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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Travestis bovinos

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Geralmente eu sou contra desenhos animados, mas as cismas do destino levaram-me a ir na sessão de imprensa de O segredo dos animais .

O filme não mereceria que eu dissesse nada a respeito, porque é uma chupação de Rei Leão com Babe, piorado por gírias terríveis, publicidade espantosa e animação mequetrefe.

Mas eis que os personagens principais são bois. Só que, opa!, eles têm tetas! Sim, todos os bois carregam grandes úberes cor-de-rosa e eu achei algo deveras intrigante. Fui procurar alguma coisa a respeito e encontrei referências a "vacas machos". Pensei que poderia estar no caminho certo para saber sobre essa anomalia genética, mas, na realidade, vacas machos são bois, e BOIS NÂO TÊM TETAS.

Não sei que gracinha os desenhistas acharam em fazer isso, mas para um filme infantil é bastante ruim. As crianças vão pensar que bois têm tetas. Até eu pensei. E quando se aproximarem para pegar nas tetas do touro, vão pegar é em outra coisa...

O tedioso da cadeira de rodas

Orlando Morais é um cantor cult. Entrou no palco com uma camiseta que é apropriada para quem pesa uns 8 quilos a menos que ele, cantou pior que concorrentes do Rei Majestade, errou a letra de sua própria música, chamou Vanessa da Mata de Wanessa Camargo e sorriu sem parar.

Com Vanessa da Mata, então, o infamemente intitulado Show das Décadas Ponto Frio começou de verdade (e muito atrasado), com suas músicas animadinhas. Daí ela chamou Toni Garrido e juntos cantaram “Negue”. Foi até muito decente, e eu nem vomitei enquanto ele cantava. Depois ele veio com uma bacana do Ronnie Von e duas do Cidade Negra, cada uma pior que a outra, mas pelo menos eu conseguia escutar direito o que ele dizia.

Já não se pode dizer o mesmo dos Paralamas do Sucesso. Herbert Vianna poderia se aposentar, sem dúvida. Depois de fazer uma chatíssima dupla com o Toni Garrido numa música do Tim Maia, cantou aquelas musiquinhas dispensáveis de sua banda e chamou Elba Ramalho. Porém, ele queria sabotá-la. Tentaram cantar juntos “Frevo Mulher”, do Zé Ramalho, entretanto a voz do cadeirante não se escutava, ele balbuciava umas coisas que só às vezes fazia sentido. Ela foi muito educada, baixando seu ritmo e entonação para tentar acompanhá-lo; mas, se não fosse toda zen, estaria com vontade de dar-lhe um chute nas rodas.

O show dela foi bastante bom, apesar de ter se aventurado a cantar “Alagados” ainda com os Paralamas, dançanto meio sem saber para onde nos acordes de rock. Depois fez um discurso bacana sobre música brasileira, cantou umas três músicas e chamou todos para, então, interpretarem “É Hoje o Dia” e “O QUE É, O QUE É?”. Orlando Morais, exibindo sua verve artística, ainda estava todo sorridente, levantando os braços, quase mostrando a barriguinha.

Roseana usa saia

Daí eu vi que a Carta capital desta semana tem uma capa daquelas em que fala mal da Globo. Fiquei interessado, pois trata do PT, do PSDB, do dossiê, eleições e essas coisinhas assim vomitáveis. Ia quase comprar, queria ler e ver se eu voltava a achar que no PT é tudo azul e a Globo é a filial do inferno.

Acabei recebendo a matéria via internet, li e pensei “ta, mas e daí?”. É uma bobagem tamanha. Tem lá suas coisas importantes a dizer, mas é muito pior o que fala a respeito do procurador e dos jornais paulistas do que da Globo. Mas,claro, colocar o escudo da Globo com um tucano em cima vende muito mais exemplares.

Ficam dizendo, por exemplo, que o delegado vazou as fotos do dinheiro porque elas tinham que passar no Jornal nacional naquele mesmo dia. Ora, ele nem entregou as fotos pra alguém da TV Globo, aliás, a Globo não tem nada a ver com isso. Divulgou porque era pra divulgar; eu divulgaria. E não mostraria gravação nenhuma do delegado dizendo “divulguem mas não digam que fui eu”. Seria foder a fonte. Pior foram os jornais, que mentiram sobre a origem das fotos. Aí sim, é sacanagem.

Ou seja, tudo na mesma. E o Serra em cerimônia de entrega de ambulâncias de sanguessugas não significa nada, assim como ministros de Lula mancomunarem-se nas salas ao lado da dele também não significa nada. Todos vão para o céu depois, porque lutaram contra a ditadura.

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Explodindo a Fotoplan

Sempre foi difícil minha relação com os laboratórios fotográficos, porque eles faziam bizarrices com meus negativos.

