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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Seqüestraram o cabeleireiro também

Alguns pontos unem O Plano Perfeito a Firewall. Alguém quer roubar um banco e o roteiro tenta ser espertinho pra não cair nas mesmas historinhas de roubo que já foram feitas e acaba repisando vários clichês. Só que, enquanto Plano Perfeito tem um início promissor, um meio completamente dispensável e um final bem bacana, Firewall tem um começo risível, um meio muito bom, e um final de vomitar na latinha.</p>

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A sinopse de Firewall que está no site do GNC (sim, eu vi lá, mas era de graça) é genial, embora não seja lá muito verdadeira:

Especialista em informática (Ford) é forçado a roubar o próprio banco para o qual ele criou um sistema ultramoderno de segurança, pois essa era a única forma de conseguir o dinheiro suficiente para pagar o resgate de sua família seqüestrada por um insano (Bettany).

Realmente, Paul Bettany tem cara de insano... quietinho, bonitinho, mas um bastardo assassino. Ele é a única pessoa com cabelo no filme que não tem um penteado ridículo. Harrison Ford, além de tentar não parecer o avô de seus filhos, ostenta um cabelinho filha da puta. Mas, na ala masculina, nada pior do que a peruca de Robert Forster. Já entre as mulheres, a secretária, com seu penteado meio anos sessenta em Plutão, ganha o prêmio.

Nunca ouvi falar do diretor, um tal Richard Loncraine. Ele consegue fazer um filme médio com cara de médio, isso pode ser bom, dependendo do prisma. Prefiro isso do que Spike Lee fazendo um filme médio fingindo ser grande coisa.

Só o merchandising já deve ter coberto grande parte dos custos de la película. As pessoas ficam usando Windows em PCs Dell enquanto falam "preciso do Ipod da minha filha".

As legendas usam ponto-e-vírgula aleatoriamente, no lugar de qualquer outra pontuação. É bastante engraçado. É engraçado também o início, antes do seqüestro, quando todo mundo tenta ser sério trabalhando num banco, falando de grandes negócios, e tudo acaba ficando bobo.

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Ah, e Virginia Madsen, que para mim nunca passou de uma figurante com falas (e já concorreu ao Oscar, veja só, acho que eu implico com ela), tem ótimas cenas. Especialmente no momento em que é forçada a falar no telefone e sua expressão facial muda completamente em menos de um segundo quando o cara encosta o revólver na cabeça dela. Muito bom!

Qual motivo para ver o filme? Eu digo: provavelmente nunca mais você terá a oportunidade de ver um astro do cinema matando alguém COM UM COPO DE LIQÜIDIFICADOR.

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Use óculos escuros

Nunca tinha usado colírio na vida. Mas agora meus globos oculares andam secos e às vezes é complicado, por exemplo, andar no vento, ou ficar em ambiente com ar condicionado, ou mesmo assistir a um filme em casa. Durante a execução dois últimos DVDs que eu peguei, meus olhos ficaram como que com areia bem fina dentro e isso, além de me fazer piscar centenas de vezes, me deu sono.</p>

Daí, comprei o Colírio Moura Brasil. Meu médico disse que eu poderia comprar também soro fisiológico para pingar, mas acho que soro vem naquela embalagem de soro, né?, daí levar para outros lugares que não minha própria casa fica complicado.

Mas acabou não mudando muita coisa. Achei difícil demais usar o troço. Na bula diz que deve-se fechar os olhos, reclinar a cabeça para trás e pingar no canto do olho. Só que, além de complicar o manuseio, pois estarei com um só olho aberto, ainda faz com que o líquido mais escorra sobre o rosto do que para dentro de onde é preciso.

A maneira menos difícil que encontrei é abrir a pálpebra inferior (sei lá o nome disso) com o dedo e, vendo perfeitamente a gota, pingar ali. Só que não consigo fazer isso sem espelho. Ou seja, no cinema, enquanto o ar condicionado risca minha córnea, não poderei tomar nenhuma providência.

