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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Not the Red Baron, not Charlie Brown

E aí, é assim o nome: Tori Amos. Talvez você nunca tenha ouvido falar. Talvez você tenha acabado de fazer alguma relação com Tony Ramos. Talvez, se eu não disser que é uma mulher, você não vá adivinhar. Eu não adivinhei. Conheci-a quando eu trocava cartas com um amigo, lá em 1999. Ele falou não-sei-o-quê, mas como morava em Taquara, só quis parecer culto, conhecia nada.

Meses depois, encontrei, na coleção de CDs de uma pessoa, Boys for Pele. Importado. Pesado. Tori Amos numa cadeira de balanço segurando uma espingarda. Em página interior, ela dava de mamar para um leitão. Encarte belíssimo. Fiquei curioso, pedi emprestado e foi um choque musical. Nunca, em minha vida interiorana de 19 anos, eu tinha escutado algo tão assim, diferente e maravilhoso. Eu escutava rádio, conhecia algumas coisas, mas nada nesse estilo para o qual não há nome específico.

Quando me perguntam: mas ela toca que tipo de música? Eu digo: é algo assim, tipo Björk. Não têm a ver uma com a outra, mas as duas não são facilmente colocáveis em prateleiras, então é um jeito de aproximar o que não está perto.

tori_amos1.jpg

O disco foi chocante para mim e até hoje é um dos melhores que já escutei. Muito, muito, muito piano, órgão, cravo, uns outros instrumentos e a voz dela, estupenda, muito aguda por vezes, muito macia outras horas, sensual, voluptuosa, charmosa, direta, transparente. E as letras, ah, as letras... Ali conheci o estilo que ela tem de cantar coisas que ninguém entende, mas que, algumas vezes, diz verdades lindíssimas. E mesmo quando a gente não entende nada, é lindo. Afinal, é música, não é bula de Cataflan.

Há aquelas explicações: "ela fez o álbum para reafirmar-se após a separação e por isso ela fala de blá-blá-blá...", "há 14 canções principais que remetem ao número de pedaços em que Osiris foi cortado e blá-blá-blá". Isso não interessa e é absurdo. Interessa é que escuta-se o disco e conhece-se o desconhecido. São 18 faixas, cada uma com sua identidade própria, todas mantendo uma coerência interna entre si, o que faz do disco quase um livro de histórias.

O álbum foi lançado em 1996. Antes, em 1991, ela já havia lançado Little Earthquakes, que também é genial, embora mais quadradinho. Traz músicas para se guardar no ventrículo esquerdo, como China, Winter (all the white horses are still in bed) e Silent all These Years. Em 1994 saiu Under the Pink, um trabalho menos certinho, o preâmbulo perfeito para o que viria. Ali, temos músicas que impressionam, como Bells for Her, The waitress (I want to kill this waitress) e Cloud on my Tongue.

No Boys for Pele há canções que não me saíram dos mais recônditos neurônios, mesmo ficando anos sem escutá-las. Não falarei nada sobre, vou colocar uns trechos aí. Escolhi aquelas que representam melhor o disco e cujos trechos soam bem assim isolados. Cada música tem altos e baixos, vai e vem, acende e apaga; o que temos aqui é só um pedaço, atentem bem.

Hey, Jupiter (Hey jupiter, nothings been the same)

Mr. Zebra (Ratatouille strychnine, sometimes she's a friend of mine)

Father Lucifer (You always did prefer the drizzle to the rain)

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