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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Filmes, vários filmes

Na tv a cabo se vê de tudo. Eu, passando uns dias na casa de minha mãe, assisti a muitas horas de televisão. Dentro dessas muitas horas, várias passaram enquanto eu assistia a filmes. Filmes que eu queria ver e nunca tinha visto, filmes que eu não queria ver e acabei vendo, filmes que eu já tinha visto e queria rever, filmes que eu nunca tinha ouvido falar e filmes que eu nem sequer podia supor que existia algo parecido.


No primeiro exemplo encaixa-se o bonito Longe do Paraíso (cujo título em inglês é lindamente sonoro: Far fron Heaven), de Todd Haynes, com Julianne Moore no papel de uma dona de casa exemplar da década de 50 que descobre que seu marido é gay. Por causa disso, ela acaba se apegando à amizade de seu jardineiro, um homem negro, por quem se apaixona e causa escândalos na preconceituosa cidadezinha em que vive. Não tenho nada a dizer a respeito além do que já disse: é bonito.


No segundo caso, cito Gigli. Hehehehehehe. Foi o "filme-bomba" de 2003, estrelado por Jennifer Lopez e Ben Affleck enquanto eles pensavam em se casar ainda. Ouvi e li barbaridades a respeito do filme, o que me leva a ter certeza que as pessoas gostam ou não das coisas por influência dos outros (imprensa, principalmente). Bom, não é tão ruim assim. Jennifer Lopez não é uma das piores atrizes do mundo, e Ben Affleck tenta parecer convincente na maior parte do tempo. É verdade que a direção não deu o mínimo ritmo pro roteiro que, por sua vez, não tem uma dose de ação ou sensualidade ou seja lá o que for. Na verdade, é um filme bem insosso, mas tem coisas bem piores por aí. E alguns dos diálogos absurdos dão até um certo charme, como o elogio às mulheres e às vaginas que Jennifer faz enquanto se alonga na sala. Na história, os dois fazem "bandidos bons" que, sem se conhecer, envolvem-se no seqüestro de um retardado mental.


Entre os filmes que eu revi, está As Horas. Lindo, lindo, lindo.


Entre os que eu nunca tinha ouvido falar está Parallel Lines, um documentário que consiste em uma mulher viajando de carro de São Francisco a Nova Iorque em dezembro de 2001. No caminho, ela vai conversando com as pessoas sobre suas vidas ("paralelas à vida da nação"), seu modo de ver o mundo e como reagiram aos atentados de 11 de setembro. Um filme simples e marcante, dirigido, produzido, gravado e editado por Nina Davenport.


Na última categoria devo citar My Flesh and Blood. Difícil falar desse filme, porque é tão diferente de tudo e tão triste. É um documentário sobre Susan Tom, uma mulher sozinha que tem 9 ou 10 filhos adotivos. Ok, não é algo tão diferente, se não fosse o fato de quase todas as crianças terem problemas físicos ou mentais. Vejamos: duas gurias sem pernas, um guri com o rosto deformado não sei por que, uma deficiente mental, um garoto com EB (Epidermólise Bolhosa - uma doença gravíssima que, segundo a própria Susan, faz ele sentir uma dor terrível e ininterrupta), outro que tem ataques de raiva e algo como asma, a mais velha que, se não tem problemas, está de saco cheio da vida e da família, além de outros que não aparecem muito no filme.


A gente pode acompanhar o dia a dia deles, a tentativa de namoro de uma das gurias sem perna, o esforço do garoto com EB pra interagir com os outros (ele tem seus parentes biológicos, que, todos, vão em sua festa de aniversário - mas não querem a guarda dele). É, sem dúvida, uma família terrível para se viver.


 De todos, o que parecia mais "normal" era o guri com asma. Ele tinha ataques de raiva e xingava todo mundo; queria ir morar com seus pais biológicos (que o rejeitaram); se isolava, mas era bonito e parecia saudável. Até que um dia ele é levado pro hospital. Tudo ia bem. Mas à noite, ele tossiu tanto que quebrou uma costela. Morreu horas depois.


E os outros, todos fudidos, continuaram.