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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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JK era um adúltero

Eu ia escrever sobre JK, mas depois desisti, agora me deu vontade de novo. Acabou sexta passada e, fazendo um balanço, achei detestável. Muitas pessoas gostaram, mas eu tinha ganas de atirar tijolos na cara de quem fez aquela bobagem. </p>

A primeira fase foi tenebrosa, principalmente porque o casal protagonista era tão bobo, insosso e ridículo. A Débora Falabella parecia na Dama das Camélias, e o Wagner Moura interpretava ele mesmo como sempre faz na televisão, com seu risinho que me incomoda. Sem mencionar aquele tal de Coronel Licurgo, que não tinha cabimento.

Na passagem para a segunda fase, passaram-se 10 anos, mas os protagonistas envelheceram 40, enquanto Débora Evelyn só mudou o vestido. Tu bem, relevemos... Marília Pêra estava um pouco melhor do que sua antecessora, mas falava como se tivesse um pinhão quente na boca, se fazendo de gatinha, ainda por cima.

Tudo isso junto com uma iluminação uniforme e sem graça; uma direção de atores que deixava os personagens secundários imersos numa massa homogênea onde não se distingüiam um do outro e onde ninguém fazia nada além de ficar parado falando batendo palmas e cantando aquela insuportável música do peixe; uma edição patética, que cortava as cenas onde obviamente não devia cortar e juntava os planos como quem costura num ônibus; e um roteiro muito pobrinho, mais indicado para uma novela das seis.

Aliás, era um novelão, não uma macrossérie. Cheio de amores arrebatadores, casos mirabolantes e pouca história verdadeira. Era ridículo: a escolha do JK como candidato a presidente, sua campanha e sua eleição não levou mais do que 20 minutos. Já o golpe militar, a fuga do Jango, cassações e perseguições foi tudo juntado numa narração em off de dois minutos, e logo pulamos para um ou dois anos depois.

Ah, e os personagens históricos eram completamente destruídos pelas interpretações sem noção. Jango, por exemplo, na única cena em que apareceu, era um ator que não fede nem cheira. Roberto Marinho era o Marco Ricca achando que estava ainda em Bang Bang. Só o cara que fez Nelson Gonçalves se salvou, porque ficou 40 segundos no ar. Minto, teve Sérgio Viotti fazendo o Adolfo Bloch muito competentemente. E o Antonio Calloni como Augusto Schmidt, morrendo ótimo na praia.

As coisas só ficaram mais decentes nos oito últimos capítulos. José Wilker muito interessante como o JK velho (porque novo era feliz demais); as cenas tornaram-se mais longas, deixando alguns atores mostrarem para que ganham seu salário; alguns momentos trouxeram uma iluminação bonita, em especial nos dois últimos dias, com Brasília à noite; e o texto melhorou, já que o nível dramático aumentou e Maria Adelaide Amaral sabe escrever bem quando pode.

As cenas do velório e do enterro foram bem boas. Mas a melhor cena mesmo foi Camila Morgado pensando apaixonadamente em Letícia Sabatella.

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