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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

Era peruca

Daí, fim de semana passado eu fui assistir “Variações sobre a Morte de Trotsky”, na Usina do Gasômetro. É bem interessante a idéia da peça, tem um texto bacana (de David Ives), é engraçada, com atores esforçados e dura só 40 minutos. Vá lá ver, é na sala 309, sábados e domingos às 19h, de graça. Na saída eles pedem uma contribuição espontânea dos espectadores, afinal “a gente vive disso”. É bom avisar, porque senão o constrangimento estabelece-se. Mas você pode satisfazer seu espírito generoso com dois ou três reais, que tá ótimo.

Daí, quarta-feira fui assistir ao último filme do David Fincher, Zodíaco. A história – verdadeira – é bastante impressionante. O filme é longuíssimo, em certo momento peca pela incomunicabilidade com o público (pelo menos com o público brasileiro, que não se lembra mais onde foi que leu os nomes das pessoas que passaram pela tela durante as duas horas anteriores), mas não é nada menos que ótimo, principalmente por não tratar do assassino em si, mas das pessoas que foram afetadas por ele e daqueles que tentam obssessivamente descobrir quem ele é, sem grandes sucessos.

No final, saí do cinema assim, como dizer?, não triste, mas absorto numa atmosfera sinistra, não exatamente por causa dos assassinatos (que são poucos e no início), mas por causa da sensação de impossibilidade de resolver as coisas como deveriam ser resolvidas. Não há um momento de resolução; o suspense, o mistério, o medo gerado pelo criminoso não se desfazem e te acompanham.

A propósito, quem souber o nome da música que toca durante os créditos finais do filme, por favor me diga.

Um dos detetives que se esfalfam na investigação é intrepretado por Anthony Edwards. Ele era aquele médico careca, de óculos, que protagonizava a série ER, lembra? Pois no filme colocaram uns cabelos nele, parece outra pessoa, fiquei o tempo todo pensando “da onde eu conheço esse cara?” e só depois a ficha caiu.

com a cara no bolso

Às vezes eu encontro boas idéias por aí.  Às vezes nem é tão boa, mas me dá aquela pequena sensação "oh, por que eu não pensei nisso antes?".  Pois tive este reflexo de inveja quando conheci o site Face your Pockets. O princípio é o seguinte: coloque o que você tem nos seus bolsos ou na sua bolsa sobre um scanner, junte seu rosto e escaneie. Não é genial?

A Paula é boa, a Taís é má

Gilberto Braga em entrevistas gosta de dizer que um autor se realiza mesmo é nos 15 primeiros dias de cada novela, que seriam os melhores. É quando ele tem maior liberdade para escrever e a produção é mais acurada, já que o negócio não está no ar ainda e tudo vai com calma. Depois desses 15 dias, segundo ele, a novela entra em ritmo industrial e acaba tendo que se enquadrar em padrões e modelos, para ser possível continuar durante oito meses.

Contrariando o digníssimo autor, suas duas últimas novelas não foram bem logo de início. Principalmente por serem chatas. Celebridade, de 2003, era chatíssma durante os primeiros 15 ou 20 capítulos. Mas depois entrou nos eixos e acabou sendo uma boa novela. Agora, Paraíso Tropical estava no mesmo caminho. Foi bombardeada por todos os lados com matérias falando sobre sua baixa audiência (34 ou 35 pontos de média, creio), principalmente por ser chata, de uma chatice cheia de crueldade e mocinhos murchos.

Mas, depois dos tais 15 dias ela começou a melhorar. E melhorou muito. Não digo isso porque a audiência aumentou, mas porque a novela tem um ritmo dinâmico, com bom texto, algumas grandes interpretações e personagens fortes (inclusive a Veja disse que a novela se reergueu não por causa da sua história, mas por causa da força de seus personagens).

As coisas se harmonizaram de tal forma que há pelo menos uma semana temos um capítulo ótimo todos os dias. O de ontem então, foi realmente interessantíssimo, e com uma tal junção de situações e emoções que no fim eu estava chocado por ter achado (quase) tudo tão bom.

Tenho que continuar evitando ler as manchetes nas bancas de revistas. Saber o que vai acontecer tira todo o entusiasmo.

