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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Garçom, aqui nessa mesa de bar

Sábado saí. Não estava bem em casa e resolvi sair "pra balada" como pessoas dizem. Umas das piores coisas de sair à noite é ter que pagar táxi. Ou ir a pé, passando por becos absconsos onde nem Jesus Cristo se sentiria seguro. Vou de táxi, cê sabe, e pago sete pila até a cidade baixa. Nunca gostei do bairro, mas ok, talvez seja o único lugar mais ou menos interessante onde eu possa chegar pagando sete pila pela corrida e ter à disposição várias opções de "divertimento" (tudo insuportavelmente cheio, quente e caro, é claro).

Saí para beber. Uma vez, falando com o Guilherme Castilhos, meu amigo na faculdade que dividia o mesmo gosto por falar coisas além da compreensão humana, chegamos à conclusão de que tínhamos vocação para alcoolátras. Eu podia me enxergar a viver cambaleando dentro de casa, com uma garrafa na mão, aterrorizando a família. Tentei isso algumas vezes, mas nunca consegui gostar de álcool. E também sempre tive a maldição de me colocar no lugar das pessoas e imaginar o que elas sentem, então nunca quis causar problemas maiores a meus pais, que teriam, obviamente, que me internar várias vezes para me livrar do vício após eu vender a televisão para comprar Caninha 51.

Mas naquela época eu não conhecia rum. Sábado, então, saí para beber rum. Cerveja á mais barato, mas não faz muito efeito em mim além de me encher a bexiga. Já com rum, depois da primeira dose o mundo já começa a ficar diferente. Sábado, depois da segunda dose, minha mente ficou depressiva, buscando todas as coisas desagradáveis que aconteceram mais ou menos recentemente e eu me tornei o personagem central da música do Reginaldo Rossi. Comecei a chorar na mesa do bar e a garçonete veio ver se tava tudo bem. Obviamente não estava, fiquei chorando tentando não chorar por uma meia hora. Depois passou. Tomei a terceira dose e, então, a boca ficou dormente, as mão distantes e os pés dois seres difíceis de controlar. Enquanto esses efeitos sobre mim estavam, pude testemunhar um dos apresentadores do Jornal do Almoço de Pelotas dançando de modo comprometedor durante muito tempo.

A quarta dose, então, fez com que eu tivesse que calcular cada passo ("um pé aqui, agora outro ali") e, pior, fez com que eu passasse uma cantada fora de hora. Depois de gastar 18 reais no rum, a festa foi acabando e eu tive que voltar pra casa. Não sei bem como foi que eu consegui lembrar a senha do cartão de débito, nem como consegui pegar um táxi e chegar em casa (lembro que dei o endereço errado pro taxista, mas corrigi a tempo). Infelizmente, apesar de ficar atordoado pelo álcool, eu tenho uma mente forte o bastante que me mantém ciente de meus atos e por isso eu não faço coisas absurdas. Pelo menos não até a quarta dose. Da próxima vez vou tentar a quinta.