bem resultou em eu ir trabalhar na web tv da Escola de Administração, onde, inclusive, eu recebia pra trabalhar.

No outro semestre acabamos o vídeo começado e fizemos um outro, também muito bacana, de qual eu falarei posteriormente.

de lupa na mão

O que acontece é que Cameron Diaz não sabia que sua bolsinha comprada na China podia ser ofensiva ao povo peruano, e usou-a sem pejo em Machu Picchu.

E eu também não sabia o que aquelas pessoas faziam com lupas olhando as gravuras de Goya, no Margs. Pensei que deveriam ser, aquele casal, estudantes de arte obcecados pelo artista espanhol. Então, logo ao lado percebi uma senhora fazendo o mesmo gesto: chegando-se perto da tela, com sua lupa, e olhando em grande escala os detalhes da obra. Pensei que deveria ser a mãe do casal, a tia, talvez a professora, tão fanática quanto os outros pelas minúcias das artes plásticas.

Foi então que, aproximando-me de um grupo maior de pessoas, percebi que todas estavam com lupas e quis a minha também. Forneciam logo na entrada e eu não percebera. Passei a examinar eu próprio as gravuras com a lente de aumento. Ótima idéia.

Mas antes eu havia saído de casa todo encolhido para poder resolver minhas fotos sobreexpostas na Parada do Orgulho Gay. Mas eis que não havia parada, mas - como disseram lá em discurso - uma mini-parada. Ou, como eu definiria, uma quase-mini-parada. Na verdade, não havia nada, apenas um carro de som com alguém dublando terrivelmente uma música da qual não sabia a letra. E bandeiras do PSTU e do PSOL por todos os lados.

Há razões para isso. Porto Alegre deve ser uma das poucas cidades onde há mais de uma parada gay. Os movimentos de luta racharam-se e dividiram-se e não se falam mais. Cada qual com seus aliados fazem uma parada em separado. Só que desta vez a prefeitura não deu permissão para realizar-se esta parada, organizada pelo grupo Desobedeça, e nada ocorreu. Tal grupo, como é sabido, tem extensões nos supracitados partidos e talvez por isso o prefeito não quis saber deles na Redenção.

Agora, não pude tirar minhas fotos; a outra parada é só em outubro e eu não pensei em fazer isso no carnaval. A exposição que eu gostaria de planejar foi ralo abaixo.