Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

Música da Semana 4

Por acaso estava lendo a coluna-blog do Zeca Camargo (tomei um chá pra aliviar o enjôo logo depois), e descobri esta mulher, Janelle Monae.

Sr. Zeca Camargo inclui ela como uma das cantoras novas que têm influências de Amy Winehouse. Hummm, ok. De qualquer forma, Amy nunca dançaria esta dança fantástica.

 

Eu em São Paulo (ou Cadê os supermercados?)

Pois fui para São Paulo participar de um congresso sobre fotografia, e foi a primeira vez que eu viajei de avião. Apesar de querer evitar, achei melhor aceitar o risco de algo que pesa toneladas e voa acima da terra. Não tive muitos problemas, e o lanche da Ocean Air é muito bom (sanduíche quente, pudim e bebida). Só que uns 15 minutos antes de cada pouso, começava a me dar uma dor de cabeça de tontear elefante, tipo a pior enxaqueca do século. Meus ouvidos doíam e espalhavam a dor por toda a nuca e maxilar. Um horror.

Da cidade conheci pouco. Saía cedo pra ir no evento (que era no auditório do lindo Memorial da América Latina) e voltava só à noite. Deu mais pra ir conhecendo a Liberdade, onde ficava o hotel (Liau Ginza, bom e barato), que é um bairro bem bacana, algo tranqüilo e que não tem 1 puto supermercado: fiquei terça-feira toda com 5 reais e louco para achar um supermercado pra comprar mil coisas com cartão de crédito, mas o máximo que encontrei foram umas 20 vendinhas e minimercados onde acabei comprando bolinhos Panco e um suco. Só no dia seguinte descobri - mas na Barra Funda - um supermercado com o triste nome de Sonda, onde havia 3 opções de creme de amendoim (e não apenas Amendocrem, como aqui em Porto Alegre).

O que mais me espantou de cara foi o metrô rapidíssimo, tanto na locomoção quanto no intrevalo entre os trens. Em algumas estações o fluxo de pessoas no final da tarde era sinistro, com centenas querendo entrar no mesmo vagão em 3 segundos. Contudo, na maior parte das vezes, não tive problemas com isso. E tenho que elogiar as sinalizações e mapas em todas as estações, que não deixavam eu me perder na troca de uma linha por outra.

No último dia fui conhecer a Av. Paulista e paguei R$ 15,00 pra entrar no MASP (que, como absurdamente só abre às 11h, me deu tempo de passear pelo belo Parque Trianon). No museu estavam expostas umas 400 mil obras de Van Gogh, Picasso, Matisse, Portinari e - o que eu queria mais ver - Bosch, além de muitos, muitos outros conhecidos e desconhecidos, em 3 exposições. Fome total depois de 2 horas. Só não pude almoçar, pois fui ver a fantástica exposição da Maureen Bisilliat na Fiesp e depois corri apavorado achando que ia perder o avião. Mas não, estava chovendo (assim como a semana toda) e o vôo até atrasou. Deu tempo para eu esquecer todo o material que eu havia arrebanhado no congresso, mas logo recuperei, já que ninguém quis roubar a pasta que deixei sobre a lixeira do aeroporto enquanto comia horrorosos biscoitos Piraquê.

I forgot to take my meds

Pois então, show do Placebo em Porto Alegre, abrindo a turnê no Brasil.

Placebo em Porto Alegre

Antes de tudo, uma constatação: cada show ao vivo é melhor/pior de acordo com quem está à sua volta. Não adianta Frank Sinatra cantando My way na sua frente se tem alguém ao lado pisando no teu pé e gritando “gostoso!”. Por causa disso, há muito desisti de me importar com shows. Porque eu realmente odeio todas as pessoas que estão na platéia.

Outro ponto: Pepsi on Stage é algo a se pensar a respeito. Como já tinha falado aqui, tenho certa dificuldade em entrar no clima lá dentro. Ontem nem foi esse muito um problema, já que eu estava perto do palco e não tinha muitas interferências visuais do local em si. Contudo, comecemos pelo início: quando chegava-se lá, se você tinha ingressos para a pista você não entrava. Antes você tinha que andar uns 60 metros no meio dos cambistas e entrar num corredorzinho de ferro de 1 metro de largura, contra a cerca, e voltar os 60 metros no meio de latas de cerveja jogadas no chão, depois passar por um labirinto de 4 voltas para então, sim, conseguir entrar. Para que isso? Não faço idéia. Nem a metade dos ingressos foi vendida, obviamente não haveria fila, nem tumulto.

