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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Vozes que ouvi, já não me lembra onde

"A comparação entre o apaixonado e o viciado em drogas mostra pontos comuns: estados de euforia inexplicáveis, pensamento obsessivo sobre um único objeto (seja o rosto angelical da amada, seja a próxima dose), violentas síndromes de abstinência (no caso do namorado, traduzidas em funda depressão sempre que o outro está distante). E, como o vício, a paixão também causa alterações na química do cérebro, sobretudo na forma de uma elevação dos níveis de dopamina, neurotransmissor associado a comportamentos extremamente direcionados (daí a fixação em uma só pessoa)." (Revista Veja, sobre o livro  Por que Amamos)

Uma das primeiras coisas que acontecem quando você se apaixona é que você vive uma mudança drástica na consciência: seu "objeto de amor" assume o que os psicólogos chamam de "significado especial". Seu amado torna-se singular, único e sumamente importante. Como disse um enamorado, "Todo o meu mundo se transformou. Eu tinha um novo centro, e este centro era Marylin". Romeu, de Shakespeare, expressou este sentimento mais sucintamente, dizendo de sua adorada: "Julieta é o Sol".

Antes que o relacionamento se desenvolva para o amor romântico, você pode se sentir atraído por vários indivíduos diferentes, voltando sua atenção para um, depois para outro. Mas por fim você começa a concentrar a paixão em apenas um. Emily Dickinson chamou este mundo particular de "o reino do você".

Setenta e três por cento dos homens e 85% das mulheres em meu levantamento lembraram-se de coisas banais que seu amado disse e fez. E 83% dos homens e 90% das mulheres reprisam estes episódios preciosos em sua mente enquanto refletem sobre seus amados.

Um exemplo asiático tocante disto vem de um poema chinês do século IX, "A Esteira de Bambu", de Yuan Chen. Chen angustiou-se: "Não suporto guardar/ a esteira de bambu:/ na noite em que te trouxe para casa,/ eu te vi desenrolá-la." Para Chen, um objeto cotidiano tinha adquirido um poder icônico.

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(do livro Por que amamos, de  Helen Fisher)