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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Golfinho em lata

Quando eu trabalhei na Sea Shepherd eu fiz algumas coisas interessantes, como o projeto gráfico do informativo Mar Aberto e infinitos textos sobre baleias. Aprendi coisas também, como estratégias de marketing para vender uma recém-lançada grife de roupas bem acima do preço de mercado para chamar a atenção das classes ricas (que poderiam contribuir com doações), assim como percebi o certo desrespeito que a ong mantinha por seus voluntários – que gastavam do seu parco bolso para poder trabalhar -, enquanto arrecadava substanciais quantias anualmente (desrespeito esse que o WWF, por exemplo, evita ao máximo, ao não aceitar trabalho voluntário, e o Greenpeace parece explorar sem cessar, ao colocar seus voluntários nas ruas pedindo dinheiro).

Falo da Sea Shepherd porque fui comprar atum. Entre coisas que eu soube em meus trabalhos na ong foi que no litoral brasileiro é feita muita pesca de arrastão. Esse tipo de pesca é maligna ao meio ambiente pois é realizada por uma rede amarrada entre dois barcos (ou por uma rede em forma de saco), que é arrastada durante quilômetros, da superfície até o fundo, levando tudo o que há pela frente: desde atunzinhos e camarões até tartarugas, golfinhos e – se bobear – inclusive sereias. Isso é proibido, pois arrasa com a vida marinha, mas a fiscalização do Ibama, sabe como é...

Uma das coisas que a Sea Shepherd faz (ou fazia, ou fez uma vez e guardou as fotos) é ir atrás desses barcos e marcá-los com tinta, para indicar ao Ibama quem eram. Durante os meses que eu estive lá eles nunca chegaram a fazer essas coisas porque estavam preocupados com a grande viagem à Antártida em busca de baleeiros japoneses para afundar, no grande e belicoso navio Farley Mowat, com o fundador da Ong e várias pessoas ricas, bonitas e boas de marketing (foi para lá meu superior direto na organização, que era bonito, rico e relações públicas) que não resultou em nada, a não ser, exatamente, marketing – inclusive um livrinho lançado pela Superinteressante.

selo dolphin safeBom, mas então, existe pesca de arrastão, e é feio. Por isso, empresas ditas com responsabilidade social e ecológica usam em seus produtos um selinho, indicando que não vendem nada que venha desse tipo de pesca predatória. É o selo “Dolphin Safe”, impresso em latas de atum e sardinhas Coqueiro e outras marcas.

Digo isso porque encontro freqüentemente no supermercado marcas de frutos do mar sem esse selo. O preço é menor, às vezes bem menor. Dá pra imaginar o porquê. É bem mais fácil pegar atum no arrastão, enquanto matam tudo o que está em volta. Mais do que economizar 50 ou 80 centavos, comprando dessas empresas você está dando de ombros para a destruição do meio marinho, como se não tivesse nada a ver com sua vida.

Numa lata de atum pode vir a alma de um golfinho (essa foi pesada, mas é bom fazer um drama às vezes). Cuidado, golfinhos parecem bonzinhos, mas seus fantasmas adoram vir puxar os pés de pessoas malvadas – com o focinho.

(OBS.: acabei falando um pouco mal da Sea Shepherd, mas admiro, teoricamente,o que eles fazem, por isso trabalhei durante um ano lá. Há ótimas pessoas na organização, obviamente.)