Lá dentro, você percebe uma dificuldade: o palco é baixo.

Dito isso, imagine que o show começa. E começa na hora, pontualmente às 22h. Agora imagine que você tem 1,80m de altura e cinco corpos na sua frente está alguém com 1,90m. O palco é baixo, a cabeça dele ocupa metade do vocalista. Agora imagine que a pessoa alta quer gravar pedaços do show com o celular, e levanta a mão com o aparelho luminoso acima de 2 metros e fica com ela lá por vários minutos, várias vezes. A mão dele bloqueia a visão do baterista.

Agora imagine que na sua frente tem um casal. E eles não conhecem Placebo. E eles não sabem nada de nada e não prestam atenção ao que está acontecendo, mas ficam de minuto em minuto cochichando e dizendo gracinhas, a 20cm do teu rosto.

Imagine também que há alguém passando com UMA CAIXA DE ISOPOR NA CABEÇA de 10 em 10 minutos. E ele não apenas passa lá, como passa aqui, e te empurra, e grita bem na sua cara “CERVEJA! ÁGUA! REFRI!”.

Não, assim não é possível se concentrar. Você então olha para o telão, e lá a banda está mais cor-de-laranja que a Vera Fischer, e quando a luz no palco é vermelha, na tela só dá pra ver vultos, tipo a visão do Predador.

Imagine que surge uma brecha para o lado, e lá vamos nós. Agora a visão é bem melhor, não há obstáculos. Porém, imagine que há dois amigos na sua frente, na mesma distância do casal já citado. E eles até conhecem Placebo, mas não dançam, não pulam, não se mexem 1 centímetro sequer, e ficam cochichando coisas a cada 5 minutos. Ok, não é o fim do mundo. Um deles fuma? Hum, pelo menos estamos vendo Brian Molko cantar.

Agora esforce sua mente e imagine que alguém que tem 1,50cm e, obviamente não está vendo nada do palco, de repente suba nas costas do namorado. Ali, na sua frente, bem na hora que toca Speak in tongues. Imagine que você grite, queimando de raiva, “TIRA ESSA VAGABUNDA DAÍ!”, mas eles não escutam, porque estão animados felizes cantando a música e vendo tudo. Imagine-se tentando encontrar algo nos bolsos para atirar nessas pessoas. Nada. Talvez uma moeda de 1 real? Hum, não vale a pena, porque é possível que você erre.

Ok, 10 minutos depois ela desce. E você fica meia hora preocupado, olhando, procurando eles e temendo que isso aconteça de novo.

Não acontece. Agora podemos aproveitar o show.

PLacebo em Porto Alegre

A metade final da apresentação, que foi quando eu realmente consegui assistir algo, foi muito melhor que o show deles em 2005. Principalmente porque o vocalista estava ali com vontade de cantar e de ter alguma conexão com o público.

O melhor momento continuou sendo Special K. Mas momentos marcantes também em Meds (minha preferida – não há como não cantar “Baby, did you forget to take your meds?”), Infra-red, The Never-Ending Why e até Every You, Every Me, que nem é das que eu mais gosto, mas a versão que tocaram foi bem bacana.

Tocaram também uma música inédita, Trigger Happy, que é das melhores para se ver ao vivo, e também foi um momento para se lembrar, com todos levantando as mãos no refrão “Put your hands in the air, and wave them like you give a fuck”. E eu cantando, porque pesquisa é tudo na vida e eu já conhecia.

 

Placebo em Porto Alegre

 

 

No final, tocaram Taste in Men, cuja letra eu incrivelmente sabia. Foi bom, adoro Placebo, escuto sempre suas músicas, e gosto dos últimos trabalhos tanto quanto dos anteriores.

Da próxima vez, irei de novo. Mas atrás. Ficando longe o stress é menor. No show do Seal, também no Pepsi on Stage, eu estava lá fotografando, mas percebi que se você fica mais atrás você pode até não ter aquela visão, mas fica bem mais à vontade.