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JK era um adúltero

Eu ia escrever sobre JK, mas depois desisti, agora me deu vontade de novo. Acabou sexta passada e, fazendo um balanço, achei detestável. Muitas pessoas gostaram, mas eu tinha ganas de atirar tijolos na cara de quem fez aquela bobagem. </p>

A primeira fase foi tenebrosa, principalmente porque o casal protagonista era tão bobo, insosso e ridículo. A Débora Falabella parecia na Dama das Camélias, e o Wagner Moura interpretava ele mesmo como sempre faz na televisão, com seu risinho que me incomoda. Sem mencionar aquele tal de Coronel Licurgo, que não tinha cabimento.

Na passagem para a segunda fase, passaram-se 10 anos, mas os protagonistas envelheceram 40, enquanto Débora Evelyn só mudou o vestido. Tu bem, relevemos... Marília Pêra estava um pouco melhor do que sua antecessora, mas falava como se tivesse um pinhão quente na boca, se fazendo de gatinha, ainda por cima.

Tudo isso junto com uma iluminação uniforme e sem graça; uma direção de atores que deixava os personagens secundários imersos numa massa homogênea onde não se distingüiam um do outro e onde ninguém fazia nada além de ficar parado falando batendo palmas e cantando aquela insuportável música do peixe; uma edição patética, que cortava as cenas onde obviamente não devia cortar e juntava os planos como quem costura num ônibus; e um roteiro muito pobrinho, mais indicado para uma novela das seis.

Aliás, era um novelão, não uma macrossérie. Cheio de amores arrebatadores, casos mirabolantes e pouca história verdadeira. Era ridículo: a escolha do JK como candidato a presidente, sua campanha e sua eleição não levou mais do que 20 minutos. Já o golpe militar, a fuga do Jango, cassações e perseguições foi tudo juntado numa narração em off de dois minutos, e logo pulamos para um ou dois anos depois.

Ah, e os personagens históricos eram completamente destruídos pelas interpretações sem noção. Jango, por exemplo, na única cena em que apareceu, era um ator que não fede nem cheira. Roberto Marinho era o Marco Ricca achando que estava ainda em Bang Bang. Só o cara que fez Nelson Gonçalves se salvou, porque ficou 40 segundos no ar. Minto, teve Sérgio Viotti fazendo o Adolfo Bloch muito competentemente. E o Antonio Calloni como Augusto Schmidt, morrendo ótimo na praia.

As coisas só ficaram mais decentes nos oito últimos capítulos. José Wilker muito interessante como o JK velho (porque novo era feliz demais); as cenas tornaram-se mais longas, deixando alguns atores mostrarem para que ganham seu salário; alguns momentos trouxeram uma iluminação bonita, em especial nos dois últimos dias, com Brasília à noite; e o texto melhorou, já que o nível dramático aumentou e Maria Adelaide Amaral sabe escrever bem quando pode.

As cenas do velório e do enterro foram bem boas. Mas a melhor cena mesmo foi Camila Morgado pensando apaixonadamente em Letícia Sabatella.

Cadê a violência extremada?

Tava esperando para assistir a Plano Perfeito desde que vi o trailer há uns dois meses. Filme do Spike Lee, com pessoas interessantes, planos diabólicos, mistério, suspense... isso me chamou a atenção.

Infelizmente, não gostei tanto do filme. Acho que faltou uma direção mais forte e uma edição mais ritmada. Mesmo que o roteiro não fosse perfeito, dava pra ter dado uma melhorada. Mas não é ruim. Ao contrário, é até interessante. Mas não vai mudar em nada a galáxia.

Depois que saí do filme fiquei olhando as pessoas em volta e imaginando se elas tinham cara de refém ou de assaltante dissimulado. Encontrei mais reféns, é verdade.

Ah, a música indiana que está no filme é chocante! Já baixei e fico me balançando enquanto ela toca. O nome, se quiser saber, tá aqui no meu texto.

A voz não precisa de Photoshop

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Quando eu escuto Tchaikovsky me dá vontade de ficar sacudindo as mãos no ar. Mas não era isso que eu queria falar.

Comprei o último cd da Fafá de Belém. E muitos estão lendo isso agora e rindo-se ("Há! Fafá de Belém é o fim da picada"). Pois é, há algum tempo eu também seria uma fonte infinita de desdém. Hoje não. Hoje eu respeito os artistas e suas escolhas, desde que sejam verdadeiras, e não cria de publicitários ensandecidos. Por isso, tenho gostado cada vez de mais coisas. De funk a Philip Glass, tudo pode ser bom.

