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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

bunda quadrada

Um dia desses talvez eu publique aqui duas fotos no estilo "antes e depois". Uma delas sendo a foto bruta, tirada da câmera digital, e a outra a foto pós-Photoshop. Quem não trabalha com Photoshop dificilmente tem uma idéia do que é trabalhar com Photoshop. Dá um trabalho do cacete, principalmente quando há dezenas de fotos de um só acontecimento para dar uma cara, um estilo, transformar aquilo tudo em algo com alguma personalidade.

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Num caso recente, houve a Farra de Teatro, que é um evento organizado pelo Depósito de Teatro com muitas coisas estranhas e significativas. Resumidamente, é tipo uma maratona teatral, em que as pessoas ficam durante quatro ou cinco horas intrepretando, ao som de músicas, de baixo de um sol tremendo, sem nunca parar.

Pois então eu tinha mais de 100 fotos brutas, das quais eu fiquei com 85 para editar mais dedicadamente. Dentre estas, 44 eu publico agora no meu site, após horas e horas e horas de trabalho - um horror. Fiz fotos em preto e branco bem constrastadas, e umas de cores saltitantes - mais para experimentar processos do que para juntá-las numa só personalidade.

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Dêem uma olhada lá. Ah, essas duas que agora publico aqui não estão no site. A primeira, porque eu não tenho autorização das pessoas para botar fotos delas nuas na internet (aqui eu botei porque daqui a uns dias ninguém mais vai ler esse post e eu não vou ser processado); a segunda porque o personagem já aparece em fotos demais (até pq eu fiz uma sequência ótima com ele girando sem parar até cair no chão).

© Fotos de Ederson Nunes

O laranja em si

Em época de carnaval, para estar por dentro das coisas, melhor do que asistir aos desfiles é assistir ao Sem censura. A Leda Nagle sempre leva lá carnavalescos, jurados, presidentes de escola e pessoas importantes para falar a respeito do que acontece. É muito interessante notar, então, que o carnaval é, em muitos aspectos, algo altamente profissional e intelectual, e me espanto sempre em saber de coisas que vão além do simples bate-coxa “sempre igual” da avenida.

Por exemplo, o caso do carnavalesco Paulo barros, que fez um desfile genial pra Viradouro. Dentro do mundo das escolas de samba, ele é, talvez, o único cara que inventa coisas novas e criativas, fazendo um carnaval “sem cara de carnaval”. Todo mundo achou impressionante, mas ele ficou em quinto lugar. Há várias questões morais, legais e sensacionais para isso ter acontecido. O fato é que apesar de ter ficado na quinta posição, o cara é o mais falado, foi tema de matéria no Jornal Nacional anteontem, e vai ser o mais lembrado daqui há anos. A escola campeã? Hummm... tinha um beija-flor na frente e um monte de plumas...

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Bom, teve a Preta Gil desfilando na Mangueira como rainha da bateria. E lá estava ela no Sem Censura dizendo que a aconselharam a passar laquê nas coxas pra não aparecer as celulites, mas ela não quis, porque as únicas pernas que ela têm são com celulite e é assim que ela gosta de mostrar, afinal ela não queria desfilar com “uma Hebe nas coxas”. E contou a história do convite pra desfilar e como eram escolhidas as madrinhas de bateria da Mangueira antes, e como foi complicado para ela, longe de ser uma modelo, sair onde saiu.

Acho interessante saber essas coisas, e dá pra perceber que em geral o mundo do carnaval, apesar de parecer tão próximo, é tão desconhecido quanto a escolha do Papa. Todo mundo sabe da hora H, mas do antes e do depois nada se conhece.

Já a transmissão dos desfiles serve, geralmente, para me divertir. Este ano não houve nada como a fantástica Ana Paula, mas pude ver, por exemplo, Luma de Oliveira totalmente esquizofrênica dizendo que sua meta para o ano que vem é ser presidente de alguma escola de samba. Também vi os bailarinos de Ana Botafogo desmaiando de exaustão, três minutos após ela dar uma entrevista toda alegre dizendo que exigiu deles a disciplina e a dedicação do balé clássico. Vi um repórter dizendo “terno lindo de morrer” e a Beth Carvalho tentando invadir um carro alegórico e ser expulsa.

Ah, claro, vi um pouco do carnaval de Canoas, numa transmissão da Ulbra TV em que o comentarista admirou-se: “o laranja em si que a bateria está vestindo dá um contraste muito bom”.