Pouco justus

Em quatro temporadas, só uma vez eu havia assistido ao Aprendiz. E não havia gostado, claro. Aquelas pessoas tão publicitárias, tão administradoras, tão pró-ativas, tão empreendedoras, tão leitoras de Quem mexeu no meu queijo?, não me dão o mínimo tesão.

Contudo, ontem estava eu a assistir Vidas Opostas e iniciou o programa. E aquilo vai muito rápido e de repente eu estava por dentro do que ia acontecer e achei interessante. Foi assim: os três últimos participantes foram levados para Santos, disfarçados e com câmeras escondidas. Cada um deles em separado deveria juntar o máximo de dinheiro possível em dois dias. E para isso eles não tinham nada, a não ser o corpinho.

Infelizmente, nenhum teve a idéia de se prostituir, mas foram oferecer serviços e pedir empregos em lugares vários. Era época de dia dos namorados e dois deles acabaram fazendo entregas para floriculturas e arrecadaram uma graninha.

Mas a vencedora foi a candidata que teve a idéia de vender doces. Simplesmente ela pediu uma caixa de doces numa loja, daqueles que meninos sujinhos vendem em sinais de trânsito. Como não tinha como pagar, deixou a carteira de identidade como garantia de que iria voltar. E ela vendeu tudo, arrecadou 30 reais, foi na loja, pagou e pegou outras caixas e nos dois dias conseguiu mais de duzentos reais.

Isso me lembrou da minha primeira semana na faculdade. O trote. Nossa turma toda pintada foi levada a um cruzamento na Avenida Ipiranga para pedir dinheiro aos motoristas. Coisa completamente besta e inútil, mas eu participei com algum gosto. Até que me revoltei e fui embora. Motivo: os motoristas davam dinheiro para a gente, recém chegados a uma universidade, visivelmente de classe média, quase todos brancos, mas ignoravam o menino negro que pedia trocados (ou vendia balas de goma), ali na mesma rua. Eu não precisava de modo algum daqueles 10 ou 15 reais que eu consegui. Ele provavelmente dependia daquilo para comer. E ninguém abria o vidro do carro quando ele chegava perto.

Bom, mas Roberto Justus acabou eliminando a candidata sobre a qual falaram bem o programa todo, e passou para a final aquele que ficou em último lugar na prova. Detestei. Não verei outras vezes.

No restaurante

Dois senhores. Um vestido com a camisa do Grêmio, aos berros conversando com outro, de voz baixa, sentado atrás de mim.

- Não sei se eu vou ao barbeiro hoje ou sexta.
- Não é bom cortar o cabelo depois de comer.
- É, eu sei. Mas eu já cortei uma vez. Só que eu não olhei no espelho.
- Dá uma tontura.
- É, a gente fica tonto. Mas eu não olhei.

Narciso na TV

Homem e mulher passando por uma equipe da TVE, que entrevista alguém em frente ao shopping:

 

- Olha lá, o Narciso!

- O Tarcísio? Onde?

- Não, Narciso. Foi lateral esquerdo.

- Ah, grande merda!

fazendo campanha

Não tenho tido vontade de escrever, só de ler. No entanto venho fazer uma referência ao site da ONG Oxfan, que é uma daquelas organizações que se empenham em tornar o mundo menos ruim. Ela tem a campanha "Make Trade Fair" (em português e espanhol ficou "Comércio com Justiça"). Eu não saberia explicar exatamente do que se trata, mas é uma coisa boa e coloquei meu nome e e-mail lá pra me sentir um cidadão responsável.
Seja como for, o que me chamou a atenção foram as fotos. Tem Chris Martin Soterrado em arroz, Michael Stipe numa enxurrada de leite, Gael Garcia Bernal entre algodões, Tom Yorke cheio de chocolate, Alanis Morissete se descontrolando no trigo,  Antônio Banderas levando milho na testa e várias outras pessoas que desconheço. É uma idéia interessante e criativa para se chamar a atenção para as injustiças envolvidas no comércio neste mundo porco-capitalista.






















"All around the world people are enjoying the finest coffee from Ethiopia while our coffee farmers can hardly earn a decent living. International trade can end poverty - but the rules have to be fair for everybody."  Haile Gebrselassie, atleta.

