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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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We're always behind this metal and glass

Um dos melhores filmes dos últimos tempos: Crash. É sem adjetivos a maneira como o roteiro progride, cena a cena, para nos mostrar a realidade de racismo, intolerância, discriminação e xenofobia nos Estados Unidos. O texto é lindo,os personagens são concretos, profundos, reais e representam mais do que pessoas, mas todo um grupo de pessoas que vivem ou pensam daquela forma.

Um filme sem protagonistas, onde vários personagens vão se cruzando pela cidade, interagindo entre si, sempre com a tragédia rondando. É pior do que flashback de Lost: todo mundo é bonzinho mas também é ruinzinho, racista, preconceituoso e tem seu momento de aflição na história.

Interessante a complexidade da coisa: enquanto alguns são discriminados por ser negros, pobres, mexicanos, iranianos, chineses, eles próprios discriminam outros que são negros, pobres, mexicanos, iranianos, chineses.

É muito triste. Mas é muito bonito, porque nunca cai no óbvio (não mesmo - a cena mais óbvia que existe de repente se revela outra coisa e é absolutamente sensacional), nem busca emoções superficiais.

Paul Haggis é o nome do diretor e roteirista (que já havia escrito o trágico-demais Menina de Ouro) que, além de todos os elogios que merece pelo trabalho de escrever a história e dirigir com discrição, força e beleza, ainda conseguiu fazer com que Sandra Bullock não parecesse uma idiota, como em todos os filme que ela fez.

crash.jpg

O título do filme explica-se na primeira cena. Um personagem diz algo assim: em Los Angeles, ninguém toca você, estão todos atrás de vidro e metal; então, as pessoas sentem falta de contato humano, e, por isso, colidem umas nas outras, na rua, para sentir alguma coisa.

Quem vai fotografar o meu? – parte 2

Pois, imbuído deste meu novo possível talento, tinha que encontrar algum casamento para fotografar. De graça mesmo, já que nunca fiz isso – seria um teste, para poder ter algo no meu portfólio. Pois eis que meu primo se casa agora no próximo dia 16. Eu deixaria passar, já que é em Rio Grande (só de passagem gasto uma grana). Mas como não querer fotografar na Catedral de São Pedro, a mais antiga do Estado? Nada melhor para colocar no portfólio do que fotos em uma catedral (e essa não é lá essas coisas, mas é sempre interessante). </p>

Então, agora só tenho que conhecer o suficiente minha câmera nova para poder fazer as melhores fotos. Espero que a família ajude. Gente de Rio Grande é meio estranha em relação a fotos.

Mesmo assim, ainda estou aceitando fotografar outra cerimônia, como teste. Se alguém conhecer alguém aqui por Porto Alegre que esteja casando e queira um fotógrafo que nunca tirou foto de casamento – mas com certeza não vai fazer muita merda – escreva pra mim. Não cobrarei nada – mas se quiserem as fotos, têm que pagar pela impressão delas, obviamente.

Vou deixar aqui, então, alguns sites de fotógrafos que conheci e que fazem um belo trabalho. Infelizmente não consegui encontrar, depois que meu navegador apagou o link, o site de um fotógrafo que trabalha com filmes de alta sensibilidade, sem flash, imagens granuladas, cores e ângulos interessantes. Mas tem aqui o site da Camila Butcher (sim, é o Gilberto Gil se casando), do Fábio Laub, e do norte-americano Brian Dorsey, que é como o paradigma do fotojornalismo nupcial (para ver uma das galerias tem que escolher o casamento, ali à direita). Aqui também vai o site do Tristão, para poderem ver a diferença. Se eu disser que ele cobra QUASE 700 REAIS por 50 dessas fotos, vocês vão rir na minha cara. Eu não queria nem de graça.

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Quem vai fotografar o meu? – parte 1

Fotógrafo de casamento? Não, não! O horror na Terra, pensava eu. Quem fotografava casamentos e aniversários, para mim, era sempre aquele homem gordinho, meio careca, com uma câmera ultrapassada na mão, ou aquele outro, que usava uma bolsa de couro ridícula e tinha cara de cafajeste, comendo salgadinho e tomando cerveja no final da festa.