Depois que eu comprei meu equipamento digital, no entanto, e aprendi coisas sobre calibração de monitores e perfis ICC, tudo caminhava para a maravilha. Mas há espíritos ruins que interferem na luz astral. E assim, cada vez que envio fotos para a ampliação é um verdadeiro suspense.

Sim, porque não pensem vocês que os laboratórios respeitam o arquivo enviado. Não, eles modificam tudo. Aliás, eles “corrigem” a foto. E esse “corrigir“ é algo mais ou menos assim: você tirou uma foto na rua, de noite. Há, portanto, grande quantidade de preto na imagem. Eles, então, apertam um botãozinho que, detectando mais baixas luzes do que altas luzes, fazem a “correção”. Isso significa, dependendo do caso, que ou colocam mais brilho, ou diminuem o contraste, ou modificam a densidade. Em termos práticos é assim: o que é preto vira cinza. Se a foto for colorida, a saturação da cor vai pra cucuia.

Outra coisa comum é a “correção” de cor. Por exemplo, você tirou um retrato de uma pessoa vestida de vermelho, perto de uma parede cor-de-rosa. Eles, então, apertam um botãozinho que, detectando excesso de cores avermelhadas, enfia verde na imagem. Que que acontece? A pessoa fica com a pele pálida e esverdeada - muitas vezes as sombras de seu rosto (barba, por exemplo) ganham assim um tom de alface apodrecida.

Daí, a gente às vezes tenta ser racional e pede, ao entregar os arquivos: “não mexam nas fotos”. Quando se busca, tranqüilamente se abre o envelope e quase se tem um infarto.

Aconteceu esta semana. Fui eu entregar risonhamente fotos do casamento do meu primo para ser impressas. Vinte cinco eram no total. Pedi: não façam correções. A guria anotou no papel: “não fazer correções”. Tudo certo. No outro dia busco e, para meu espanto, as pessoas pareciam bonecos de cera risonhos.

Fiquei muito, mas muito brabo. Não só “corrigiram” as fotos, como também estragaram, a ponto de a pele se transformar numa mancha cor-de-rosa, sem sombras nem meios-tons. Isso em mais ou menos 15 fotos (os noivos com as tias,com os primos, com as avós, com o vizinho...). Um verdadeiro horror. Até porque eu esperava fotos escuras, já que a tendência normal é que, ao ser impressas, as baixas luzes tornem-se mais escuras do que na tela.

Porém, ao ver ali, as pessoas, o bolo, o vestido, alguém apertou endoidecidamente o botão até ele gritar “ok, não agüento mais!”, e vomitou luz em tudo. Ficou uma merda, a pior impressão que eu já tinha visto.

Isso aconteceu na Fotoplan da Andradas. Lá as pessoas são geralmente bastante antipáticas. Fui reclamar, mostrei as fotos, eles insistiram que não, não tinham mexido em nada, mesmo que eu estivesse vendo a aniquilação. Disseram que não iam refazer. Eu dizendo que eles tinham que. Eles dizendo que não, levantando a voz. Eu dizendo que sim, levantando também. Ok, não quiseram imprimir de novo, saí puto de lá pronto para processar todo mundo.

Mas sou bonzinho e fui em outro laboratório, a href=http://www.printcolordigital.com.br/>Print Color

(que,aliás, tem um sistema muito bom de envio de fotos através do site). Lá, apesar de mexeram indevidamente nas fotos também, são simpáticos. Falei com o laboratorista, ele deu uma olhada nas fotos da Fotoplan e me mostrou, no código que fica impresso atrás de cada uma: “ó, isso aqui significa que eles mexeram na densidade”. Havia um “-5” lá. Ou seja, diminuíram em cinco pontos a densidade da foto, por isso ficou aquela porcaria total. Na hora, o cara imprimiu uma das fotos para mim, sem mexer em nada e eu voltei na Fotoplan. Mostrei a foto recém-impressa, falei da conclusão do laboratorista concorrente e eles não tinham mais como negar, apesar de sua ira fatal contra minha pessoa.

Depois de reaver as fotos re-impressas, pude perceber realmente que a diferença entre elas é total. Ficaram, sim, um pouco escuras. Isso significa que algumas talvez eu tenha que modificar e mandar imprimir de novo, mas isso é problema meu. Muito melhor perceber que se fez algo errado e corrigir (até porque isso vai ensinar a fazer certo nas próximas), do que ficar com um troço corrigido por alguém que achou que a foto não devia ser como estava.

Como não tenho mais as fotos que foram achincalhadas no laboratório, dou aqui outro exemplo. Esta é uma foto da minha mãe com a filha de uma sobrinha. À esquerda está a foto original, com tons frios como eu queria. À direita, a foto que foi impressa. Essa não ficou ruim, mas não é a foto que eu mandei imprimir. Eu queria uma foto fria, então deveriam fazer uma foto fria, não importa se o laboratorista achou bom ou não. E, pelo jeito, ele não acha que um retrato possa ter mais ciano do que vermelho.

