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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Michael Jackson é assunto - Mallika, Daphne e Grace

No sábado seguinte à morte de Michael Jackson, o Times de Londres publicou uma espantosa entrevista com a ex-babá dos filhos do cantor, Grace Rwaramba. Espantosa não só por causa de seu conteúdo inimaginável, mas pela casualidade de a babá estar hospedada junto com a repórter na cidade, já preparando uma matéria que sairia mais tarde, provavelmente por ocasião dos shows de MJ, quando Michael morreu (a entrevista começa mesmo descrevendo como a babá adentrou o bar onde estava a jornalista, gritando “Daphne, Daphne, Michael is . . . Michael is . . . dead!”).

Eu li a entrevista no site do jornal e resolvi salvar para consultar depois. Fiquei surpreso ao tentar encontrar on line o texto alguns dias depois e não conseguir encontrar, e tudo o que linkava à reportagem não funcionava.

Como eu achei a entrevista interessantísima e queria dividir com os interessados, resolvi postá-la aqui no blog, para alguém que por ventura procurasse pudesse encontrar.

Agora que vim fazer isso eu soube de coisas.

A entrevista fez vozes levantarem contra a titude da babá, de expor daquele jeito a vida do artista que ela ajudava a preservar até algumas semanas antes (ela trabalhou para MJ por 17 anos). Acusaram-na de oportunista, gananciosa, exploradora, apontaram o dedo dizendo que ela obteve dinheiro da jornalista para conceder a entrevista etc.

Pois eis que vem Mallika Chopra e muda o contexto. Neste texto, a autora, que é filha de um amigo de Michael Jackson e amiga de Grace Rwaramba, descreve o que aconteceu: a má fé da jornalista Daphne Barak, e ingenuidade da entrevistada. Chopra fala da descontextualização de declarações e da invenção de outras, como o famoso trecho em que a babá diz que massageava o estômago de MJ quando ele tomava remédios demais (mais tarde, a babá declarou: "I am shocked, hurt and deeply saddened by recent statements the press has attributed to me, in particular, the outrageous and patently false claim that I 'routinely pumped his stomach after he had ingested a dangerous combination of drugs.' I don't even know how to pump a stomach!!"), além do mal caratismo (pelo que se depreende das situações descritas) da "vampira sugadora de celebridades" Daphne Barak, como a define um outro jornalista, Roger Friedman (o mesmo que foi demitido da Fox por ter feito uma crítica do filme Wolverine baseado em uma cópia pirata, mas isso é outra história).

Em vista disso tudo, agora eu desconsidero a entrevista publicada pelo Times. Mesmo que a maioria das coisas que a tal Daphne escreve tenha sido dito pela babá, agora tudo ficou sob suspeita e perdeu a graça.

E por que estou falando de Michael Jackson, e não do meu vizinho ou da minha avó? Recomendo a leitura deste texto: Michael who?

 

Luxúria, loucura

 

Ontem estreou a minissérie Som e Fúria. O título vem de Macbeth, mas os personagens vão montar Hamlet. O título original (a minissérie é baseada em obra canadense) é Slings and Arrows, que vem exatamente de Hamlet, do monólogo “ser ou não ser” (“Whether 'tis nobler in the mind to suffer: the slings and arrows of outrageous fortune, or to take arms against a sea of troubles, and by opposing end them?”). A tradução não coloco, porque tem cada uma mais diferente da outra na internet que não sei qual é a pior, e não tenho nenhum livro por aqui.

A audiência não foi boa (19 pontos, contra 25 da semana anterior na exibição do totalmente sem graça Toma lá, dá cá), o que é de se esperar, já que as chamadas que a Globo colocou no ar há umas duas semanas eram horrorosas, completamente imbecis, sem falar nada decente sobre a produção e destacando trechos de cenas que vistos sozinhos pareciam patéticos. Mas a minissérie em si, pelo menos no primeiro capítulo, foi muito decente, deixando o original para trás em vários aspectos, 500 vezes superior ao que teria sido se fosse dirigida/editada por quem fez as vinhetas. Andréa Beltrão bem melhor do que as chamadas deixavam transparecer, assim como Pedro Paulo Rangel. Felipe Camargo tem algo que eu realmente não gosto, talvez seja o cabelo e o jeito sujo que ele ostenta em alguns dos últimos personagens que interpretou (vide este filme), assim como seu jeito de falar que por vezes me lembra um prato de batatas fritas gordurosas; mas há de melhorar.