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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Capricho dos deuses

Comecei a ler livros de adultos com os exemplares que minha avó tinha em casa. Quase todos tinham em suas capas uma estrela onde se lia “best seller”; eu não sabia o que significava, mas deveria ser algo bom. Alguns deles eram de Sidney Sheldon. Levado pela fama que seu nome veio a ter após uma minissérie ter sido exibida na Globo, baseada no seu livro O Outro Lado da Meia Noite, resolvi ler algo dele. Ok, talvez não tenha havido assim causa e conseqüência tão claras, mas foi mais ou menos assim que eu dediquei-me às primeiras páginas de O Reverso da Medalha. Era um livro imenso, de mais de 400 páginas daquele papel vagabundo, áspero e leve de edições bem baratas, com letras prateadas na capa. Li-o em três dias. O cara realmente sabia contra uma história com reviravoltas e tramas mirabolantes, cheias de traições, gente ambiciosa e muitos milhões de dólares envolvidos nos negócios todos.

 

Fui já com alguma expectativa ler Um Estranho no Espelho. Outro livro contando sobre alguém sem grana que se torna mi(ou bi)lionário. Dessa vez havia dois protagonistas, que se conhecem só depois de vários capítulos. Era um negócio muito bem bolado, com uma história que prendia, falando sobre um mequetrefe que se torna o maior comediante do país, e uma atriz pobre, que casa com ele (a cena em que ela, ainda adolescente, menstrua dentro da piscina do cara de quem ela gostava é antológica).

 

Li, pouco tempo depois, Um Capricho dos Deuses, sobre uma embaixadora americana em algum país estranho, que se depara com um plano terrível. Esse já não era tão bom, mas ainda era impossível não ficar lendo muitas páginas por dia.


 

Esse estilo do cara – também seguido por gente como Daniele Steel e Harold Robbins – de falar sobre mi(ou bi)lionários e seus problemas familiares e sexuais e toda a problemática envolvendo dinheiro, poder e fama, rendeu-lhe a venda de, assim, uns 250 milhões de livros, sendo o autor mais traduzido no mundo. E, inclusive, ele ganhou um Oscar, há muito tempo - antes de ser escritor de livros (algo que foi fazer só com mais de 50 anos) -, por um roteiro para um filme com Cary Grant.

 


Pois ele morreu ontem. Tinha quase 90 anos e era, obviamente, podre de rico. Seria um personagem interessante para um livro seu. Um dos bons, porque ele escreveu um livrinho juvenil chamado “Corrida pela Herança” que é uma verdadeira bosta.