Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

Então, acabou-se

América acabou. Eu gostei. Como telenovela teve um estilo clássico, apesar de algumas coisas bem estranhas. A começar pelo elenco gigantesco, de mais de 70 atores. Lá na primeira semana, quando a narrativa ficava girando de lá pra cá, indo de núcleo pra núcleo pra outro núcleo, eu achei interessante. Várias possibilidades existiam e foram bem exploradas. "Críticos" por aí achavam que Glória Perez tinha enlouquecido, que nada ia dar certo, que o público ia se confundir. Nada a ver. Levavam em consideração a novela anterior (a detestável Senhora do Destino), que girou quase que exclusivamente apenas entre os protagonistas, mas esqueceram-se, por exemplo, das novelas de Manoel Carlos, que também enche a história de personagens secundários para desenvolvê-los ao longo dos meses.

Depois do primeiro mês caiu o diretor. Jayme Monjardim tinha uma concepção completamente equivocada da novela, e Glória Perez expulsou-o. Não sei como chegaram a começar algo assim, com o autor escrevendo uma coisa e o diretor fazendo outra. Em tempos de Daniel Filho como supervisor isso não aconteceria.

Teve a tal história dos protestos contra os rodeios, as fotos de Daniela Perez morta no Orkut antes da novela iniciar, os processos que Glória Perez abriu por causa disso. Tudo acabou acabando, e nem teve tanto rodeio assim. Mas quando teve todos achavam que o touro Bandido era brabo porque era mau, e ninguém nunca falou que nas competições apertam o saco dos bois com um sedenho pra eles pularem.

O casal central não deu certo e mudaram-se os pares, algo bastante incomum. Os protagonistas pegaram um personagens secundários para se apaixonar, cada um mais sem graça que o outro, mas acabou funcionando.

O casal homossexual não deu um beijo de verdade. Seria algo marcante, mas acabou não acontecendo. Escrita, a cena foi; gravada, provavelmente; exibida, não. Uma pena. Pior do que o selinho das duas lésbicas nas Mulheres Apaixonadas. Glória Perez ficou a semana inteira dizendo "claro que vai ter beijo!". Até no Fantástico. Mas a realidade não é novela e alguém cortou.

Jatobá, o cego mais feliz do planeta, chegou a recomendar até filmes, foi mais consultado que Chico Xavier, e tinha um cachorro com um nome que nunca entendi. Ele ia sempre assistir aos ensaios de dança da Flor. E ela, por sua vez, já tinha uns 12 anos, mas não sabia nem andar direito dentro da sua própria casa. Uma pensão inteira ganhou o green card de uma só vez; as pessoas atravessavam a fronteira do México e já caíam em Miami (e não no Texas); o velho pedófilo ficou com o guri horas na sua casa e não fez nada; Haidê furtou por 20 anos e de repente ficou curada; Sol, quando estava tendo o bebê, saiu de casa e foi se enfiar no meio do mato, na chuva. Bom, é novela, coisas pouco críveis acontecem.

Juliana Paes negou-se a aparecer sem roupa nas cenas, Roberto Carlos tinha três músicas na trilha sonora (e mais: seu filho cego participava apresentando um programa de TV sobre deficientes), não houve nem um assassinato misterioso, Francisco Cuoco teve um papel decente e os cegos não tinham poderes auditivos ou olfativos extra-humanos. Ou seja, uma novela bacana que segurou a peteca pelos oito meses de exibição, sem ter aqueles intervalos de semanas sem acontecer nada interessante - e isso que Glória Perez é a única entre os autores da Globo que escreve sozinha.

2 comentários

Comentar post