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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Safári

Certa vez eu ia no aniversário da Helen, mas faltou água na minha casa e eu não pude ir sem tomar banho. Então, esta semana eu fui. Sozinho eu não teria ido, porque sei me locomover em Canoas tanto quanto em Bagdá, mas a grande Mônica Wagner me deu carona e pude comparecer.

De presente, depois de andar muito, após duas horas e meia de Superman sem comer nada, comprei um bonsai. Achei muito sinistro comprar um bonsai. Ainda mais um bonsai de rosa. E um bonsai de rosa com dois anos. Pensei que ele fosse murchar assim que saísse no sol. Mas se comportou direitinho.

Então, antes de sair de casa para encontrar a Mônica, perdi o manual de instruções. Sim, é uma planta com manual, algo sem igual. Fiquei dez minutos procurando o negócio, até encontrá-lo, no lugar mais absurdo que eu poderia ter colocado após ler. Daí, peguei o ônibus errado, jurando que era o certo, e desci duas quadras longe da Zero Hora. Mas tudo bem, o dia estava agradável.

Então, fomos de carro. Sempre achei dificílimo ali a saída da cidade, com aqueles montes de viadutos, placas, becos, ruazinhas. Por sorte eu não dirijo, nem tenho que passar por lá nunca. Então, fomos. Mônica telefonou para Helen, a fim de saber instruções. Com a desenvoltura de quem conhece o caminho e acha tudo fácil , a aniversariante disse coisas envolvendo um luminoso de boas-vindas, um posto de gasolina e um viaduto. Completamente envoltos em nosso recém adquirido conhecimento da geografia da cidade, entramos no viaduto, após o luminoso, e fomos parar num posto de gasolina. Mas não era exatamente ali, e ficamos sem saber o que fazer num lugar quase completamente escuro (a iluminação pública por lá é triste).

Perguntamos que rua era aquela e um homem todo sujo de graxa nos disse com grande gosto: Edgar Fritz Müller. Não era essa a rua. Mônica ligou, falou com a mãe da Helen e recebeu instruções de ir mais adiante umas cinco quadras, entrar na rua Eduardo Neves (ou Lopes), que tem um posto na esquina. Fomos cinco quadras para lá, e nada... Perguntamos para um cara que vinha andando, mas – notem bem! - ele também estava perdido. Perguntamos para uma mulher com uma criança, e ela nos mandou para o bar da esquina, depois de achar que íamos seqüestrá-la. No bar, um carinha muito conhecedor do local, nos mandou mais além, passar o matagal, e entrar na rua do antigo açougue.

O matagal era bem grande, mas a rua do antigo açougue de três pisos também não era a certa. Perguntamos o nome para um menino jogando bola. Aquela era a Gutenberg. Mais adiante, perguntamos para um cara sentado no meio-fio. A fumaça de seu cigarro ilícito entrou pelo carro e nos tonteou. Ele não sabia e disse gracinhas.

Acabamos entrando em lugar errado e indo parar lá no outro lado da linha do trem. Mais um telefonema, informações desconexas. Outro posto de gasolina, supermercado Rissul, batalhão do exército, estação de trem. Demos voltas ao interior do bairro, e nada. Quem salvou-nos foi o frentista. Então, entramos no viaduto certo, passamos o semáforo certo e, enfim, encontramos a rua certa.

Fui tirar o bonsai da caixa, achando que todas as folhas já tinham caído, mas estava lá, firme e forte, até um pouco sorridente.

E no aniversário, comidas mil. Comi até canjica com amendoim, que eu nem conhecia, e é adorável. E pinhão, sensacional. E muita paçoca. E um bolo que comeria muito, se eu já não estivesse repleto de açúcar. Aliás, fui pra casa pensando que as bactérias estavam atacando meus dentes. Mas talvez o ótimo quentão tenha embebedado todas elas.