Sing me something good

Como proposto pela Maristela, escolhi algumas músicas para listar aqui. Não fiz várias classificações porque achei mais simples apenas duas colunas: músicas alegres e músicas tristes. Tenho extrema dificuldade para me ater a limites e fazer várias listas de 4 ou 5 itens ia ser uma coisa hedionda para mim.

As músicas estão acompanhadas de seus intérpretes e em ordem meramente alfabética. Fiz uma rápida pesquisa em meus CDs e em minha memória recente e resultou nisso aí:

 

Músicas para escutar quando se quer ficar animado:
Alma não tem cor – Karnak
Chayya Chayya – dos filmes Dil Se e O Plano Perfeito

Everyman Everywoman – Yoko Ono

Kátia Flávia – Fernanda Abreu
Maria Albertina - Humanos

Meds - Placebo

My friends – Silence 4
Our hearts will beat as one – David Fonseca

Salome – U2
Searchin my soul – Vonda Shepard

The 80’s – David Fonseca

The shoop shoop song – Betty Everett

Todos estão surdos – Roberto Carlos

Vamos comer Caetano – Adriana Calcanhotto

Veraneio vascaína – Capital Inicial

 

Músicas para escutar quando se quer ficar deprimido:

Bachelorette – Björk

Cold Water – Damien Rice

Cowboys – Portishead

E só – Arnaldo Antunes

Exit Music – Radiohead

Fake Plastic Trees – Radiohead

Jackie – Sinead O’connor

Mothers of Disappeared – U2

Northern Lad – Tori Amos

One – U2

Preciso me encontrar – Cartola

Smokey Joe – Tori Amos

Você – Maria Bethânia

Wise up – Aimee Mann

Zombie – The Cranberries

Pra mim, Lojas do Aldo

Comprei uma revista Vogue RG, de 2003, pra ver as fotos. É uma edição dedicada ao carnaval e há vários ensaios fotográficos sobre o tema. Realmente muito interessantes.

Mas lá no início, numa pequena matéria que não segue o tema central, soube da existência do fotojornalista Kyoichi Tsuzuki. Ele fez, a partir daquele ano, uma exposição chamada "Happy Victims".


A exposição se constituía em 30 fotografias de pessoas que dedicam grande parte da vida em acumular roupas, acessórios e objetos de uma determinada marca, pela qual elas mantém uma espécie de fetiche. É como você só comprar na Renner, porque tem o cartão de lá. Só que eles compram porque querem realmente ter uma roupa Anna Sui, ou Dries Van Notten, e não porque são mais baratas e pode-se parcelar em cinco vezes.

No entanto, não são pessoas ricas. São jovens de classe média. Então, para poder comprar as caríssimas roupas eles passam a morar em apartamentos minúsculos, e não fazem mais nada da vida a não ser trabalhar para juntar grana e comprar coisas da sua marca preferida. Só que, como lembra o fotógrafo, elas não têm nenhum lugar bonito para ir, porque não têm mais dinheiro.

As fotos retratam essas vítimas felizes em seus cubículos, com as roupas espalhadas em volta. Com freqüência as pessoas estão borradas ou fora de foco, mas todos os casacos, saias, vestidos, sapatos, enchem o quadro com todas as cores.

Tudo absurdo, não é? Sim, mas além das fotos eu gostei das coisas que o fotógrafo diz. Vamos ver:

“Os do contra poderiam dizer que é mera insanidade gastar todo o seu dinheiro em roupas, que seria melhor gastar em livros ou discos ou... Na realidade trata-se simplesmente de hierarquia de coleções.”

E mais:

“Imagine um cômodo muito pequeno, a pessoa não tem muito dinheiro mas gasta todo o que tem em livros, e enche sua casa com livros, você não diria que é estúpido, certo? Mas um apartamento minúsculo cheio de roupas Dolce e Gabbana parece muito idiota, não? Esse é um grande preconceito nosso – a pessoa que gasta tudo em livros parece melhor do que a que gasta tudo em Dolce e Gabbana. Há uma hierarquia: livros têm a posição mais alta, depois discos, e a moda fica com um dos últimos lugares. Mas é tudo a mesma coisa. É o modo como sua paixão se manifesta.”

Eu fiquei pensando e acho que ele tem razão. No fim, todo mundo morre e esquece todos os Moby Dick que leu na vida.

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