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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Camila Pitanga tem um orgasmo na primeira cena

Assisti ao Sal de Prata, novo filme da Casa de Cinema, dirigido pelo Gerbase que, além de ter sido vocalista dos Replicantes é professor da Puc. Gostei o suficiente para escrever uma crítica bem positva. Lê lá.

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Antes de assisti-lo eu pensava: "vou detestar Maria Fernanda Cândido". Sempre achei ela artificial e fria. Ok, já que Gerbase deu um jeito na Maitê Proença em Tolerância, deu um jeito na Fernanda Cândido também. Ela pode ainda me soar um tanto fria e distante, mas não faz feio. Contudo, Camila Pitanga tá melhor.

Nada mais a considerar, a não ser duas coisas: a direção de arte é bacana e tal, mas erra numa coisa, em minha opinião. A personagem da M.F.C. é uma economista rica, que não liga pra cinema. Então como ela tem, na parede de seu apartamento ultra-moderno, uma enorme (enorme!) foto em preto e branco de pernas de pessoas pobres e mal-vestidas, num estilo Sebastião Salgado? Tudo bem que ela tivesse pinturas (e tem), tudo bem que tivesse fotos de golfinhos ou tigres asiáticos, mas nada a ver ela ter uma foto jornalística-de-gente-necessitada. Se fosse no quarto do namorado dela, que mantém um livro de Helmut Newton na escrivaninha, tudo bem.

 Outra coisa: apesar de ser achincalhado por alguns críticos do centro do país por causa de, em Tolerância, os personagens falarem como as pessoas falam aqui em Porto Alegre (tu quer, tu vai, tu leu), Gerbase mantém essa conjugação dita errônea em Sal de Prata. Dou os parabéns, afinal se o filme se passa aqui, as pessoas devem falar como aqui se fala. Se o filme se passasse na Bósnia, seria diferente. Na época do Tolerãncia, o crítico do site da revista Superinteressante (que era gaúcho, mas era publicitário - Deus, perdoai-o) escreveu barbaridades sobre os "tus", dizendo que era um filme só pra passar na província, que o resto do Brasil não ia aceitar, que era errado e feio e sei lá mais que absurdo. Por isso, vou escrever aqui palavras de Gerbase sobre o assunto (tá tudo no material de imprensa):

Em nome de uma suposta adequação gramatical, comete-se um erro de roteiro. Erros de verosimilhança são muito mais graves que erros gramaticais. (...) A universalidade de uma história depende dos seus elementos dramáticos, da sua estruturação, de sua vocação para o diálogo com todos os públicos. E não da combinação de um pronome com um verbo. E mais uma coisa: se a idéia é atingir todo o planeta, parece uma boa tática começar com seu bairro. Quem não é entendido na sua esquina dificilmente passará a fronteira com o Paraguai. (...) O império do "você", que se estende do Oiapoque ao Mampituba, e que já ameaça Torres, deve ser detido a qualquer custo.

Aliás, Porto Alegre está linda no filme. Mas exagera-se um pouco quando, no final, as personagens vão conversar no pórtico do cais do porto. Fica lindo ali, o negócio de vidro no pôr do sol. Só que quem mora aqui sabe que ninguém vai conversar lá. Tem uma guarita no portão e os guardas mandam tu pegar uma autorização pra poder circular.

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