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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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- Mas essa generosidade é terrível...

Ontem estava com dinheiro e com vontade de comprar um livro. Queria um romance, porque estou cheio de livros de outros tipos em casa, mas não tenho vontade de lê-los. Como na época da Feira do Livro eu estava na miséria, não pude nem garimpar coisas interessantes nos balaios obscuros. Fui no Beco dos livros aqui na Rua da Praia, que me é muito agradável. Investido de um sentimento musical, fui procurar algo sobre óperas, mas só tinha velharia cara; desisti. Coisas sobre cinema ou fotografia, nada a ver. Fui nos romances mesmo.

Comecei pelo W. Virginia Woolf, Mrs. Dalloway eu gostaria de comprar, mas não tinha. Fogueira das vaidades, do Tom Wolfe, tinha, mas era caro. Fui regredindo o alfabeto. Cheguei no Q. Os Maias seria um grande livro para ler, mas do Eça de Queiroz, que me agradasse, só tinha Primo Basílio. Peguei, ia comprar, mas achei que prosa do século 19 não ia me fazer feliz. Lembrei: O Tambor, mas não lembrava o nome do autor alemão e deixei de lado. Saramago, muito caro, assim como Thomas Mann e Sartre. Hemingway eu deveria ler, fui olhar, mas nada me chamou a atenção. A Mulher do Próximo, de Gay Talese, maravilhoso livro do novo jornalismo, a história da pornografia nos Estados Unidos, pegando, mais ou menos, como personagem principal o criador da Playboy. Tava por 10 pila, mas eu já havia começado a ler certa vez, e é bastante cheio de dados, sabia que ia me chatear depois de um tempo. Comprarei brevemente.

Lembrei de Raquel de Queiroz. Paola comprou O Quinze, semana passada, e eu fiquei com vontade de ler algo da escritora de novo. Mas o Memorial de Maria Moura tava caríssimo, em nova edição, não quis. Ali do lado, então, descobri os Graciliano Ramos. Perfeito. Escritor brasileiro, século 20, falando simples, que eu adoro e pretendo ler todos seus livros. Comprei Caetés, que era o único romance dele que eu não havia lido. O título, agora sei, refere-se ao livro que o personagem principal está mal-escrevendo, sobre índios, a tribo dos Caetés, só que ele não sabe nada de índios além do que leu em Gonçalves Dias.

A edição é de 1953, com capa dura vermelha e páginas carcomidas por traças há muito falecidas.Por sua antigüidade, a gramática é ancestral: os quase são quási e enviuvar tem trema.

Tô na página 66 e a história, percebo, é sobre um cara solteiro, que mora numa pensão e está apaixonado pela esposa do dono da loja onde trabalha. Se em Angústia, o protagonista comete um assassinato por ciúme após ser rejeitado, neste eu não faço idéia do que acontece. De qualquer forma, a prosa do Graciliano Ramos é estupenda, sutil, fluente, incrível. Leio muitos trechos em voz alta, pra perceber melhor. Vou terminar de ler em pouco tempo, e voltarei a procurar algo barato que me agrade. Gostaria de ler um livro imenso.

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