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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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A incompatibilidade eterna dos seres

Acabou-se No Limite ontem, talvez o melhor reality show dos últimos anos no Brasil, apesar de seu apresentador. Você sabe, a primeira edição no programa, lá no final dos anos 90, foi um sucessão e as posteriores foram lixo. Esta também teria sido nada memorável, tampouco elogiável, com suas pessoas sem graça e sem beleza, além de Zeca Camargo.

Mas eis que em tudo há reviravoltas, e a reviravolta se deu por incompatibilidade de gênios. Todos se detestavam. Grupos rivais se formavam dentro das duas equipes, e dentro desses pequenos grupos outros grupos conspiravam – às vezes por interesse de jogo, às vezes por inocência, às vezes por achar que outros conspiravam sem parar. Tudo piorou quando as duas equipes se juntaram. Tinha a advogada mentirosa e fofoqueira, a lutadora desbocada, o domador de cavalos bruto, o professor de educação física presunçoso, a bombeira chorona, o inocente útil de dreads, a psicóloga impressionável, entre outros. De uma semana para outra uns eram amigos, depois corriam fofocas e já eram inimigos mortais e se votavam mutuamente. Assim foram saindo os mais significativos, em meio a grandes discussões grupais e pequenas estratégias erradas de alianças.

Então todos são eliminados, menos quatro. Chega-se ao último dia. Em uma prova que é ganha pela dupla mais legalzinha, a psicóloga impressionável (a partir de agora definida aqui como P.I.) acaba eliminando o feirante boa-gente, que era o favorito, deixando na competição a bombeira chorona (B.C.). Ponto negativo para ela. Três mulheres na final, a maioria do júri não gosta da B.C.. Chega a prova que define a primeira finalista a ir para a votação do júri (serão somente duas) que definirá a ganhadora. A P.I. se destaca, sai na frente, é mais esperta como sempre, mais rápida, e ganha. Só que eis o seu problema: as outras duas discutem e acusam-se de mentirosas e safadas e a P.I. não sabe em quem acreditar e na final ela acaba escolhendo para sair a comissária de bordo queridinha (C.B.Q.) que ainda não tinha entrado neste texto. Eis o grande espanto. Todos boquiabertos, no júri e em casa.

Problema 1: Saiu a C.B.Q., em quem muitos iriam votar, ficando a B.C., de quem a maioria não gostava e que foi a mais votava para ser eliminada – levando-se em consideração todos os programas.

Problema 2: A P.I., que era boa gente, acabou eliminando a C.B.Q., desagradando mais uma vez todo mundo, mostrando que ela preferiu acreditar na história da B.C. (que era um mal entendido) a valorizar todo o histórico da C.B.Q., que também era boa gente.

Mal estar geral. O júri todo começa a detestar as duas que estão lá. Não querem que nenhuma delas ganhe. Cada um (são 11) faz uma pergunta para as finalistas, sempre com carregado teor agressivo e/ou ressentido.Preferem ter as pernas quebradas do que dar 500 mil para qualquer uma delas.

Mas eis que é na Globo, e é ao vivo, e têm que votar. Acabam votando na B.C., contra todas as apostas e expectativas e desejos do público, deles próprios, e, inclusive, de Deus, que detesta as choronas de postura vitimista.

E Zeca Camargo acabou se saindo bem no último episódio, não sendo tão idiotamente risonho, gracioso, gestual e careteiro como de costume.

Não ganhou quem eu queria que ganhasse (a lutadora desbocada), a final foi completamente anti-clímax e desagradável, mas me diverti nesses quase 2 meses em que acompanhei a competição.