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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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- Não... Bom, sim.

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Eu tinha visto o filme há uns anos e me surpreendi muito. Porque sabia que tinha sido um musical na Broadway (e no Brasil, com Miguel Falabella e Claúdia Raia, já dá pra imaginar) e não podia pensar sequer que a história fosse o que é. Até porque a única referência forte que eu tinha até então era Sônia Braga vestida de preto na frente de uma teia de aranha. Mas não tem nada a ver com musical, Miguel Falabella ou Broadway. O Beijo da Mulher Aranha é muito sério.

Pois acabo de acabar de ler o livro. São dois homens conversando. E o livro todo é 97% só a conversa deles. Não há narração, descrição, nada fora dos diálogos. E conforme vão falando, descobrimos que eles estão presos, num país sob ditadura, e que um deles é homossexual ("sou mu-lher") acusado de corrupção de menores e o outro é comunista revolucionário. Eles vão interagindo, conhecendo-se, influenciando-se, e acabam desenvolvendo uma relação muito profunda. E a partir do meio ficamos sabendo que há um propósito oculto nisso tudo, que leva a um final bastante inesperado.

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O autor é Manuel Puig, argentino, que lançou o primeiro livro perto dos 30 anos, porque antes tentava ser cineasta mas não rolou. O Beijo ele deve ter lançado no final da década de 70. Em 1985 virou o filme, dirigido pelo Hector Babenco, com o William Hurt ganhando o Oscar e a palma em Cannes pelo papel da mu-lher. É o personagem dele, Molina, que conta os filmes. Eu não disse, mas grande parte do livro passa-se em longas falas dele contando filmes antigos. Páginas e páginas assim, e é ótimo. Filmes bobos bem contados, como A volta da mulher-zumbi, parecem interessantíssimos, realmente. E a prosa do cara é tão bacana que dá pra imaginar todo o filme enquanto ele descreve as cenas.

Em enormes notas de rodapé o Puig ainda disserta sobre as várias interpretações da medicina e psicanálise para a homossexualidade. Fiquei sabendo de coisas incríveis que Freud escreveu.

O escritor mudou-se para o Rio de Janeiro na década de 80. Ao contrário do que eu havia dito, ele não morreu lá, mas sim no México. E pessoas algumas dizem que ele tinha HIV, mas isso não é certo.

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