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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Espanhola eu também quero!

Por motivos alheios à capacidade de entendimento que me cabe, passei boa parte da vida exercendo minha misantropia. Isso, em poucas palavras, significa que, depois da infância, não tive grandes amizades. Nem pequenas também. Passei todo o segundo grau e depois a faculdade tendo amigos de aula, colegas, pessoas com quem eu falava no colégio e no campus, com quem eu almoçava ou andava de ônibus, mas ninguém com quem eu saísse, por exemplo. E não por falta de vontade das pessoas, mas eu não tinha, realmente, esse desejo de sair, conversar, compartilhar, tomar cerveja num bar e falar sobre o Big Brother.

Eu fazia tudo sozinho, inclusive morava sozinho. Com exceção de uma colega de quem eu gostava, acho que nunca convidei ninguém pra fazer nada durante toda a faculdade. Na época não me fazia falta, realmente. Quando vim morar em Porto Alegre, não senti muita saudade de minha família. Ficar sozinho era bom, então.

Quando a faculdade acabou, no entanto, eu entrei meio em pânico. Percebi que, com exceção da Paola (que eu conheci em outros caminhos), eu não tinha amigos, eu não namorava, eu não tinha nem quem convidar para ir ver um filme. A solidão é prima-irmã do tempo, e meu apartamento vazio foi ficando apavorante. Tentei preencher os dias com sexo. E isso funciona, por vezes. Mas não melhora em nada a vida depois de gozar. E além de tudo é chato. Sexo me estressa. A não ser com certas pessoas. E com essas pessoas a gente acaba tendo uma afinidade maior e alguém sempre fica esperando mais do outro. E o outro, com freqüência, não tá nem aí. E isso estressa mais ainda.

Então, ano passado foi muito diferente nesse sentido. Foi o ano em que estendi minha capacidade social além do mínimo que era normal. Foi o ano em que saí para festas e bares sem reclamar e até gostei. E agora gosto. Foi o ano em que resolvi ir em comemorações, como aniversários, mesmo que não goste muito, porque para a anfitriã pode ser importante. Foi o ano em que resolvi ser mais sincero, mais aberto, mais expressivo, mais agressivo, mesmo que isso não funcione sempre.

Foi o ano em que resolvi fazer mais convites e aceitar com freqüência, quando é possível, os que me fazem. Assim, me aproximei de pessoas, conheci algumas, redescobri outras. Por isso, aceitei ir na Redenção quando a Graziana me ligou domingo. Para quem estava tendo uma tarde absurdamente aborrecida, foi um convite abençoado. Nos encontramos eu, Grazi, Katine e o Augusto, a quem fui apresentado. Sentamo-nos na grama, a escutar músicas gauchescas muito poéticas, até que resolvemos (bom, eu não resolvi nada, mas gostei da idéia) jantar no apartamento da Katine.

Graziana fez uma lasanha de responsa, de um jeito que eu nunca havia visto antes, enquanto cantava É o amor comigo na cozinha. E depois da janta veio a parte mais divertida. Jogamos Eu nunca, seguido por Eu já e, depois, o fatal Verdade ou Conseqüência. Foi um fim de noite para ficar na história: nunca falara ou escutara tanto sobre sexo antes.

Fiquei sabendo quem já fez espanhola, quem já foi ou não lambido em certas partes do corpo, quem já fez sexo na cozinha, quem tem vontade de transar com o Stênio Garcia... coisas assim, bem simples.

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Grande noite. Agradeço a todos que a tornaram possível, inclusive a quem eu havia convidado para sair à tarde e disse não.

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