Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

O nome do bicho não é o bicho

Não sei exatamente a razão, mas as pessoas nunca me chamaram de Eder. Acho que não tenho cara de. Algumas até tentaram, mas vendo que não combinava bem, desistiram.

Em família, me chamam de Neco. Cresci sendo Maneco, em homenagem a um boneco idiota que na época em que nasci fazia xixi num peniquinho. Outras crianças me chateavam por causa disso. Depois, com a intimidade dos anos, diminuiu-se apenas para Neco. Do diminutivo Nequinho, nada usado, surgiu também Quinho, que meu pai usava muito, e Quinfus, que ele usa talvez até hoje. Quem na família não participa muito de minha vida ainda me chama do antigo Maneco e eu acho estranhíssimo. Pareço mais velho sendo chamado assim.

Lá pelos quatro ou cinco anos de idade, lembro de chutar a canela de uma tia porque ela teimava em me chamar de Ederson. Naquelas priscas eras, Ederson era bastante ofensivo. Eu não era Ederson. Que nome horroroso! Só fui me acostumar a ser alguém chamado assim quando entrei para a escola. Desde então, ninguém me conhecia mais como Neco e passei a aceitar, com dificuldades iniciais, meu nome oficial. Mesmo que ainda chupasse bico, eu era o Ederson.

Quando fora do ambiente familiar sou chamado de Neco, fico desconcertado. Certa vez, a namorada do irmão da minha madrasta encontrou-me no bar da faculdade. Eu reconheci seu rosto, mas quando me perguntou “Como vai, Neco?”, meu cérebro embaralhou-se, eu sorri e perguntei terrivelmente: “Eu te conheço?”.

Meu irmão e meu primo estão crescendo, e tenho que dizer-lhes que Neco é só meu apelido, que meu nome mesmo é Ederson. Muito chato isso. Eles não entendem direito o que é apelido, e acham Ederson um nome, como eu achava, bizarro.

Na segunda série, a professora pediu para que disséssemos que nome gostaríamos de ter. Eu disse Roberto. É o nome do meu tio e dá um apelido interessante. Se eu fosse Beto seria uma pessoa melhor.