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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

Ih...

Pois, então, vou falar sobre um vexame publicável, já que foi-me solicitado. Escreverei sobre um episódio que me fez sentir o mais imbecil da Via Láctea. Inclusive já tinha citado isso aqui antes, meses atrás.

É que um dia estava eu numa lancheria da UFRGS e chegou uma mulher para mim, muito alegre, e me cumprimentou, esfuziante:

- Oi, Neco, tudo bem? Como está indo a faculdade?

Neco é meu apelido familiar, e nunca eu poderia esperar escutá-lo assim, em Porto Alegre, enquanto comprava uma esfiha de espinafre. Fiquei meio tonto, não reconheci a pessoa. Ela me parecia reconhecível, mas em meu cérebro eu não lembrei exatamente quem era e me confundi, porque ela tinha traços que se assemelhavam a uma prima da minha mãe, que eu não via há uns sete anos, no entanto era morena e mais baixa.

Então, tasquei:

- Oi. Hããã... Eu te conheço?

Terrível, terrível. Ela era a namorada do irmão da minha madrasta. Eu fiquei na casa dele (do pai dele, melhor dizendo) por uma semana, enquanto fazia vestibular, e ela ia lá todos os dias e sempre foi simpática – isso há uns sete meses antes dessa cena deplorável.

Mas, como o sangue de Cristo tem poder, só tornei a encontrá-la mais uma vez na vida, de passagem, na saída do cinema. Ou, pelo menos, essa foi a única vez que eu a reconheci.

mucosa roxa, peito cor de rola

Coisas acontecem e eu acabei ganhando dois ingressos para o show do Caetano Veloso. É a segunda vez que ganho coisas na Ipanema, que, além de ser uma rádio inteligente, agora voltou a ter Kátia Sumam no elenco.

O show será no Pepsi on Stage. Fui lá uma vez, no show do Placebo, e era um galpãozão. Agora foi reformado e adapta-se a vários tipos de confraternizações. Parece, pelo que vi num mapinha, que no show do Caetano vai haver três setores de cadeira e, lá atrás, a pista. Esta disposição é algo nunca antes visto e - imaginando que ganharei ingressos justamente para a parte mais afastada e sem assentos-, espero que pelo menos eu consiga ver alguma coisa. Mas não reclamarei, afinal cada lugar na pista custa 40 pila.

(o título é o verso de uma música do novo disco, que, aliás, é muito bom)

Rio Grande

Fui ao correio e a atendente, vendo no meu RG que eu sou de Rio Grande, comentou: “ah, me disseram que lá tem muita gente de fora, por causa do porto, é uma cidade movimentada, não é?”. Não, não é. Nunca ouvi barbaridade maior na minha vida. Durante os 15 anos que morei lá, e os outros 11 que freqüentei e freqüento com regularidades diversas, o único forasteiro que eu conheci foi um uruguaio que meu pai mandava tomar no cu e ele não entendia. Ah, teve também minha professora de inglês, que tinha um sotaque estranhíssimo e eu jurava que ela era algo escocesa. Na verdade, soube depois, era carioca. Um carioca em Rio Grande é coisa raríssima.

A cidade é bastante fechada, mental e espiritualmente. As pessoas são tímidas, mesquinhas, fofoqueiras e ignorantes. Obviamente, não há nada de cosmopolitismo por lá.

Tá certo que eu estou generalizando totalmente, há pessoas decentes também – eu mesmo conheço algumas. Mas, no geral, a cidade é de uma mediocridade incrível.

Não é que eu não goste de minha terra e minha gente. É que sempre que eu vou lá parece que eu regredi décadas e estou ainda nos anos 80, com a mesma pasmaceira, a mesma inércia, os mesmos logradouros com nomes sinistros (como o Largo Dr. Pio e a Praça Didio Duá), o mesmo prefeito que só resolve as coisas que estão na superfície e cuja noção de cultura é organizar o espetáculo Ondas de Natal.

Mas o pior de tudo é a umidade. Sempre uma umidade assustadora.