Fafá era, nos anos oitenta, bastante parecida com uma tia minha. Isso me marcou, de certa forma, a infância. Não sei explicar direito, nem quero. Sem falar em seus peitos sobressalentes que marcaram a infância de qualquer um. Tenho um disco aqui cujo encarte são fotos de seus seios, devidamente cobertos, mas mesmo assim fugindo pela beirada do corpete. Desnecessário.

Isso sim, jogada de publicitário ensandecido. E ela estava em fase de ser corrompida pelas gravadoras. O disco não é ruim, mas a concepção é equivocada. Boas músicas são seguidas de músicas românticas em excesso, sem nenhuma personalidade. Isso fudeu intelectualmente a carreira dela ao longo dos anos, infelizmente, apesar de ser uma bela cantora. E também o fato de ter pendido sempre para o lado mais popular, ao invés de ter ido para o lado considerado mais nobre da coisa. Vermelho, vermelhaço, vermelhusco, vermelhante, vermelhão é um exemplo. É música da terra dela, é bacana, 80% da população sabe cantar, mas não traz prestígio a ninguém.

E daí eu soube que ela saiu da gravadora, agora no começo do século. Tem produzido independentemente seus discos. Grava o que tem que gravar, paga suas contas, e depois vai atrás de alguma gravadora interessada em prensar, distribuir e divulgar aquele disco já pronto. Eu nem imaginava uma coisa dessas.

Seu último trabalho, então, Tanto Mar, é dedicado todo a Chico Buarque. São 14 faixas, 15 músicas. Lindo disco. A voz forte dela está redondinha, agita-se quando tem que se agitar, acalma-se quando é necessário, vai lá, vem cá, tem sensualidade às vezes, tristeza em outras ocasiões, alegria, regozijo, seriedade. Muito, muito bom mesmo.

O melhor exemplo do que é Chico Buarque cantado por Fafá de Belém é Fado Tropical (que conta com a participação do Chico recitando os versos de Ruy Guerra). Ninguém faria como ela faz. Quando ela canta "Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal, ainda vai tornar-se um imenso Portugal", é exatamente como uma Amália Rodrigues tropical. E é seguida por Tanto Mar (escrita em homenagem à Revolução dos Cravos), música que ela canta com o peito cheio e a boca sorrindo. Essa não é Tchaikovsky mas também dá vontade de balançar as mãos no ar.

Destaco também Bastidores, Gota D’água (com um arranjo tão bonito), Olha Maria (triste, triste), Minha História e Angélica (mais triste ainda – foi escrita em homenagem a Zuzu Angel, após sua morte). O que não se pode falar agora é que ela e seu trabalho não têm personalidade. Têm a personalidade de bons artistas.

A foto da capa (essa aí) é bem bonita. Mas não é recente, é da década de 70. E dá para perceber as photoshopagens.

Vitrola, minha vitrola

Por mais de um ano mantive uma relação esquizofrênica. Meu toca-discos ficava em Pelotas e eu, morando em Porto Alegre, comprava LPs que nunca conseguia escutar. Várias promessas de enviá-lo para cá foram-me feitas e foram feitas por mim. Todas resultaram em nada.

Até hoje. Esta manhã chegou o três-em-um que era do meu pai. Nele escutávamos Leandro & Leonardo na década de 80. É um Gradiente MS-200. Sempre achei lindo. Tem caixas grandes e poderosas e luzinhas amarelas e vermelhas que piscam.

Mediante sua chegada e conseqüente instalação, fui pegar meus discos comprados e nunca escutados. E ainda outros, que já havia escutado antes e estavam mofando lá numa caixa de Natal. Dos quase 40, não me lembrava da metade. Mas é normal, afinal não mexia neles há muitos meses. O que não é normal é eu me surpreender por ter discos que nem imaginava que tinha e não lembro de ter comprado. Por exemplo, Ten, do Pearl Jam, e Wide Awake in America, do U2. Se eu fosse seqüestrado ontem por bandidos que quisessem esses discos, eu morreria no cativeiro, pois não sabia mesmo que os tinha.

Outra surpresa foi eu encontrar cinco discos da Maria Bethânia - um deles repetido. Ok, lembrava de três, não de cinco. Desconfio que LPs deixados muito tempo sozinhos vão se multiplicando.

