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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Eu aposto nas ameixas

Ontem, então, fui na estréia da peça Morangos Mofados, baseada no livro do Caio Fernando Abreu. É realizado pelo Porto Alegre em Cena, com colaboração da prefeitura. São sete contos do livro, alguns curtos, outros bem longos.

Como peça, é interessante. São nove atores em cena, que dançam antes, entre e depois de encenados os contos. Todos são bons em algum momento, embora em outros possam deixar uma impressão não tão satisfatória.

Às vezes cansa, como no “Caixinha de Música”, e daí eu penso “no livro é bem melhor”. E é. Ler os contos foi, para mim, uma grande experiência. Ver a peça não foi. Mas é um bom trabalho, incrivelmente dirigido por Luciano Alabarse.

Só fica mais dois dias em cartaz: hoje e amanhã. É lá no Teatro Renascença (Érico esquina com Ipiranga) e É DE GRAÇA. Começa às 21h, as senhas começam a ser distribuídas por volta das 20h.

Ah, a iluminação é bastante boa, de Breno Ketzer, assim como o figurino, de Rodrigo Lopes. Mas o tchan do espetáculo é a chuva (chovia.), durante ”Além do ponto”, que, aliás, é um de meus contos prediletos.

Mas o que mais me impressionou foi ler no folheto que “as pessoas envolvidas na criação artística deste espetáculo trabalham de forma solidária, SEM RECEBER CACHʔ. Quase inacreditável.

O último momento da peça é ”Natureza Viva”, quando todos os atores, um de cada vez (achei ótima idéia), interpreta este belo texto:

Como você sabe, a gente, as pessoas infelizmente têm, temos, essa coisa, as emoções. Infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos - emoções. As pessoas falam coisas, e por trás do que falam há o que sentem, e por trás do que sentem há o que são e nem sempre se mostra. Há os níveis não formulados, camadas imperceptíveis, fantasias que nem sempre controlamos, expectativas que quase nunca se cumprem e sobretudo, como dizia, emoções. Por tudo isso, já não sou capaz de me calar, porque meu silêncio já não é uma omissão, mas uma mentira.