Oscar Wilde bundão

Tá rolando por aí uma corrente, intimando as pessoas a escrever sobre livros que desistiram de ler. Ninguém me convidou para participar, mas vou dar minha opinião mesmo assim. Na verdade, acho que era para escrever sobre autores que desistimos de ler, contudo sou benevolente e não tenho nada contra ninguém (pelo menos não contra escritores):

1) Dom Quixote – tentei ler com 16 anos, foi impossível. No início do ano passado voltei a ele novamente. Venci 20 páginas e achei ótimo, mas requer um esforço vocabular e uma paciência comportamental que eu não tenho vontade de dar a um livro de 400 anos e 500 páginas, porque há mais coisas para eu ler e fazer por aí.

2) Taras Bulba – não dá. Sei que é um clássico (ou chega perto disso), sei que é russo, sei que tem nome legal, sei que fala de cossacos, mas não consigo sair do início.

3) De Profundis – insuportável. Oscar Wilde tem um texto magnífico, mas não é possível agüentar ele se fazendo de vítima durante páginas e páginas e páginas.

Escalada

Eu tinha um texto enorme, dividido em duas partes, que eu publicaria aqui falando sobre Cidadão Brasileiro. Mas deixei para editar mais tarde e acabei me cansando demais e achando desnecessário. A novela acabou há quase uma semana já, e foi bastante boa. Principalmente por diferenciar-se das produções de atmosfera blasé que a Globo apresenta ultimamente. E por trazer grandes desempenhos de atrizes que eu nem pensava que seriam capazes de se destacar em alguma coisa na vida, como Paloma Duarte. Ela era a protagonista feminina, e estava excepcionalmente bem - além de muito bonita. </p>

Assim como ela, outras mulheres fizeram com que a novela tivesse graça o tempo todo: Lucélia Santos (e sua prosódia indescritível), Carla Regina (a melhor atriz off-Globo – belíssima, com suas camadas de maquiagem), Luiza Thomé (sem sensualismo barato), Françoise Fourton (que eu tinha esquecido que existia), Bárbara Bruno (a cara da irmã, Beth Goulart, só que com menos gengiva), e até Danni Carlos, que deu uma atmosfera toda diferente pra novela.

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Luiza Thomé, aliás, protagonizou a melhor cena dramática dos últimos tempos, quando sua filha, morta por militares na guerrilha do Araguaia, foi arrancada dos seus braços pelos assassinos, no meio da floresta. Sensacional. E ela, cuja personagem já beirava os 60 anos, foi torturada, andava sem maquiagem, cabelo em rabo de cavalo com aparência de sujo, olheiras, camisetinha de algodão. Se em algum prêmio de interpretação que tiver por aí (e existe pelo menos um que não é da Globo) a ganhadora for Glória Pires, pode acreditar que é marmelada.

A novela teve suas idiossincrasias. Por exemplo, os personagens desapareciam de uma hora para outra. Durante uma, duas, três semanas, certos personagens dominavam a novela com suas histórias que, de repente, se resolviam (ou não) e eles sumiam, voltando a aparecer um mês depois (incluindo aí os protagonistas). Isso pode ser encarado até como algo bom, mas às vezes eles não apareciam mais, como o pessoal que morava no interior, onde iniciou a novela, que foram esquecidos pelo autor, Lauro César Muniz. Talvez para isso tenha contribuído a certa polêmica que resultou da emissora do bispo estar mostrando um casamento entre um homem, uma mulher e outro homem (!), todos amando-se entre si na boa. De qualquer forma, não deveriam ter desaparecido.

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Mesmo assim, gostei do resultado final. Foi uma novela que conseguiu, indo de 1955 a 1978 (e daí pulando para 2006), estabelecer alguns temas que foram tratados com profundidade e maturidade, sempre bem dirigida, com uma bela cenografia e caracterização de personagens. O protagonista, Gabriel Braga Nunes, foi quase sempre excelente, inclusive engordando uns 10 quilos para - imagino - dar uma envelhecida perceptível na tela. É uma pena que a novela, apesar de alcançar em média 11 pontos de audiência, não tenha tido muita repercussão na mídia, já que as revistinhas preferem ficar dando manchetes que envolvem aquelas chatices que a Globo está passando.

