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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Nunca joguei taco

Não poderia imaginar que o filme durasse tanto. Fui inocentemente assistir a qualquer coisa que estivesse passando na mostra de cinema indiano. Peguei o ingresso, onde dizia Lagaan. Legal, um filme chamado Lagaan parece interessante. Então, sento-me e com calma leio o folheto. E me espanto. O filme tem 224 minutos! Sim, 224 minutos! Fiz as contas várias vezes e todas deram o mesmo resultado: quase quatro horas! Eu não estava preparado fisicamente para isso e pensei em sair no intervalo (aham, dizia que haveria um intervalo e eu fiquei feliz).

Então começou. Primeira coisa: qualidade excepcional. Visualmente o filme arrasava em todos os aspectos. E mais: havia uma história bacana. E mais: atores competentes. E mais: as vacas tinham chifres lindos.

lagaan.jpg

A história se passa no século 19, quando, com a colonização britânica, uma província tinha que pagar altos impostos (o tal lagaan) para o exército ocupante. Só que não chovia há dois anos, ninguém tinha nem comida. Daí o comandante resolve dobrar o valor do imposto. Todos se revoltam, mas não podem fazer nada contra. Mas o britânico, porque tem uma implicância com um aldeão, desafia-o a um jogo de críquete. Se os ingleses ganham, o imposto triplica. Se os hindus ganham, não pagam nada por três anos.

Então, 80% do filme se passa com Bhavu tentando aprender o jogo, convencendo os outros a jogar com ele, treinando e, enfim, jogando. Parece chato, e quando eu li na Veja da semana passada que "o ator-produtor Aamir Kahn (...) enfiou no enredo um (longo, longuíssimo) jogo de críquete". Eu pensei: detestável, até porque sabia tanto sobre críquete quanto sobre a constituição química do marshmallow.

lagaan1.jpg

Mas é divertido, emocionante, com belos personagens, algumas grandes cenas e, claro, números musicais (bem menos do que eu esperava – são só quatro). O melhor das cenas musicais é que são muito diferente do que a gente conhece de Hollywood. Pra começar, eles dublam. Quer dizer, todos sabem que não são os atores cantando. É como se Antônio Fagundes começasse a cantar e dançar com um cd do Fábio Júnior tocando. É uma abordagem diferente da coisa. Ah, e eles dançam muito engraçadamente. E as músicas são realmente ótimas.

Então, após ter visto o Woody Allen e gostado bastante, não vou dizer que Lagaan é melhor, porque é outro mundo. Mas como é um tipo de cinema ao qual eu não estou acostumado, a novidade, talvez, me fez gostar bem mais. Grande direção, fotografia, edição, figurinos, cenografia. E acabei ficando quatro horas no cinema.

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