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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

Comprei quatro couves-flores por dois reais

Encomendei um flash novo. É tão grande que me assustei. Vou precisar ler o manual pra saber as 1001 coisas que faz. Pena que não descaroça azeitonas.
Nas duas últimas semanas apareceram ótimos trabalhos. Centenas de fotos para editar. Horas e horas no Photoshop. Alimentação por vezes relapsa. Filas nos correios. Pessoas enviam 20 sedex de uma só vez, todos os dias. Não sei quem são.
Ganhei um processo. Recebi intimação. O Oficial de Justiça tentou abrir a porta do meu apartamento. Vou no fórum hoje.
Muita dificuldade para descobrir como chegar em Novo Hamburgo. Galeteria ótima lá. Grandes massas com noz moscada e mussarela. Fotografei casamento. Juíza com roupa de juíza. Minha mãe também se casou este mês, mas a juíza usava jaqueta caramelo.
Montei um mini-estúdio improvisado sobre minha mesa para fotografar duas mudinhas, uma mão e terra. Juntei a terra na Redenção, com colher de sopa. Pequenas minhocas vieram junto. Mudinha comprei no supermercado. Manjerona. Hortelã tinha cheiro melhor, mas não era tão bonita.
Fiz macarrão com molho de tomate e couve-flor. Molho em lata. Não teria ficado bom se ontem eu não tivesse comprado queijo ralado.

Tidy Up!

Não sei se sabem, mas a reputação de Hans Donner foi ao nível do chão depois que ficou patente que ele deu uma grande copiada num comercial de cozinhas da Ikea para fazer a abertura da novela das sete.
Procurando por esse vídeo, então, chegou a meu conhecimento uma série de comerciais dessa marca de móveis. Geralmente eu desprezo comerciais engraçadinhos, mas esses são mais do que engraçadinhos, pois, levando-se em consideração o nível de desarrumação de minha casa, eles poderiam quase ser baseados em histórias verídicas. Esse logo abaixo é o melhor de todos, já que é mais sutil. (Ah, Tidy up significa algo como "Organize-se").
Também achei ótimo este do macarrão.  E tem este do sofá, que não é engraçado, mas sempre me inspira a arrumar as coisas espalhadas por ali.

Pílula vermelha

Bom, não resisti e fui obrigado a interromper a temporada de mau-humor do blog para dividir com as 200 pesoas que entram aqui todo dia (em busca de fotos do Antônio Fagundes pelado ou adolescentes transando) duas notícias velhas mas que para mim foram algo a me encher de esperança (TV a cabo nos engrandece o saber):
1) Um padre ficou tão comovido com os filmes Matrix que decidiu ele mesmo ser Neo. na verdade, ele já andava de batina preta, e isso ajuda bastante, foi só preciso adicionar uns óculos escuros. E então ele fez um pôster de si mesmo, com todo o visual Matrix, para divulgar a sua igreja. E disse coisas como "sei que um celibatário sendo herói parece estranho em nossa cultura, mas vejam só: os cavaleiros Jedi eram celibatários".  O cartaz ficou ótimo, mas creio que os Jedi não eram celibatários...

2) A trilogia Matrix foi criada e dirigida pelos irmãos Wachowski. Um deles, o Larry, trocou de sexo. Agora ele é mulher e se chama Lana, ou Linda, ou Laurenca (depende a fonte). Clique aqui para ver a transformação.

fazer o quê?

Nunca fui muito propenso a ter crises de identidade digital, mas ultimamente eu tenho me perguntado "ei, pra que ter um blog afinal?" e outras coisas do tipo.
Por causa disso, nem falei aqui sobre a boa experiência que foi assistir ao Cão sem Dono (em especial a linda cena em que Tainá Müller canta desafinada), nem sobre a ótima peça que é (ou foi) Medéia, com a incrível atuação de Sandra Dani e sua memória fugidia, nem sobre as coisas que eu fiz e bláblá.
Mas resolvi falar que umas fotos minhas estão numa exposição lá no Shopping Total (a partir de segunda-feira, na verdade), junto com outras de outras pessoas, todas mostrando o Laçador, este símbolo do amor e da garra de Porto Alegre e do RS (tenho que fingir um pouco, nunca se sabe quem lê essa porra).  Vai haver uma votação popular para eleger uma das imagens e, obviamente, não vai ser a minha. Nem sei quantas fotos minhas entraram na mostra. Enviei três. Uma delas é essa aí. Se alguém puder passar lá e votar, talvez eu ganhe algum prêmio inútil.
Laçador

Dois fotógrafos

O primeiro é Bilal Hussein (sim, realmente é um nome engraçado). Ele fazia parte da equipe da AP que ganhou um prêmio Pulitzer por sua cobertura das coisas iraquianas. Pois ele foi preso há mais e um ano no Iraque por tropas norte-americanas, que o mantém inacessível em uma prisão, sem acusações formais. Há um abaixo-assinado (achei que só brasileiros é que gostavam de fazer isso) pedindo providências. Entre aqui e assine, clicando lá onde diz “act now”.