Agora fiquei com um entulho em casa: meu outro toca-discos, que há três anos não funciona. É um Eletrofone Stereo da Philips, lá do começo da década de 70, pelo que percebo. Esse da foto. É pequeninho e tem duas caixas com plugs que só cabem neste aparelho, uma coisa estranha. O que faço com isso? Jogo fora? Tenho problemas em jogar coisas fora. Até as caixas de papelão em que veio o som eu estou com pena de botar fora. Se alguém quiser essa coisa inútil (que talvez fique bom com algum tipo de conserto), me diga. Terei prazer inominável em doá-lo.

 

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Los Dinosaurios

Los amigos del barrio pueden desaparecer
Los cantores de radio pueden desaparecer
Los que están en los diarios pueden desaparecer
La persona que amas puede desaparecer

Si los pesados, mi amor, llevan todo ese montón de equipajes en la mano
Oh, mi amor, yo quiero estar liviano

Cuando el mundo tira para abajo
Yo no quiero estar atado a nada
Imaginen a los dinosaurios en la cama

(música de Charly García)

Vamos para a selva!

Eu, no momento, não tenho nada a ver com nada relativo à reforma agrária. Grande parte das pessoas que compareceram ao Salão de Atos da Ufrgs na semana passada também não tinham, mas mesmo assim foram aproveitar os shows de graça que por lá aconteceram. Era tudo dentro de algo organizado por Ministérios do Lula e pela Onu. Um negócio importante. A RBS, no último dia, passou umas imagens das conferências, mas disse que “o que mais chamou a atenção”, foram meia dúzia de pessoas fazendo bagunça na rua.

Mas tudo bem, nem vou reclamar. Vou só dizer que os shows foram muito bons. Nada a ver com a proposta do evento. NINGUÉM estava falando de reforma agrária por lá. E se fossem pegar a grana que gastaram para trazer todo mundo e montar aquilo tudo, dava umas toneladas de alimento a mais do que as que foram arrecadadas em troca dos ingressos.

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Mas tudo bem, nem vou reclamar. Vou só dizer que o show do Alceu Valença estava supimpa. Desde que comprei um cd dele, às cegas, ano passado, e adorei, eu queria vê-lo ao vivo. E não foi pouca coisa. O cara, como ele próprio diz, foi feito para comandar as massas. Conta histórias interessantes e engraçadas, além de cantar coisas empolgantes e animadas (e outras tristes e belas também). Infelizmente, ele não cantou as três músicas que eu mais queria (Cavalo de Pau, Talismã e Dolly, Dolly - todas tristes e belas).

Mas tudo bem, nem vou reclamar. O show dele foi precedido pela apresentação do Bataclã F.C., um grupo aqui de Porto Alegre. Não é exatamente o tipo de música que aprecio, mas foi um bom show, com bastante personalidade. Tudo ficou melhor depois que o gaiteiro (Rodrigo Lucena) entrou para participar, tocando com prazer, sorrindo muito. E as convidadas Loma e Muni fizeram bonito.

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Quinta-feira, eu e Katine nos surpreendemos com o show de um grupo paulistano chamado A Barca. Nunca tinha ouvido falar, e foi uma das melhores coisas musicais que me aconteceram nos últimos tempos. Cantam músicas típicas de certas partes e de certos grupos do norte e nordeste, com arranjos estupendos - destaque para a percussão ininterrupta - e as vozes perfeitas das duas cantoras belíssimas. Quase me apaixonei.

Então, veio o show principal, com o Naná Vasconcelos. Eu já havia escutado coisas sobre ele tipo “é o melhor músico brasileiro” e "é o melhor percusionista do mundo" e essas bobagens que os homens contam. Total expectativa, pois não conhecia uma nota de sua autoria. E não gostei. Não foi ruim, mas, para o que eu esperava, e depois do show da Barca, não me satisfez. Para isso colaborou, é claro, o fato de eu estar há 3 horas sentado na mesma posição, com fome, pernas doendo, tendo a meu lado um homem imenso que fazia a minha cadeira se balançar quando ele se mexia.

Mas nem se tudo em volta estivesse perfeito eu ia gostar de quando Naná pergunta “Vamos para a selva?”, uma luz verde baixa e ele começa a fazer sons com a boca, a bater um gongo e balançar um zinco. Nem ia gostar dos solos longuíssimos de cada instrumento, inclusive de cada modalidade de tambor (e existem muitas) e de um berimbau bem chato. Tudo muito sério, fechado, antipático.