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Mas aí, estava eu bobeando na internet e comecei a ler textos sobre fotografia de casamento. Teorias. Especulações. Testemunhos. Informações técnicas. E fui cada vez gostando mais. Fui conhecendo o trabalho de alguns fotógrafos – que fazem a chamada “cobertura fotojornalística” - e minhas idéias modificaram-se. Fui querendo fazer aquilo. Na época meu equipamento não era exatamente apropriado para isso, então deixei de lado, pra não acabar fazendo bobagem. 

Daí agora comprei equipamento novo e fui novamente atrás de informações, sites, portfólios. E fiquei empolgadíssimo. Estou muito empolgado com isso. Sempre gostei mais de fotografar pessoas do que qualquer outra coisa (detesto exposição de paisagens de São José dos Ausentes ou bichinhos da Amazônia), e em casamento são exatamente as pessoas que são os alvos principais, quiçá únicos, da câmera.

Algumas coisas colaboraram para minha vontade de fazer isso: primeiro, o conhecimento dessa vertente fotojornalística. Ou seja, não ficar fotografando as pessoas posadinhas com os pais, com os padrinhos, com os irmãos (embora isso, porventura, tenha que ser feito também), mas ficar clicando as coisas conforme elas estão acontecendo, as pessoas fazendo as coisas, e não paradas sorrindo pra mim.

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Segundo, a existência de outras técnicas e maneiras para fotografar casamentos, que até agora eu nunca utilizei, nem tinha pensado a respeito. Além disso, há um mercado paralelo para esse tipo de fotografia que eu desconhecia (álbuns, encadernações, impressões, molduras, porta-retratos, dvds, slide-shows, coisas pra caramba). E eu gosto de conhecer o que não conheço.

Terceiro, influências da mídia. Depois de ver Quem somos nós e a novela das oito atual, ambos com fotógrafas tratadas como personagens completos interessantes (e não uma mera figurante sofrendo para tentar segurar a câmera - Viviane Pasmanter deve ter feito uns cursos por aí), parece que a profissão ganhou uma certa legitimidade para mim. Até porque as pessoas leigas puderam ver que há fotógrafos de festa bons, não só carinhas barrigudos fazendo bico porque não têm formação para outra coisa.

(a propósito, essas fotos aí em cima não são de uns fotógrafos aí que eu não sei o nome)

(continua amanhã...)

O réu não sou eu

E então, resolvi ir no Fórum Central. Precisava processar alguém. Fui processar. O Juizado Especial Cível (as pequenas causas, falando claramente) funciona numa sala no terceito andar. Não é grande, nem tem muitas cadeiras (três, talvez quatro). Cheguei e havia uma pequena fila. Um homem explicava à recepcionista (a moça que faz a triagem) algo sobre um cheque. Ele, pelo visto, estava demorando demais e duas mulheres logo antes de mim foram embora. Em seguida, o homem do cheque foi embora também, enviado que foi para outro órgão. Em seguida, fui atendido, selecionado pela moça muito simpática (louca para recarregar o celular) e me sentei numa das cadeiras, a esperar. Uns quinze minutos depois, fui parar na mesa de um dos atendentes, para contar a história.

Essa é a pior parte. É como na polícia: você conta o que aconteceu e a pessoa que escuta escreve lá o que ela acha que você contou. Mas foi tudo tranqüilo, bem eficiente, pessoas educadas, um ambiente agradável com os funcionários de bom humor, intereagindo sorridentes entre si, fazendo piadas sobre a multa de danos morais que a Tim vai ter que pagar para um deles.

Na saída, desci pela rampa. Não havia escada, mas uma rampa, impositiva, no meio do prédio. O Fórum, a propósito, fica numa ruazinha de uma quadra só, posso supor que construída bem recentemente porque, além de aparentar novidade, não consta em mapas da cidade. Essa rua, apesar de ser logo atás da Borges de Medeiros, parece uma vila suburbana: tudo compacto, com uma pracinha para as crianças, banca de revista, umas lancherias, construções de poucos andares, muitas pessoas andando de um prédio para o outro, com roupas coloridas, como num filme cuja direção de arte peca pela falta de sujeira e imperfeições.

