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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

Under pressure

De repente, o Sapo mudou. Agora dizem que tenho que migrar meu blog para uma nova plataforma, e que nada será perdido - exceto, é claro, todas as imagens e meu lay-out. Não sei o que faço agora, vai ser uma confusão, não estava preparado para isso, e tudo o que eu ia escrever aqui perdeu-se, porque não estou a fim de ter todo um trabalho para migrar um blog por aí.

Aliás, tenho 800 coisas para contar, mas ainda não consegui me concentrar direito nos assuntos. Se ainda tiver blog, nos próximos dias eu escrevo. Enquanto isso, me alucino trabalhando as fotos do casamento do meu primo no Photoshop, lendo Moby Dick e tentando não me arrepender de não ter explodido o palanque do PT no comício de segunda-feira.

Capítulo XLI

"Tudo o que mais enlouquece e que encerre algo de maligno; tudo o que arrebente os nervos e endureça o cérebro; todos os sutis demonismos da vida e do pensamento; todo o mal, para o doido Acab, personificava-se visivelmente e podia praticamente ser atingido em Moby Dick. Ele amontoava sobre a corcova da Cachalote Branca o total da raiva e do ódio sentidos pela humanidade desde os tempos de Adão; e então, como se seu peito fosse um morteiro, estourava nela a granada de seu coração ardente."

Herman Melville, Moby Dick

Iš tiesų dalyvavau visose, ir mūsų intelekto vedliams?

Tá, comprei dois ingressos. E, por causas mil, acabei ficando com um ingresso a mais. Pensei, então, em convidar outra pessoa para ir comigo. Só que estava difícil achar alguém que estivesse disponível e com vontade de sair à uma da manhã do teatro. Tentei vender as entradas, mas não deu certo meu plano. Acabei dando uma pra um ser humano que estava por lá e entrei.

othelo.jpg

O que eu sabia da peça não era muito: era OTHELO- e Shakespeare é sempre interessante, o diretor era Eimuntas Nekrosius - parece que um dos maiores do mundo, durava QUATRO HORAS e era em lituano. Levando em consideração que a Lituânia é perto da Rússia e fazia parte da União Soviética, pensei que o idioma poderia parecer com o russo. Como eu não sei nada de russo, isso não me adiantou minimamente.

De qualquer forma, havia legendas. E é algo estranho legendas no teatro, podes crer. Mas como acompanhar o desenrolar da história sem entender o que estão falando? A não ser que você saiba Othelo de cor, você vai querer saber em que parte do texto eles estão. Principalmente ao longo de horas escutando lituanos.

O lituano é uma língua quadradinha, daquelas que as pessoas parecem estar falando palavras feitas de cubos. No começo ficou engraçado, o som é estranho. Mas depois ficou sendo a língua mais apropriada para uma tragédia.

Eu nunca li a peça nem assisti nenhum filme além de um especial da Globo, que se passava numa escola de samba onde Desdêmona era a porta-bandeira. Sabia, portanto, que o Iago é um filha da puta que faz Othelo matar sua esposa (é, ela morre, mas essa é clássica há três séculos, não me queira mal por contar o fim).

Então, iniciou a peça e coisas inexplicáveis aconteciam. Com efeito, não dá para descrever o estilo do negócio. Talvez se eu disser que a primeira vez que Desdêmona aparece, ela carrega UMA PORTA BRANCA nas costas (uma porta, estou dizendo), com uma pequena cortina preta; ou se eu disser que durante quase todo o tempo do espetáculo, dois velhinhos ficam sacudindo, cada um, um galão de plástico com água dentro, no fundo do palco; ou se eu disser que os atores ficaram longos minutos como que representando a tripulação de um barco à deriva, com direito a pedidos de socorro a um suposto navio que passava ao longe, sem que isso, de forma alguma, tivesse a mínima relação com a história; talvez assim você compreenda um pouco o que se passou. (Por sorte achei fotos, senão achariam que eu dormi e sonhei com isso).

othelo1.jpg

De fato, era tudo completamente fora da compreensão. Eles conversavam - isso quando conversavam e não ficavam em silêncio olhando pelo furo de um vaso de barro ou arrastando bandejas de madeira -, conversavam sobre ciúme, traição, amor, mas faziam coisas completamente loucas que não tinham ligação com os diálogos.

O primeiro ato foi o mais maluco. E foi o melhor, sem dúvida. Toda a concepção visual e sonora era muito impactante, embora não fizesse sentido algum. O segundo ato, embora não tivesse mais sentido do que o anterior, foi mais comportado e, devo dizer, mais chato. Bem chato. Aí teve a hora que Othelo e Iago acenderam fogo em duas das bandejas de madeira e ficaram conversando enquanto empurravam-nas de lá pra cá. A cena durou longo tempo. A fumaça foi adensando-se. Tomou todo o teatro, e foi tirando um pouco da visibilidade dos atores, tudo tornou-se envolto na bruma e eu quase dormia. Cheguei a dar umas piscadas mais profundas. Até que alguém quebrou um prato. Em seguida, o pianista quebrou outro prato, e eu despertei completamente.

