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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Farra no gasômetro

Surpreendido, encontro na Usina do Gasômetro ontem à tarde, as pessoas ensaiando para a próxima Farra de Teatro. Eu fotografei a primeira, que aconteceu durante o Fórum Social. Quem já teve o prazer de entrar no meu site, pôde ver as fotos. Na época, foi chamada de Maratona Teatral, porque eles ficaram (os atores, sob coordenação do Depósito de Teatro), ficaram horas sob um sol de mais de 30 graus, correndo, dançando, interpretando.

O negócio é assim: vão tocando músicas e eles vão dando forma a cada uma delas. Durante o Fórum a coisa durou mais de quatro horas (5, 6, não sei direito). Dessa vez não sei quanto vai durar, talvez não seja tanto. Eu não sabia nada a respeito no dia que aconteceu a primeira; estava distraindo, seguindo um grupo de maranhenses vestidos com roupas folclóricas, quando cheguei no anfi-teatro pôr-do-sol e percebi aquelas dezenas de pessoas empenhadas em interpretar as canções. Fotografei um pouco e fui dar uma volta no Parque Marinha. Uma hora depois, eu voltei e eles continuavam lá. Aí vi que o troço era sério e fiquei até o fim. Tirei trezentos milhões de fotos. Foi uma ótima experiência.

O espetáculo é lindo, e pode parecer estranho no começo, mas quando pega-se o espírito da coisa, fica-se preso esperando o próximo passo. As músicas também são muito significativas. Na primeira edição, minha preferida foi Solidão, do Alceu Valença, cantada por uma voz feminina que nunca descobri quem é. Lindíssimo. Havia também Chico Buarque cantando "é a parte que te cabe neste latifúndio", enquanto eles andavam e iam caindo ao chão, como se morrendo. Foi ótimo fotografar esta, embora eu tenha ficado surpreso com as pessoas despencando de repente.

farra.jpgfoto: Ederson Nunes

Outra coisa que me deixou surpreso foi o último número, em que todos perseguem uma das atrizes, negra, xingando-a, jogando coisas nela; então arrancam sua roupa e ela fica nua, apavorada, como num linxamento. Daí, um por um, os outros vão tirando a roupa também e formam um círculo. Achei lindo, fiquei chocado e me esqueci de ajeitar o foco da câmera.

Por falar em atriz negra, uma das músicas é Elza Soares cantando "a carne mais barata do mercado é a carne negra". Então, os atores se chegam ao público e ficam oferecendo-se, como se estivessem num mercado mesmo. Expõe seu corpo, dizem o preço, pedem pra levar pra casa. Não esqueçam: é só representação. Se alguém agarrar um dos atores, tem polícia por perto.

A Farra Teatral acontece, então, neste domingo à tarde, na Usina do Gasômetro. Caso chova, vai ser dentro, se não, será ali fora.