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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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hurdy gurdy gurdy he sang

Quando iniciou Zodíaco, a primeira coisa que eu pensei foi: conheço esta música. Estava tocando Easy to be hard, uma das mais bonitas composições do musical Hair (que no cinema está em uma das melhores cenas desse gênero de filme: a mulher negra, linda, cantando, triste, depois de ser abandonada). Esta canção e aquela plano da janela do carro que vaga pelo bairro suburbano me fez ter uma ótima primeira impressão do filme que iniciava.

Zodíaco é repleto de músicas da época. David Fincher pouco usa música original (parte da música incidental é, inclusive, retirada de Todos os homens do presidente e de A conversação), e, com grande felicidade, pontua o filme todo com canções marcantes durante as três décadas que perpassam a película.

Pois depois de todas as músicas, quando acaba-se tudo, toca Hurdy Gurdy Man.

Há algumas músicas que, mesmo sendo executadas apenas nos créditos finais, quando as pessoas já estão se levantando e ligando o celular, marcam de alguma forma (vide My heart will go on). Poderia citar vários exemplos bem sucedidos, mas ficarei no mais atual, que é Tom Yorke cantando Analyse ao final de O Grande truque, que fecha o filme dentro de sua própria atmosfera, o que é muito louvável.

Isso também acontece quando acaba Zodíaco. Não haveria nada melhor para tocar ali do que Hurdy Gurdy Man. A letra é simples, curtinha, falando de um homem que de repente aparece cantando canções de amor, apesar de o mundo não estar lá essas coisas. A melodia, sim, que é a gema do ovo: belíssima, triste, profunda (sim, às vezes uma melodia é mais profunda que a letra, você sabe), e a bateria grandiloqüente arrepiando. O filme ganha muito ao acabar com essa canção. Foi com ela que a sensação sinistra que eu disse ter sentido se solidificou e para sempre estará presente.

(acho que dá para escutar um trecho aqui. não sei ao certo, pois não testei)