Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

os corações de plástico não morrem

A gente realmente não sabe várias coisas. Pois estava vendo um documentário sobre coração artificial. Provavelmente isso não é um assunto muito interessante, se pensarmos assim, de repente. Porém, descobri coisas incríveis. </p>

Pois nos anos 60, nos Estados Unidos, havia um cardiologista muito bom, que trabalhava há décadas com corações defeituosos. Ele inventou uma maquininha, chamada LVAD (Left Ventricular Assist Device), que servia como auxiliar do coração (mais especificamente do ventrículo esquerdo - que é o que trabalha mais) após cirurgias ou como uma maneira de fazer a pessoa durar até conseguir doador.

lvad.jpg

Daí, ele resolveu evoluir e pensou em fazer um coração totalmente artificial, para substituir completamente o coração humano. Fizeram experiências com bezerros, mas não deram certo; de sete, morreram quatro. Ele não estava, óbvio, muito animado com o negócio. Mas outro cardiologista, colega dele, quis dar uma de esperto e roubou a idéia e o projeto, com vontade de fazer fama e ser reconhecido como "o primeiro". Sem pedir permissão para os institutos e instituições médicas, implantou a máquina no peito de um paciente terminal, sem nem o conhecimento da esposa do cara. Foi um choque para todos. O objetivo era manter o paciente vivo até encontrar um coração decente, mas nao deu certo, ele foi piorando e morreu dias depois.

Anos mais tarde, outro médico tentou fazer o que o primeiro, o que tinha inventado, ainda não tinha tido coragem. Ele melhorou um pouco o dispositivo e quis dar uma de macho. Achou um cara lá a fim de servir de cobaia e botou o artificial no lugar do natural. Dois dias depois uma válvula quebrou e tiveram que fazer outra cirurgia. O paciente foi fazendo cirurgias recorrentes por causa não só da máquina mas por causa de efeitos colaterais, como sangramento nasal. O objetivo desta vez era deixar o paciente com o coração de plástico para toda sua vida. Ele durou uns três meses. Conseguia falar até, mas andar não dava, até porque tinha que estar sempre acompanhado pelos dispositivos externos que faziam o coração bater (e eram grandes). Daí, morreu meio mal.

Enquanto isso, o primeiro médico ainda não tinha feito nada com humanos. Mas havia desenvolvido mais o sistema das LVADs. Agora eram mais eficientes, mas ainda ficavam para fora do corpo, uma negócio enorme, batendo, horrível, e serviam apenas temporariamente e para pacientes grandes, que agüentassem o peso e tivessem uma caixa toráxica suficiente para suportar algo tipo uma lata de goiabada dentro do peito (se fosse o modelo interno).

Então, ele operou um astronauta. O astronauta interessou-se por essas coisas e os médicos aproximaram-se da Nasa. Assim, projetaram, com algumas dificuldades e problemas estruturais, uma LVAD pequena, completamente interna, que usava o mesmo sistema de impulsão de líquidos dos ônibus espaciais: ela já não batia, como uma coração e suas válvulas, mas usava um sistema axial. O paciente só tinha que carregar sua bateria na cintura, como uma pochete (como na ilustração).

lvad1.jpg

O documentário termina nisso, e era fim da década de 90. A LVAD, portanto, era (e talvez ainda seja) o que se tinha de mais avançado na cardiologia, sendo capaz de auxiliar (e não substituir) um coração.

E o coração totalmente artificial foi abandonado, porque não dava certo mesmo, nem com bezerros.

6 comentários

Comentar post