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lá lá ri lá lá rá

Não sei o que foi mais divertido: Daniella Cicarelli fornicando na praia ou o debate. Talvez esse último, já que agora sim ficou bom esse negócio de eleição, todos são inimigos. Parece eleição em Pelotas. Lá, cada debate é uma briga generalizada. Um candidato fica falando mal da esposa do outro, um outro leva as contas de IPTU que a candidata de oposição não pagou, roubam fitas do comitê adversário, é uma sensação.

Lula é muito melhor na televisão do que o Alckmin, que fica mexendo a boca sem parar quando não está falando, parecendo nervoso, encurralado. O Lula parecia Belzebu em pessoa. Aliás, ao contrário, parecia pastor da Igreja Universal: eu estou certo e vou pro céu e todos os outros são hereges infiéis. Sua eloqüência, agressividade disfarçada e aparente extrema confiança não deixaram de me lembrar o Collor, principalmente quando defendia coisas bobas ou inconsistentes como se fossem A Verdade Infinita. Tenho que concordar que ele “ganhou” o debate.

E depois do fim, então? A coisa mais ridícula que eu poderia ver eu vi. Marta Suplicy dizendo que o “governador” tinha ido mal no debate. Mas ela não disse assim, “foi mal, nós fomos melhor”, como disse o Serra pouco antes. Ela disse um discursosinho de merda que ensaiou em casa, só que querendo parecer espontâneo e casual, tentando fuder a imagem do Alckmin, mas num tom completamente fora do tom, algo debochado e muito, mas muito falso, pior que a Sônia Braga na novela das oito. Me lembrou aquelas pessoas que, na sua formatura, lêem seus discursos de agradecimentos letra por letra, inclusive as interjeições (Oh! Já ia esquecendo meu irmão...), como se estivessem conversando naturalmente. Marta disse, super-exclamando, no fim de sua representação: “Ih, mas foi ruim, viu?!”, e deu uma risadinha. Eu podia ter dormido sem essa.

pinto com sal

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Eu, muito inocente, nem sabia do vídeo da Daniella Cicarelli com o namorado na praia. Mas acabei sabendo, vi e fiquei muito espantado. Onde foram parar os bons modos hoje em dia?

Quem quiser ficar de queixo caído com as imagens, dá uma olhada aqui. Além de tudo, é divertido.

P.S.: após eu publicar isso, o vídeo foi retirado do YouTube. Outras pessoas devem ter publicado lá também, tentando formas de burlar o site (o que eu vi, por exemlo, se chamava Mariazinha e não fazia nenhuma menção à Cicarelli na página), mas não estou a fim de pesquisar. De qualquer maneira, quem estiver procurando uma maneira de fazer sexo na praia, é bom dar uma olhada. Parece que funciona, se não tiver um paparazzo atrás de você. Mas recomendo que a água não esteja fria.

olhos castanhos são mais bonitos

Estou escutando Nancy Sinatra. Não sei nada sobre ela, mas acho que ela foi algo tipo a Vanusa dos Estados Unidos. Com uma diferença: ela ainda existe, enquanto a Vanusa, depois de largar a carreira e toda aquela história trágica com o marido, gravou uns discos nada a ver, umas músicas evangélicas, outras falando da beleza da natureza com versos tão inocentes como eu fazia aos 14 anos.

Nancy Sinatra sei lá, e não estou a fim de saber agora. Mas o disco que estou escutando, que, acho, deve ser sua volta aos estúdios depois de um longo tempo - e não tem título (ou o título é o nome dela, tanto faz)-, traz muitas boas músicas, e isso me causa alguma admiração, pois sei que ela tinha 64 anos quando o gravou, em 2004. Assim, invertendo a lógica da maioria dos artistas (brasileiros em especial), ela não ficou idiota nem fez música pra velhinhos ou tiazinhas tomando chá escutar. É um disco, digamos, pop-rock-blues, com músicas do Bono e do The Edge, do Morrissey e de sei lá mais quem, todas cantadas não só com criatividade mas também com uma interpretação marcante para cada uma delas, o que torna fácil gostar do disco já na primeira escutada.

Estou fazendo esta pequena-pseudo-quase-crítica porque não sei o que escrever. Minha vó morreu e eu não consegui escrever nada decente a respeito – e eu gostaria de fazer isso. Entretanto, tudo o que eu penso ou é bobo ou é frio demais. Vou me dedicar a isso mais tarde. Enquanto isso, escuto “Two Shots of Happy, One Shot of Sad”, a música dos caras do U2 que a filha do Frank gravou.

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