Sentada na calçada, uma moradora de rua muito séria falava com alguém invisível: "Ah, o feijão! Feijão é muito perigoso. Ela botou o feijão loirinho na panela e depoiz fez um chá com as folhas de mamão". Um motoboy olhava assustadíssimo para ela.

Pelada e de galochas

"Alheio a tudo, um dos mendigos levanta ligeiro sua coberta e permite que, discretos, seus olhos ganhem a rua. Não quer que ninguém perceba que ele viu algo, ou mesmo que se moveu. E ele não viu nada – ao menos, não viu ou reparou que a bela moça de cabelos negros e crespos, seu corpo jovem e muito liso, esteve nua ao seu lado."

Alessandra Cestac tira fotos sem roupa pelas ruas de São Paulo. Achei interessante este texto. E há algumas fotos aqui.

Farrapos sem mapa

Com a reapresentação de A Casa das Sete Mulheres, pude rever a cena mais geograficamente ridícula de toda a história da Globo.

As mulheres, na iminência da guerra, mudam-se para a Estância da Barra, que ficava ali nas redondezas de Pelotas. Bento Gonçalves vai visitá-las e, em seguida, parte com seu exército para Rio Grande. No meio do caminho, ele pára em seu cavalo, aponta seríssimo para a direita e avisa: "o desfiladeiro é ali."

Ora, para haver um desfiladeiro em Rio Grande seria preciso pelo menos duas revoluções geológicas irreversíveis. Isso dá bem uma idéia do que a direção de Jayme Monjardim significa para a teledramaturgia (e, no caso da minissérie, resulta em muitas cenas gravadas em despenhadeiros e montanhas, ao pôr do sol, enquanto a mocinha fica pensando em seu amado, olhando-se meiga no espelho rodeado por velas e uma música zen toca). Com estranheza, percebo que ele não está tão abobado em Páginas da Vida. Pelo menos, conseguiu colocar tulipas e moinhos na Holanda mesmo, e a praia no Leblon. Talvez sua expulsão de América o tenha feito rever seus conceitos.

Time goes by so slowly

parada44.jpg


Ok, a vida é uma couve-flor: cresce por igual em todas as direções, e eu fui na última Parada Gay (não é esse o nome, mas assim é mais simples), organizada pelo grupo SOMOS, para fotografar. Naquela semana eu havia comprado um filme (fazia meses que eu não comprava um!) pra fazer umas fotos malucas. Nos discos de extras do Seven, há uma fotógrafa falando de seu processo para criar as fotografias que seriam usadas pelo personagem assassino em seu caderno de anotações. Ela fez coisas surtadas com as fotos, interferindo nos negativos, raspando, amassando, pisando em cima deles. Me deu vontade de fazer algo nesse estilo, comprei um filme ISO 100 e puxei pra 800.

Isso significa que o contraste aumentaria muito, as cores ficariam mais saturadas, as sombras tornariam-se bem mais densas do que o normal, o grãos deveriam aparecer e etc...

Daí me sobraram 14 fotogramas para a Parada, porque eu tirei umas fotos de madrugada na Rua da Praia, enlouquecendo embaixo dos postes. Então, ainda com o intuito de fazer coisas anormais, resolvi usar a sobreexposição. Tirei duas ou três fotos dentro de um mesmo fotograma, algo que eu nunca tinha usado com civilidade antes. O resultado não me desapontou. Foi possível tirar 10 imagens aproveitáveis daquelas 14 - uma boa média. Deu para perceber alguns erros que fiz em algumas fotos,que não deverão se repetir na próxima Parada, onde eu pretendo evoluir esta prática.

Aliás, dá um trabalho dos diabos, porque tem que pensar num fundo para a foto e depois pensar em algo que possa ficar de alguma forma bem em cima daquilo que foi fotografado antes. Assim, perde-se algo que está acontecendo que poderia ficar bem em outra ocasião, mas não naquela composição. Pelo menos essa é a teoria. Na prática as coisas se complicam, ainda mais quando está tocando Madonna pela décima oitava vez.

..

Andy Warhol fotografado por Richard Avedon

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Em 1968, Andy Warhol foi baleado diversas vezes por uma mulher alucinada. No ano seguinte, pousou para essa foto.