Desobnubilando Sons

Então estava eu em casa escutando umas músicas obscuras e tive vontade de compartilhá-las com outras pessoas. Escrever aqui no blog ou falar a respeito apenas não vale, porque da onde as pessoas iam tirar os discos para ouvir e conhecer? Daí, pensei cá com meus botões: “vou fazer um podcast!”.

 

Mais ou menos desse jeito nasceu a iniciativa de fazer de vez em quando o Desobnubilando Sons, um programinha falando sobre alguma banda ou artista assim, tão obnubilados no meio de tantos outros que pouco alcançam o público aqui pelo Brasil.

 

O primeiro fala sobre o Silence 4, uma banda genial de quatro portugueses, que durou menos de 10 anos, mas foi um grande fenômeno por lá, vendendo horrores e mobilizado hordas de fãs quase da noite pro dia. Tudo por causa das belíssimas músicas, dos belíssimos arranjos e das belíssimas vozes dos belos vocalistas. Eu tenho o primeiro CD deles há uns cinco anos e nunca me cansei de escutar. É um dos melhores discos que tenho, sem dúvida.

 

Quanto ao podcast em si, não é o melhor que poderia ser, pois foi muito estressante fazê-lo com minha placa de som esquizofrênica. Tive que parar de querer corrigi-lo, senão nunca ia conseguir colocar no ar. O próxima ficará melhor.

 

Escutem, então. Entrem aqui, que é a página do Desobnubilando Sons. Para escutar pode ser on line ou podem fazer download, no site indicado lá. Eu faria download, porque não confio muito nessas coisas em streaming.

 

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Little Children

Os últimos filmes que eu tinha visto eram, em ordem de bobagem: um detetive que sobe pelas paredes, um super-herói maia pintado de azul, um terrorista bonzinho com máscara de porcelana, um cara preso numa camisa de força dentro de uma gaveta de necrotério cuja mente vai para o futuro. </p>

Vi também uma menininha que encontra uma fada e a fada leva-a até um fauno e o fauno diz que ela é a princesa do subterrâneo. Isso tudo rodeado por muito sangue e carnes dilaceradas, durante a guerra civil espanhola. Uma besteira inominável, esse Labirinto do Fauno. Achei o roteiro muito ruim, com vários buracos lógicos e bem superficial. A intenção era deixar no ar a tal pergunta: "era realidade ou era imaginação?". O cara quis fazer uma coisa tipo Uma mente brilahnte, mas se esqueceu de ser criativo e inteligente. A história é pífia. Se é para fazer algo somente em cima de uma figuras sinistras e maquiagem sensacional (e é sensacional realmente), seria bom ele ter se inspirado em A Cela e botado uma atriz gostosona como protagonista.

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Bom, mas daí eu assisti, na pré-estréia, Pecados Íntimos. Não poderia ficar mais satisfeito com um filme. Além de um ótimo roteiro (que usa voz sobreposta para enriquecer, e não porque é pobre em sua estrutura, como faz o filme do fauno), a direção conseguiu me deixar feliz por eu ter ido ao cinema ver algo assim com personalidade e bom gosto. Além disso, os atores são ótimos - inclusive as crianças -, e a edição corta várias cenas antes do normal, deixando na tela apenas o que é preciso mesmo. Além do além disso, o cartaz é muito bonito, com sua foto horizontal. E o melhor: não tem mortes sangrentas nem sangue jorrando, não tem explosões de carros, não tem ninguém fazendo nada extra-humano nem criaturas de chifre falando espanhol. Ótimo.

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onde ele botou a varinha mágica?

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Queria deixar só uma foto bonita aqui, enquanto o feriadão passa e eu preparo a publicação do primeiro Desobnubilando Sons. Pois eis que encontro então as fotos do Daniel Radcliffe seminu para a divulgação de Equus, que ele encenará. Eis também que encontro declarações de pais britânicos indignados porque o ator aparece quase pelado nas fotos (na encenação, percebam, nem um “quase” haverá) , louco de amor por um cavalo. Leiam as bobagens que disseram:

- Nós, como pais, sentimos que Daniel não deveria aparecer nu. Nosso filho de nove anos o vê como um exemplo
- Estamos decepcionados e evitaremos de agora em diante levar nossos filhos a assistir seus futuros filmes

Eu só vi um Harry Potter na vida e não tenho nada a ver com esse carinha, - aliás, ele poderia explodir cinco vezes que eu não perceberia. Mas achei legal que ele subverta um pouco as coisas e, aos 17 anos e já muito famoso, vá fazer uma peça dessa complexidade, aparecendo pelado no palco, ao invés de ir fazer O Fantasma da Ópera ou lançar um disco de hip-hop.

Ou ele é muito inteligente e ousado, ou tem péssimos assessores.