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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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The extraordinary men

Com 12, talvez 13 anos, decidi comprar uma revista dos X-Men. Até ali, em matéria de quadrinhos, eu só lia amenidades. Na primeira história, Ororo Munroe tinha crises de consciência e se isolava numa montanha para pensar no passado. No céu, uma águia matava um pássaro. Bonito texto - pelo menos para quem lia Pato Donald até então.</p>

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Aí, fui lendo, fui conhecendo os personagens, fui sabendo da mitologia e gostando. Principalmente pelas características muito humanas dos X: eles têm graves crises, eles têm dúvidas o tempo todo, são tristes, mudam de lado quando acham que devem, e matam. Sim, não são que nem bobocas como o Homem Aranha, que dão a mão pro vilão quando este está caindo do prédio e então o vilão usa sua arma secreta e foge. Os X-Men gostam de aniquilar uns de vez em quando.

Mas o que sempre me chamou a atenção foi a questão profunda que se encontra por trás de tudo: a discriminação. Eles não são estritamente humanos, eles são mutantes. Eles têm o cromossomo X, que lhes dá características especiais. E, como dizem no início do segundo filme, o homem não é conhecido pelo desejo de compartilhar o mundo. São diferentes? Que se fodam! E, assim, ao longo das décadas, os X-Men foram enfrentando a tentativa de governos e da sociedade de segregá-los, prendê-los, matá-los ou curá-los.

Há o grupo mutante que acha que eles são superiores e que, por isso, se os humanos não querem cooperar, então têm que ser escravizados. Magneto é meu ídolo. Há o grupo que acha que não são nem melhores nem piores, apenas diferentes, e que, por isso, têm que tentar sempre viver em harmonia com a humanidade. Prof. Xavier acha que é Gandhi. Só que ele se fode, porque os humanos, em geral, desprezam os mutantes, assim como desprezam outras minorias. E daí há a questão: devemos ajudar quem nos despreza? Devemos proteger quem teme nossa existência? Devemos tentar o convívio com quem acha que somos anomalias, bandidos, assassinos, doentes?

Isso permeia quase todas as histórias. O segundo filme, lançado em 2003, trata muito disso. Embaixo da crosta de raios e explosões, é um filme bastante triste, sobre auto-aceitação e sobre o preconceito. Se minha família, meus amigos, meus colegas, minha cidade me despreza porque eu sou diferente, devo continuar sendo um bom garoto, ou devo arquitetar um plano para destruir todo mundo? Devo sentir pena de sua ignorância, ou odiá-los? Muitos paralelos podem ser traçados com a realidade, como percebe-se.

Em uma das cenas, Noturno pergunta para Mística, que é transmorfa - ou seja, pode adquirir a aparência de quem ela quiser: </font>- Por que você não se disfarça de humana e vive uma vida normal? E ela, muito politizada, responde: </font>- Porque eu não deveria ter que fazer isso.

Aí, agora, tem o terceiro filme. O que eu tinha para dizer a respeito, disse aqui. E percebam que há uma cena após os créditos finais. Eu não vi, mas há.

Fome zero

Por incrível que pareça é quase desconhecido aqui pelo Brasil o fotógrafo moçambicano (é assim que se diz?) Afonso Toledo. Ele tem ótimos retratos de africanos em seus melhores momentos - ninguém passando fome na fotos já é um modo de se destacar. Qualquer dia boto umas imagens dele aqui, agora não tenho nenhuma por perto...