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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Saudade do Wando

Moro no centro e aqui pela volta há alguns bares e restaurantes. Nada muito chocante: às 23h todos já estão fechados. Dois prédios depois do meu há um desses bares (um pequeno restaurante, na verdade), muito feio e nada convidativo, é verdade, mas há. E nos últimos dois meses, nas noites de quinta e sexta-feira uns músicos se apresentavam ali. Eram um tecladista, um guitarrista e uma cantora (não necessariamente nessa mesma ordem) que ficavam lá no fundo do estabelecimento comprido e estreito, cantando sem parar desde as 18h até mais ou menos as 22:30h.

Depois das primeiras vezes, quando achava que meus vizinhos do andar superior estavam fazendo de novo suas festinhas barulhentas - e isso me irritava, acabei me acostumando e até gostava de ficar escutando. Como é bem perto, eu ouvia tudo: desde as músicas do Wando (Fogo e Paixão tornou-se um hit aqui na rua) até Stairway to Heaven num inglês inexistente nos léxicos. Um dos momentos altos das apresentações era Garçon, do Reginaldo Rossi: quando os primeiros acordes soavam, todos os bêbados aplaudiam de pé. Roberto Carlos não podia faltar no repertório, assim como Leandro e Leonardo, Pink Floyd, Caetano Veloso e, claro, Nelson Ned.

Pois esses pilares da música moderna não mais ocupam as noites frias do fim da semana. O bar fechou. Na porta de ferro, um aviso escrito a mão: reabriremos em breve. Sábado iniciou a reforma - já arrancaram até o piso. Devem estar transaformando o lugar num estabelecimento decente, onde famílias felizes vão comer bauru e os papais, estarrecidos, assistem seu time do coração perder nas semi-finais do campeonato. Tudo normal. Quero o Wando de volta.

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