Sim, havia um pianista. Um cara que tocou umas músicas durante a peça e, no resto do tempo, ficou sentado na banqueta quase sempre, de cabeça baixa, usando casaca sem camisa. A trilha sonora, aliás, é linda. Boa parte dela tocada ao vivo pelo pianista e por um ator-trompetista.

O terceiro ato também foi bem monótono, mas igualmente delirante e isso foi, afinal, o que me segurou lá por quatro horas e vinte minutos. A morte da Desdêmona foi de arrepiar. O que se seguiu, porém, foi o mais cansativo (principalmente quando eu já implorava: por favor, acabem logo!). Othelo fica deprimido porque matou a esposa. Senta-se na cama. Fica olhando o corpo. Arrasta a cama. Há algo lá em baixo. Arrasta mais. São vasos de flores. Então ele pega um por um os seis vasos e enfileira-os perto da cabeça dela. Rega cada um deles. Joga água no chão em torno dela. Pega todos os vasos de novo e alinha-os entre as pernas dela. Nisso já se passaram mais de 10 minutos sem nenhuma palavra. E eu morrendo de fome, com minhas pernas endurecidas.

E eu sempre fico impressionado com a capacidade que os atores têm de dizer textos enormes em cena sem titubear. Em lituano, então, esse espanto dobra. O cara que fazia o Iago, por exemplo, às vezse falava como se narrasse uma partida de futebol (não é um metáfora), parado no palco, mexendo as mãos como um autista. Grande ator.

A cada intervalo (foram dois) uns 20% do público ia embora. Provavelmente pessoas acostumadas a ver Se meu ponto G falasse e coisas do tipo. Para elas, realmente, a peça estava sendo uma tortura. Já eu, cujo ponto G não fala, estava achando o máximo, embora achasse sinistro e sem sentido, além de bastante chato e cansativo. Mas não tem como explicar realmente a experiência de sair do teatro após ter visto a peça. Foi algo sensacional, que ficará marcado na vida de minhas retinas ainda não muito fatigadas. Vou me mudar pra Lituânia assim que possível.

othelo2.jpg

(a foto lá de cima é de Dimitri Matvejev. As outras são de Ines Arigoni. Divulgação do Porto Alegre em Cena)

Chatos

Juro que fiquei vendo o Bom Dia Rio Grande apenas para contar quantas vezes eles iam dizer a temperatura de Porto Alegre.</p>

Há algo de psicologicamente torto na cabeça de quem faz o telejornal: têm obscessão por previsão do tempo e clima em geral. Para se comprovar, basta lembrar que o futuro deputado Paulo Borges era o moço do tempo e era a principal atração do programa, tendo quase um talk show dentro do Bom Dia.

Eles também ficam mostrando, insistentemente, durante os 45 minutos de duração, ali no rodapé da tela, sem parar, as temperaturas das cidades gaúchas. A repórter congelada do tempo aparece pelo menos uma vez a cada bloco. E os apresentadores ficam fazendo comentários completamente desnecessários sobre o frio ou o calor ou a chuva ou a geada.

Então, contei quantas vezes disseram a temperatura de Porto Alegre ontem. Pois repetiram nove vezes. Sim! NOVE VEZES disseram que na capital dos gaúchos marcava quatro graus. Eu já estava a ponto de bater com a cabeça na parede - ainda mais quando decidiram ficar repetindo também a temperatura de Santa Cruz do Sul (cinco vezes) e de Pelotas (quatro).

Pelo menos metade das vezes foi acompanhada por um singelo conselho: "quem vai sair de casa precisa se agalhar bastante". Claro que tudo dito com uma voz amável, um olhar doce e um sorriso de primavera nos lábios.

cocorococó eu sou efeito dominó

Respondo o que me foi proposto pela Márcia. Como eu sou um dos meus assuntos preferidos, não tive muitos problemas para escrever. Não vou continuar a corrente, porque acho que todos já receberam essa incumbência. </p>

1 - meu sistema biológico funciona bem dormindo tarde e acordando tarde. na madrugada eu consigo estar mais esperto e acordar cedo nunca foi legal pra mim. no inverno, então, é um inferno.

2 - via Xuxa quando criança e não acho que ela seja um monstro que come cérebro de criancinha até hoje, apesar do excesso de publicidade nas coisas que ela faz.

3 - queimo a língua toda vez que tomo ou como algo quente. Talvez por isso prefira comida fria.

4 - não gosto de café. além de ser quente, não faz bem, não me dá barato e não tem um gosto agradável. Mas ok, eu até tomo às vezes, em casas de pessoas.

5- gosto de comprar pela internet, e já comprei desde selos japoneses até câmeras de 2.000 reais.

6 - já furtei em lojas de departamentos.

7 - não consigo dormir com os ouvidos descobertos.

8 - tenho um disco do Wando.

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