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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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O tedioso da cadeira de rodas

Orlando Morais é um cantor cult. Entrou no palco com uma camiseta que é apropriada para quem pesa uns 8 quilos a menos que ele, cantou pior que concorrentes do Rei Majestade, errou a letra de sua própria música, chamou Vanessa da Mata de Wanessa Camargo e sorriu sem parar.

Com Vanessa da Mata, então, o infamemente intitulado Show das Décadas Ponto Frio começou de verdade (e muito atrasado), com suas músicas animadinhas. Daí ela chamou Toni Garrido e juntos cantaram “Negue”. Foi até muito decente, e eu nem vomitei enquanto ele cantava. Depois ele veio com uma bacana do Ronnie Von e duas do Cidade Negra, cada uma pior que a outra, mas pelo menos eu conseguia escutar direito o que ele dizia.

Já não se pode dizer o mesmo dos Paralamas do Sucesso. Herbert Vianna poderia se aposentar, sem dúvida. Depois de fazer uma chatíssima dupla com o Toni Garrido numa música do Tim Maia, cantou aquelas musiquinhas dispensáveis de sua banda e chamou Elba Ramalho. Porém, ele queria sabotá-la. Tentaram cantar juntos “Frevo Mulher”, do Zé Ramalho, entretanto a voz do cadeirante não se escutava, ele balbuciava umas coisas que só às vezes fazia sentido. Ela foi muito educada, baixando seu ritmo e entonação para tentar acompanhá-lo; mas, se não fosse toda zen, estaria com vontade de dar-lhe um chute nas rodas.

O show dela foi bastante bom, apesar de ter se aventurado a cantar “Alagados” ainda com os Paralamas, dançanto meio sem saber para onde nos acordes de rock. Depois fez um discurso bacana sobre música brasileira, cantou umas três músicas e chamou todos para, então, interpretarem “É Hoje o Dia” e “O QUE É, O QUE É?”. Orlando Morais, exibindo sua verve artística, ainda estava todo sorridente, levantando os braços, quase mostrando a barriguinha.