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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Blond. James Blond.

Nunca em sã consciência eu vi um filme do 007. Sempre os trechos que eu via na televisão me levavam a crer que aquilo não era filme para mim. Lembro, por exemplo, de quando ele atravessou um rio usando jacarés como ponte, ou quando seu carro transformava-se em submarino, e outras coisas esdrúxulas que envolviam naves espaciais, canetas, pranchas de surf e esquis.

Daí fiquei interessado neste novo filme não só porque o protagonista é loiro de olho azul (e coisas que fogem de uma linha de produção estabelecida me parecem interessantes), mas porque, numa totalidade, todos falavam mal do Daniel Craig. Como eu gosto de coisas que desagradam as maiorias e tenham uma pitada de iconoclastia, eu decidi que estava na hora de ver o que o tal de James Bond fazia mesmo.

 

Fui, então, logo no Casino Royale, que foi o primeiro livro do Ian Fleming com o agente britânico. Parecia um bom início. Talvez eu preferisse ver a versão cinematográfica do livro feita em 1967, que virou uma comédia dirigida por John Huston e mais uns caras, só que isso dependeria de eu andar quilômetros até uma locadora decente – e esse não era o espírito da coisa.

Lá vem, pois, o filme. As primeiras cenas belíssimas, em preto e branco, granuladas, com muitas sombras. Isso não dura três minutos, mas fica uma boa impressão. Logo depois começa o corre-corre. Ao longo do filme não tem muita correria, só duas seqüências bem longas e bem chatas e bem cansativas. Essa primeira nos mostra que mesmo o Daniel Craig fazendo meses de musculação para dar credibilidade a suas ações, isso não deu certo, já que o que ele faz só o Homem-Aranha faria. A segunda seqüência de perseguições segue a mesma lógica da anterior: coisas impossíveis de um mortal fazer, brindadas ao final por uma explosão, só que desta vez o detetive deixa Peter Parker de lado para encarnar Wolverine.

Tirando essas duas partes que não dão para engolir, o restante do filme é bem aceitável. Principalmente porque é bem humorado, não se leva tão a sério a ponto de querer fazer com que o público acredite que James Bond tem mesmo que derrotar um terrorista numa competição de pôquer para poder prendê-lo e desbaratar sua quadrilha. A produção adota um estilo tão benevolente que transforma até uma sessão de tortura numa cena engraçadíssima.

Quanto a Daniel Craig, não poderia haver James Bond melhor. Sei que falam que Sean Connery foi o melhor, mas eu não vi, não sei e não posso opinar. Além disso, com certeza ele é o James Bond com a maior panturrilha de todos os tempos. Aliás, poucos seres-humanos têm uma batata da perna maior.

 

Sua parceira é Eva Green (de Os Sonhadores), vivendo a agente-contadora Vésper. Ela é muito magrinha e fica completamente desajeitada nas roupas de gala que colocaram nela principalmente porque o penteado é quase maior do que sua cabeça.

No que se refere ao roteiro, há duas possibilidades de definição: confuso ou ambíguo. O primeiro adjetivo é pejorativo, o segundo é geralmente o que se usa para definir filmes mais cults. Não há muita diferença entre ambos, a não ser o uso que o diretor faz da confusão/ambigüidade. Neste caso, o diretor Martin Campbell não faz grandes usos de artes cinematográficas, talvez por isso eu poderia dizer que o filme é mais confuso do que ambíguo.

Mas isso realmente não importa. Se a pessoa gostar, gostou. Se estender, entendeu. Uma coisa ou outra não vai mudar a vida de ninguém.

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