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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Hoje ele tem casa

Moro na Rua da Praia, em Porto Alegre, e aqui, debaixo da marquize de um prédio, todas as noites dormia um homem horrível, com bexigas no rosto, cabeludo, muito nojento, nem dava aquela vontade normal de ajudar. Ele olhava para quem passava como quem não tem nada a dizer.

Há mais ou menos dois meses ele não dorme mais ali.

Um dia, me deparo com ele, durante a tarde, de cabelo cortado, barba feita, vendendo café e outras bebidas aos camelôs que na praça da alfândega passam seu tempo. Ainda estava um pouco bexiguento (eu não compraria nada com ele), mas transparecia estar se sentindo bem melhor do que antes.

Hoje, vejo ele passando em frente ao meu prédio, de mãos dadas com uma mulher. Já sem perebas no rosto, camisa pólo amarela, conversando. Isso me fez ter curiosidade pela vida do cara, quem ele é, de onde veio, em que lugar mora agora que, parece, saiu da rua.

Talvez o amor tenha sido sua salvação. Talvez aquela mulher o ame e por isso o levou pra sua casa e agora vivem felizes.

Ou talvez aquela mulher tenha vivido sozinha por muito tempo e, com medo de morrer como Eleanor Rigby, decidiu juntar-se com o indigente.

Sorte dele. Ou dela.