Mas tudo bem, nem vou reclamar. O flautista fazia coisas indescritíveis com seu instrumento, a barata que atravessou o palco foi divertida e o uso da repetição eletrônica da voz do Sr. Vasconcelos foi surpreendente. A única música do bis foi a melhor parte, porque contou com a participação da platéia e era engraçada, só com vozes dizendo coisas esquisitas.

Bom, com dois quilos de arroz e dois quilos de farinha eu consegui ver quatro shows interessantes. Mal posso esperar por outra conferência da reforma agrária.

(As fotos são minhas. Para ver mais, melhores e maiores, entra no meu site e vai em Shows)

Espanhola eu também quero!

Por motivos alheios à capacidade de entendimento que me cabe, passei boa parte da vida exercendo minha misantropia. Isso, em poucas palavras, significa que, depois da infância, não tive grandes amizades. Nem pequenas também. Passei todo o segundo grau e depois a faculdade tendo amigos de aula, colegas, pessoas com quem eu falava no colégio e no campus, com quem eu almoçava ou andava de ônibus, mas ninguém com quem eu saísse, por exemplo. E não por falta de vontade das pessoas, mas eu não tinha, realmente, esse desejo de sair, conversar, compartilhar, tomar cerveja num bar e falar sobre o Big Brother.

Eu fazia tudo sozinho, inclusive morava sozinho. Com exceção de uma colega de quem eu gostava, acho que nunca convidei ninguém pra fazer nada durante toda a faculdade. Na época não me fazia falta, realmente. Quando vim morar em Porto Alegre, não senti muita saudade de minha família. Ficar sozinho era bom, então.

Quando a faculdade acabou, no entanto, eu entrei meio em pânico. Percebi que, com exceção da Paola (que eu conheci em outros caminhos), eu não tinha amigos, eu não namorava, eu não tinha nem quem convidar para ir ver um filme. A solidão é prima-irmã do tempo, e meu apartamento vazio foi ficando apavorante. Tentei preencher os dias com sexo. E isso funciona, por vezes. Mas não melhora em nada a vida depois de gozar. E além de tudo é chato. Sexo me estressa. A não ser com certas pessoas. E com essas pessoas a gente acaba tendo uma afinidade maior e alguém sempre fica esperando mais do outro. E o outro, com freqüência, não tá nem aí. E isso estressa mais ainda.

Então, ano passado foi muito diferente nesse sentido. Foi o ano em que estendi minha capacidade social além do mínimo que era normal. Foi o ano em que saí para festas e bares sem reclamar e até gostei. E agora gosto. Foi o ano em que resolvi ir em comemorações, como aniversários, mesmo que não goste muito, porque para a anfitriã pode ser importante. Foi o ano em que resolvi ser mais sincero, mais aberto, mais expressivo, mais agressivo, mesmo que isso não funcione sempre.

Foi o ano em que resolvi fazer mais convites e aceitar com freqüência, quando é possível, os que me fazem. Assim, me aproximei de pessoas, conheci algumas, redescobri outras. Por isso, aceitei ir na Redenção quando a Graziana me ligou domingo. Para quem estava tendo uma tarde absurdamente aborrecida, foi um convite abençoado. Nos encontramos eu, Grazi, Katine e o Augusto, a quem fui apresentado. Sentamo-nos na grama, a escutar músicas gauchescas muito poéticas, até que resolvemos (bom, eu não resolvi nada, mas gostei da idéia) jantar no apartamento da Katine.

Graziana fez uma lasanha de responsa, de um jeito que eu nunca havia visto antes, enquanto cantava É o amor comigo na cozinha. E depois da janta veio a parte mais divertida. Jogamos Eu nunca, seguido por Eu já e, depois, o fatal Verdade ou Conseqüência. Foi um fim de noite para ficar na história: nunca falara ou escutara tanto sobre sexo antes.

Fiquei sabendo quem já fez espanhola, quem já foi ou não lambido em certas partes do corpo, quem já fez sexo na cozinha, quem tem vontade de transar com o Stênio Garcia... coisas assim, bem simples.

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Grande noite. Agradeço a todos que a tornaram possível, inclusive a quem eu havia convidado para sair à tarde e disse não.

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