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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Eu, fantasma do teatro

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Depois de ir ao teatro domingo, dia dos namorados, e ficar com as mãos suadas de nervoso, peguei-me a pensar nos motivos. Não gosto de imaginar, por exemplo, que vou tossir como um condenado durante o espetáculo, ou que vou sentar numa cadeira que range toda vez que me mexo, ou que pessoas na platéia vão fazer coisas irritantes que, por não terem um pingo de educação, não notam que são irritantes.

Falando nessas pessoas, lembro quando fui assistir Sérgio 80, no São Pedro, e uma senhora sentou-se atrás de mim com uma jaqueta de couro. Toda vez que ela se mexia, a jaqueta fazia nhéc-nhéc-nhéc. E ela se mexeu o tempo inteiro. O homem sentado a meu lado já bufafa, esperando a oportunidade de esbofetear aquela chata.

Penso que um dia irei ao Theatro São Pedro (já que é perto de casa, cito ele), sentarei-me na terceira fila para asistir a peça que eu esperei durante meses, daí um germe causará irritação na minha garganta. No segundo ra-rã que eu fizer, o ator principal vai olhar colericamente para mim, apontar e gritar: "LINCHEM ESTE CANALHA!". A platéia, ensandecida, não encontrando pedras por perto, me lapidará com seus celulares. Atingido no olho, caio vesgo sobre o tapete. Tento fugir pela porta lateral, mas Carmem Flores surge e, com sapatos vermelhos caríssimos, me acerta o pescoço, retirando o pouco ar que me resta nos pulmões. Minutos depois, morro resfolegando.

Eva Sopher, compactuando com tudo, esconde meu corpo no porão, enrolado no que sobrou do cenário da última temporada de Tangos e Tragédias.