Andy grita: "Não! Não! Valerie! Não faça isso!". Ela atira uma segunda vez. Ele cai no chão e tenta se arrastar até a mesa. Ela atira uma terceira vez. A bala entra em seu flanco direito e atravessa-o, saindo pelo lado esquerdo de duas costas. (...)

Andy Warhol é dado como morto.Os médicos abrem seu peito e massageiam seu coração. Eles se espantam com o dano causado pela bala que atravessou seu pulmão, depois ricocheteou através do seu esôfago, bexiga, fígado, baço e intestinos antes de sair. Ele estava morto 1 minuto e meio antes de eles conseguirem revivê-lo. Eles o operam por quatro ou cinco horas, removendo seu baço. Ele está em condições críticas, mas sobrevive.

Por que os kamikazes usavam capacete?

E a Regina Duarte, hein? Rejuvenescem-na digitalmente na novela das oito e ninguém diz nada...

Tão usando o mesmo software que, na Sinhá Moça, usam para dar aspecto de cinema, para tirar rugas dela e iluminar sua pele. Quando me falaram, eu não acreditei. Mas pesquisei e é verdade. Foi feita uma máscara no tal programa, com as imperfeições corrigidas, que segue o rosto dela usando os olhos como guia. Algo assustador.

(Lembrando que a novela está em 2001 e, portanto, na segunda fase a personagem estará mais velha e, talvez, não usem esse recurso medonho.)

Sei lá, mil coisas

Ontem andava eu feliz pela Borges de Medeiros, passando pelas ambulantes que vendem cigarro, vales-transporte e coisas inimagináveis ali perto do Banco do Brasil, quando uma delas gritou: “CORRE, CÉLIA!”. As mulheres, em meio segundo, pegaram suas grandes bolsas pretas e saíram em disparada, seguidas, poucos metros depois, por dois policiais militares. Eles não conseguiram alcançá-las, mesmo depois de algumas ordens não obedecidas: “PÁRA! PÁRA!”. Ao atravessar a rua, os policiais tiveram que correr atrás de um homem que vendia CDs piratas e saiu fugido também. Mas ou porque estivesse muito frio, ou porque estavam com dor no pâncreas, ou porque era tudo uma encenação pra constar nos anais militares, os policiais não correram com empenho atrás de ninguém.

Daí, cheguei em casa e fiquei sabendo que o Jornal Nacional seria apresentado de São Miguel das Missões. Atrasei meu banho pra ver, e até assisti a novela das sete. Então, na reportagem de apresentação deste pedaço tão próspero de nosso país, houve uma tomada, apenas uns quatro ou cinco segundos, enquanto William Bonner dizia que aqui o clima é europeu: neva no inverno. E nessa imagem rápida, com duas mulheres jovens rindo e dizendo, “tá muito frio”, colocaram um efeito especial que imitava neve. Pois é, neve feita por computador, para ilustrar, fingindo ser de verdade.

E semana passada, uma equipe da emissora portuguesa RTP foi ao vale do Bekah, no Líbano, mostrar a grande quantidade de pessoas de lá que falam português. Daí o repórter chegava nas pessoas e perguntava se falavam nosso idioma (tudo previamente arranjado, mas era pra parecer espontâneo). Houve um diálogo de suma importância, com um senhor já ido em anos:

- O senhor fala português?
- Falo, falo sim.
- O senhor também lê em português?
- Leio.
- Lê jornais ou livros também?
- Leio jornais e livros também.

Além dessas coisas, soube que o vocalista da Comunidade Nin-Jitsu , Mano Changes, é candidato a deputado. Pensando bem, não é muito absurdo, pois até a Manuela, a vereadora cor-de-rosa, quer uma vaga na Assembléia Legislativa, menos de dois anos após assumir na câmara de Porto Alegre.

CORREÇÂO:A Manuela é, para maior espanto meu, candidata à uma vaga na Câmara Federal, e não na Assembléia. E ela tem 24 anos só e não exerceu seu mandato de vereadora por completo. No seu panfleto, que eu recebi uns dias atrás, ela diz coisas como elogios ao Lula porque ele "rompeu com o FMI". Que eu saiba pagar dívida não é romper com ninguém.