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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

o ano que já terminou

Acaba-se, então, 2005. Para mim, foi um ano bastante marcante, por uma miríade de motivos. Já no início, estava eu competamente aturdido, estressado, preocupado e insone por causa de minha banca de monografia e, um mês depois, por causa de minha formatura. Se eu fosse gordo teria perdido uns quilos. Mas, graças aos poderes de Greyskull, tudo foi relativamente bem e consegui passar por tudo sem ter um enfarto fulminante.

Foi o ano em que eu resolvi que deveria namorar. Saído da faculdade, jornalista diplomado, queria colocar minha vida pessoal nos eixos. Nesse caso, nada deu certo. Me apaixonei como a barata se apaixona pelo ralo da pia, mas não fui correspondido da maneira que eu desejava. Daí, advieram alguns problemas, como discussões, incomodações, tristeza, mas também alegria, amizade, paciência e, mais importante, uma valorosa experiência adulta pela qual eu ainda não havia passado.
Em contrapartida, se o desejado namoro não decolou, a vida sexual deu uma enorme melhorada em comparação aos outros anos. Isso foi ótimo, com certeza, mas nem tanto. Por um lado foi bom, pelo outro também, por cima, então, nem se fala, mas se for pensar qualitativamente, poucas relações valeram realmente a pena.

Pelo viés cultural, foi um ano de poucos livros, confesso, mas de muito cinema. Fui à sala escura por volta de 40 vezes devido, boa parte, ao começo de meu trabalho como pseudo-crítico. Fui ao teatro algumas vezes, o que eu não fazia com nenhuma regularidade; fui a bastantes shows; fui, finalmente, ao Sarau Elétrico; comecei a estudar espanhol; freqüentei cafés (algo que eu, como pessoa do interior, nunca tive costume de fazer). Foi também em 2005 que eu coloquei meu blog no ar e passei a escrever aqui com freqüência, o que só me trouxe coisas boas.

Profissionalmente, saí da faculdade e me fudi. Sem emprego, fiquei meses procurando algo para fazer, com todos os problemas financeiros e emocionais que isso traz. Só em outubro as coisas deram certo e eu passei a trabalhar sem parar por 45 dias, o que me rendeu altos dividendos - quase todos gastos em dívidas e no supermercado. Agora já sou um fotógrafo com algum currículo e posso desprezar todos os estagiários do planeta.

Foi um ano em que eu conheci pessoas, travei amizades, fiz contatos, fui a lugares interessantes, experimentei mussarela de búfala e entrei pro SPC. Foi o ano em que aprendi a mexer no Photoshop, o ano em que meu projeto de ter uma banda tornou-se bastante concreto e, logo depois, bastante abstrato.

Acaba-se, então, 2005. Se eu pudesse vivê-lo de novo, modificaria 50% das coisas. Até que não foi tão ruim.

Não tinha nada mais importante pra fazer

Detesto fazer listas, mas, só de sacanagem, fiz uma listinha com aquele clichê, "os melhores do ano". Peguei um negócio que se destacou mais para mim em alguma categoria e coloquei aí. Como perceberão, não são exatamente coisas que aconteceram em 2005, mas das quais eu tomei conhecimento ao longo do ano. El tunel, por exemplo, é da década de 60, mas eu só fui lê-lo neste ano que acaba. Os Beatles estão aí porque antes eu não sabia de nada.

Filme ficção: Closer
Documentário: Entreatos
Filme vetusto: Saló, ou os 120 dias de Sodoma
Cena: introdução de Sal de Prata
Música: The Blower's Daughter - Damien Rice
Música antiga: Paralelas - Vanusa
Banda: Beatles
Notícia: Juiz solta presos por falta de espaço
Momento: meu baile de formatura
Papa moribundo: João Paulo II
Livro: El Túnel - Ernesto Sábato
Programas de televisão: Balela - MTV e Re[corte] Cultural - TVE
Minissérie: Angels in America - HBO
Série: A Diarista - Globo
Show: Placebo (mais pelo significado pessoal)
Peça: Baque (pela idéia e pelo texto)
DVD: Björk (my headphones, they saved my life)
Programa mais tosco do Silvio Santos: Family Feud

Luis Fernando Verissimo não paga ingresso

Minha filosofia nos últimos meses, depois que sentei em cima de minha carteirinha da Ufrgs, partindo-a ao meio, foi: não vou gastar dinheio com cinema. Como tenho ido às cabines de imprensa, pelo menos fico por dentro de alguns lançamentos. Os outros filmes que me perdoem, mas estou querendo gastar o menos possível.

Apesar disso, ontem fui assistir Cidade Baixa, afinal não poderia deixar de ver um dos mais importantes e mais falados filmes nacionais do ano. É bom, muito bom. No entanto é pesado, violento, sexual. Os atores estão ótimos, em especial a sobrinha da Sônia Braga. Trecho muito bacana de uma entrevista com o diretor, Sérgio Machado:

- Acho que tenho uma impressão desde criança de que quando você vê alguém de longe, o que saltam aos olhos são as diferenças. Mas quando as pessoas se aproximam, as barreiras são quebradas e tudo que é essencial faz das pessoas parecidas, afinal todos amam, sentem ódio... Acho que o mais importante do filme é olhar de perto gente que não se olha.

