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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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We're always behind this metal and glass

Um dos melhores filmes dos últimos tempos: Crash. É sem adjetivos a maneira como o roteiro progride, cena a cena, para nos mostrar a realidade de racismo, intolerância, discriminação e xenofobia nos Estados Unidos. O texto é lindo,os personagens são concretos, profundos, reais e representam mais do que pessoas, mas todo um grupo de pessoas que vivem ou pensam daquela forma.

Um filme sem protagonistas, onde vários personagens vão se cruzando pela cidade, interagindo entre si, sempre com a tragédia rondando. É pior do que flashback de Lost: todo mundo é bonzinho mas também é ruinzinho, racista, preconceituoso e tem seu momento de aflição na história.

Interessante a complexidade da coisa: enquanto alguns são discriminados por ser negros, pobres, mexicanos, iranianos, chineses, eles próprios discriminam outros que são negros, pobres, mexicanos, iranianos, chineses.

É muito triste. Mas é muito bonito, porque nunca cai no óbvio (não mesmo - a cena mais óbvia que existe de repente se revela outra coisa e é absolutamente sensacional), nem busca emoções superficiais.

Paul Haggis é o nome do diretor e roteirista (que já havia escrito o trágico-demais Menina de Ouro) que, além de todos os elogios que merece pelo trabalho de escrever a história e dirigir com discrição, força e beleza, ainda conseguiu fazer com que Sandra Bullock não parecesse uma idiota, como em todos os filme que ela fez.

crash.jpg

O título do filme explica-se na primeira cena. Um personagem diz algo assim: em Los Angeles, ninguém toca você, estão todos atrás de vidro e metal; então, as pessoas sentem falta de contato humano, e, por isso, colidem umas nas outras, na rua, para sentir alguma coisa.