E ainda por cima na Band

Hoje inicia Paixões Proibidas, a nova novela da Bandeirantes. Não creio que verei, pois há outras coisas para se ver, como a última semana de Cidadão Brasileiro (sobre a qual falarei em breve), mas acho ótimo que estejam aplicando-se em teledramaturgia de alguma qualidade.

Só queria deixar aqui um link para este texto. Entre outras coisas, ela diz: “Se às 19h as pessoas já estão seminuas na TV, como devem estar às 22h?”. É uma boa reflexão a se fazer.

Sílvio Santos espertinho

Assistindo ao Topa ou Não Topa, eu percebo como as pessoas são gananciosas e, por isso, acabam sendo burras. Já é a segunda vez em que eu vejo um participante recusar propostas de mais de 100 mil (este recusou 232 mil), porque tinha a possível chance de levar para casa mais que o dobro disso. Só que nada dá certo, e acabam levando só um real, ou menos. É a sanha por dinheiro (boa essa), o máximo possível, que faz com que eles não só não ganhem um milhão como, virtualmente, acabem perdendo 232 mil.

Daí fui me inscrever. Sim, eu com qualquer proposta de 50 mil fico feliz. Li o regulamento e percebi por que nunca passou na TV o programa em que um participante ganha o milhão de reais, como foi noticiado uma vez pela Veja. É que acontece assim: você se inscreve, eles lêem e dão uma nota para tua inscrição (pessoas com faculdade já ganham 8 de saída) e as pessoas de maior nota são chamadas para uma entrevista. Se as psicólogas ficarem excitadas com o que você diz, elas te põe pra dentro.

Só que, então, você vai gravar um “programa piloto”, ou seja, um programa só de mentirinha, em que você NÃO VAI GANHAR os prêmios da maleta, é só pra brincar com o Sílvio Santos. Alguns – e só alguns – desses faz-de-conta são escolhidos para ir ao ar. Indo ao ar, aí sim, você ganha o devido prêmio. Assim, não me espanta que o que ganhou um milhão não tenha sido escolhido. Esperto o Sílvio. Ninguém dá nada pra ele, ele não tem que dar um milhão pra qualquer malandro mesmo.

P.S.: noto agora que há mais uma dificuldade: caso seu programa vá ao ar, você só recebe o prêmio que ganhar nas maletas se alcançar no mínimo 90% do que estabeleceu como sua meta. Ou seja, se você estabelece que precisa ganhar 200 mil para abrir um salão de manicure em Botucatu, você só ganha algo se conseguir pelo menos 180 mil com as modelos sorridentes. Se aceitar uma oferta de 120 mil, por exemplo, não vai ganhar realmente nada.

Se a meta da mulher que ganhou 50 centavos ontem era mesmo os 300 mil que ela disse no início, então a oferta de 232 mil não chegava a 90% - e ela não ganharia NADA, apenas o cachê de participação. Por isso não me admira que as pessoas não aceitem as ofertas, já que são pouco perspicazes e estabelecem seu objetivo lá em cima.

David Bowie levando choque com bigode

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O que acontece é que o filme é muito bom. Fiquei um tempão pensando a respeito do final, achando às vezes absurdo, e, logo depois, cheio de lógica (uma lógica interna, mas mesmo assim lógica).

Perturbou-me um pouco (ou um muito) e fui procurar o livro para ler. Não existe ainda em português - embora o escritor seja um clássico na literatura inglesa talvez de ficção científica desde os anos 70 -, então procurei por ali, por aqui, e acabei fazendo download dele, em inglês.

Queria só dar uma voltinha nele com meus olhos para ver como é que era e poder escrever meu texto, mas acabei lendo duas, dez, quarenta, cento e cinqüenta páginas em três dias (tô na metade). É um bom livro, instigante, cheio de maquiavelismos para te conduzir na leitura. E é completamente diferente do filme.

Não digo isso como já disse “Peter Jackson distorceu As Duas Torres”. Não, eu digo isso como diria “Peter Jackson fez Frodo assassinar Gandalf!”. Ficou ótimo, pois assim nem quem leu o livro sabe o que vai acontecer no filme, nem vice-versa.

E tô louco pra ver um show de mágica. Falando nisso, vejam que coisa irritante esta mágica via internet que funciona...