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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Rio Grande

Fui ao correio e a atendente, vendo no meu RG que eu sou de Rio Grande, comentou: “ah, me disseram que lá tem muita gente de fora, por causa do porto, é uma cidade movimentada, não é?”. Não, não é. Nunca ouvi barbaridade maior na minha vida. Durante os 15 anos que morei lá, e os outros 11 que freqüentei e freqüento com regularidades diversas, o único forasteiro que eu conheci foi um uruguaio que meu pai mandava tomar no cu e ele não entendia. Ah, teve também minha professora de inglês, que tinha um sotaque estranhíssimo e eu jurava que ela era algo escocesa. Na verdade, soube depois, era carioca. Um carioca em Rio Grande é coisa raríssima.

A cidade é bastante fechada, mental e espiritualmente. As pessoas são tímidas, mesquinhas, fofoqueiras e ignorantes. Obviamente, não há nada de cosmopolitismo por lá.

Tá certo que eu estou generalizando totalmente, há pessoas decentes também – eu mesmo conheço algumas. Mas, no geral, a cidade é de uma mediocridade incrível.

Não é que eu não goste de minha terra e minha gente. É que sempre que eu vou lá parece que eu regredi décadas e estou ainda nos anos 80, com a mesma pasmaceira, a mesma inércia, os mesmos logradouros com nomes sinistros (como o Largo Dr. Pio e a Praça Didio Duá), o mesmo prefeito que só resolve as coisas que estão na superfície e cuja noção de cultura é organizar o espetáculo Ondas de Natal.

Mas o pior de tudo é a umidade. Sempre uma umidade assustadora.

Oscar Wilde bundão

Tá rolando por aí uma corrente, intimando as pessoas a escrever sobre livros que desistiram de ler. Ninguém me convidou para participar, mas vou dar minha opinião mesmo assim. Na verdade, acho que era para escrever sobre autores que desistimos de ler, contudo sou benevolente e não tenho nada contra ninguém (pelo menos não contra escritores):

1) Dom Quixote – tentei ler com 16 anos, foi impossível. No início do ano passado voltei a ele novamente. Venci 20 páginas e achei ótimo, mas requer um esforço vocabular e uma paciência comportamental que eu não tenho vontade de dar a um livro de 400 anos e 500 páginas, porque há mais coisas para eu ler e fazer por aí.

2) Taras Bulba – não dá. Sei que é um clássico (ou chega perto disso), sei que é russo, sei que tem nome legal, sei que fala de cossacos, mas não consigo sair do início.

3) De Profundis – insuportável. Oscar Wilde tem um texto magnífico, mas não é possível agüentar ele se fazendo de vítima durante páginas e páginas e páginas.