O outro se chamava Kevin Carter. Em 1993 ele tirou uma foto bastante impressionante, de uma criança africana daquelas raquíticas sendo observada por um urubu (clica aqui se quiser ver),

Ele era um fotógrafo conceituado, pois tinha feito parte do Bang-Bang Club, que documentou os conflitos do apertheid na África do Sul. Mas essa foto da criança ele fez no Sudão, quando foi documentar massacres e genocídios. Foi publicada pelo New York Times e ganhou um prêmio Pulitzer.

E a partir de então ele se viu envoltos em perguntas e críticas: “o que você fez para ajudar a criança? Bateu sua fotinha, ganhou seu prêminho, mas deixou a menina sendo devorada por aves terríveis?”.

Ele próprio passou a ficar atormentado com isso, e se criticava também:

- "É a foto mais importante da minha carreira mas não estou orgulhoso dela, não quero nem vê-la. Odeio-a. Ainda estou arrependido de não ter ajudado a menina..."

Pouco tempo depois, aos 33 anos, ele se suicidou, inalando o gás carbônico de seu carro.

Em 1996, a banda Maniac Street Preachers lançou uma música com o nome do fotógrafo. Obviamente, só porque ele se matou tragicamente e isso dá audiência (até por isso estou eu a falar dele). Se ele tivesse ajudado a criança ao invés de fotografar, ninguém teria dado bola.

hurdy gurdy gurdy he sang

Quando iniciou Zodíaco, a primeira coisa que eu pensei foi: conheço esta música. Estava tocando Easy to be hard, uma das mais bonitas composições do musical Hair (que no cinema está em uma das melhores cenas desse gênero de filme: a mulher negra, linda, cantando, triste, depois de ser abandonada). Esta canção e aquela plano da janela do carro que vaga pelo bairro suburbano me fez ter uma ótima primeira impressão do filme que iniciava.

Zodíaco é repleto de músicas da época. David Fincher pouco usa música original (parte da música incidental é, inclusive, retirada de Todos os homens do presidente e de A conversação), e, com grande felicidade, pontua o filme todo com canções marcantes durante as três décadas que perpassam a película.

Pois depois de todas as músicas, quando acaba-se tudo, toca Hurdy Gurdy Man.

Há algumas músicas que, mesmo sendo executadas apenas nos créditos finais, quando as pessoas já estão se levantando e ligando o celular, marcam de alguma forma (vide My heart will go on). Poderia citar vários exemplos bem sucedidos, mas ficarei no mais atual, que é Tom Yorke cantando Analyse ao final de O Grande truque, que fecha o filme dentro de sua própria atmosfera, o que é muito louvável.

Isso também acontece quando acaba Zodíaco. Não haveria nada melhor para tocar ali do que Hurdy Gurdy Man. A letra é simples, curtinha, falando de um homem que de repente aparece cantando canções de amor, apesar de o mundo não estar lá essas coisas. A melodia, sim, que é a gema do ovo: belíssima, triste, profunda (sim, às vezes uma melodia é mais profunda que a letra, você sabe), e a bateria grandiloqüente arrepiando. O filme ganha muito ao acabar com essa canção. Foi com ela que a sensação sinistra que eu disse ter sentido se solidificou e para sempre estará presente.

(acho que dá para escutar um trecho aqui. não sei ao certo, pois não testei)


de lupa na mão

O que acontece é que Cameron Diaz não sabia que sua bolsinha comprada na China podia ser ofensiva ao povo peruano, e usou-a sem pejo em Machu Picchu.

E eu também não sabia o que aquelas pessoas faziam com lupas olhando as gravuras de Goya, no Margs. Pensei que deveriam ser, aquele casal, estudantes de arte obcecados pelo artista espanhol. Então, logo ao lado percebi uma senhora fazendo o mesmo gesto: chegando-se perto da tela, com sua lupa, e olhando em grande escala os detalhes da obra. Pensei que deveria ser a mãe do casal, a tia, talvez a professora, tão fanática quanto os outros pelas minúcias das artes plásticas.

Foi então que, aproximando-me de um grupo maior de pessoas, percebi que todas estavam com lupas e quis a minha também. Forneciam logo na entrada e eu não percebera. Passei a examinar eu próprio as gravuras com a lente de aumento. Ótima idéia.

Mas antes eu havia saído de casa todo encolhido para poder resolver minhas fotos sobreexpostas na Parada do Orgulho Gay. Mas eis que não havia parada, mas - como disseram lá em discurso - uma mini-parada. Ou, como eu definiria, uma quase-mini-parada. Na verdade, não havia nada, apenas um carro de som com alguém dublando terrivelmente uma música da qual não sabia a letra. E bandeiras do PSTU e do PSOL por todos os lados.

Há razões para isso. Porto Alegre deve ser uma das poucas cidades onde há mais de uma parada gay. Os movimentos de luta racharam-se e dividiram-se e não se falam mais. Cada qual com seus aliados fazem uma parada em separado. Só que desta vez a prefeitura não deu permissão para realizar-se esta parada, organizada pelo grupo Desobedeça, e nada ocorreu. Tal grupo, como é sabido, tem extensões nos supracitados partidos e talvez por isso o prefeito não quis saber deles na Redenção.

Agora, não pude tirar minhas fotos; a outra parada é só em outubro e eu não pensei em fazer isso no carnaval. A exposição que eu gostaria de planejar foi ralo abaixo.