Luis Fernando Verissimo estava na mesma sessão que eu e ficou até o final. O mesmo não aconteceu com a senhora que saiu no meio da seqüência do assalto. Não é um filme para senhoras, eu diria.

A imprensa é o pilar da sociedade

Flávio Alcaraz Gomes não é bissexual e conseguiu me surpreender com isso, publicado no Correio do Povo.

Já o Jornal do Comércio está com uma promoção imperdível: assine o jornal por seis meses e ganhe uma assinatura da revista Caras. Gostou? Assine aqui

Aftas de Natal

Continuando a história de Natal, resolvi não ir para Rio Grande. Fiquei em Porto Alegre, mais tranqüilo. Saí, apavorado no centro deserto, para uma festa, mas nem pude me embebedar até cair num canto vomitando sem parar, porque apareceram aftas na minha língua que ardiam a cada gole. Mas deu tempo para ver, na TVE, Ivete Brandalise entrevistando quatro papais noéis. Antológico.

Quanto às aftas, surgiram sexta e perduram até hoje. Tenebroso. São três, na parte lateral inferior da língua. Não podia nem falar direito, quanto mais beber, comer, beijar ou lamber picolé de limão. Domingo foi o pior dia. Sem conseguir comer e com a boca incomodando, tive que passar grande parte do tempo dormindo, para poupar energias. Quando acordava, fazia bochecho com Benzitrat, que anestesia um pouco e permite que tudo não vire um inferno.

PJ mente

Peter Jackson, diretor do King Kong, emagreceu uns 40 quilos. Trecho de uma entrevista:

- Como você perdeu peso? Dieta especial?
- Não, apenas eliminei a junk food.

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Ya es Navidad

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Meus Natais sempre foram na casa do meu pai. Lá juntavam-se em torno de 12 pessoas para cear e trocar presentes, nessa data inútil. Porém, depois que uma de minhas tias brigou com todo mundo (inclusive comigo) e virou maluca, houve um decréscimo de três seres humanos na festa. Ano passado, todo mundo tava de mal, e realizaram duas ceias: uma na casa de minha vó, outra na casa do meu pai. Os dois lares felizes situam-se no mesmo pátio, então eu fiquei indo e vindo de um para outro, para não abandonar ninguém.

Depois de não ser mais criança, os melhores presentes não são mais para mim, então não acho mais graça no Natal. E como todos estão mal de dinheiro, não há mais aquela ceia cheia de coisas que antes havia, que era arrematada com o churrasco de ovelha que meu avó fazia no fundo do pátio, no escuro. Agora, todo mundo fica reclamando de tudo e todos, as crianças enchem o saco, meu pai fica irritado porque quer usar todos os brinquedos mas meu irmão não deixa. Resumindo, não estou com vontade de ir para lá (lá, para quem não sabe, é Rio Grande). Muito menos tenho vontade de sair para algum lugar a comprar presentes infantis.

Nâo tenho o que fazer em Porto Alegre, mas muito menos tenho o que fazer no interior. Fui lá no início do mês e nem tô com saudade de ninguém. Acho muito mais racional ficar por aqui mesmo.

Só que por aqui eu não tenho programa. E, pior: minha melhor amiga foi pra Buenos Aires, meu melhor amigo está de mal comigo. Mas e daí? Natal não é uma noite qualquer? Que que tem demais? Nem Jesus Nasceu nessa noite, então pra que o carnaval? (Jesus deve ter nascido lá por fevereiro. Um papa qualquer colocou Natal em dezembro por causa do solstício de inverno - ou seria equinócio?).

Vou pensar. Se eu for para o berço familiar, devo resolver e embarcar hoje. Se decidir não ir, tenho que ligar e dizer que não vou, o que vai entristecer minha vó. Mas não posso fazer coisas pra alegrar os outros e não me contentar. A propósito, uma matéria na revista Vida Simples de novembro fala exatamente sobre isso: não se forçar a ir em ceia de Natal se a pessoa não gosta, só pra fazer social.

Outra coisa: haverá uma ceia requintadíssima no Hotel Deville, a partir das 22h de sábado. Custa R$ 90,00 por pessoa. Achei interessante, se tivesse companhia com grana, já tava lá.

Então, acho mesmo que vou alugar uns filmes e ficar assistindo em casa. Isso se meu vídeo não enrolar a fita, já que meu drive de DVD só funciona com os shows do U2.

Refestelam-se no seu corpo e continuam esfomeados

Nunca fui leitor de livros de terror. Nunca li Stephen King, e até tenho curiosidade de ler algo. Minhas leituras desse estilo não são mais de três ou quatro, limitadas aos tempos pré-ensino-médio, quando eu lia os livros que tinha em casa - alguns clássicos, outros nem tanto. Lembro de um chamado "666 - No Limite do Inferno" (acho que o título não é esse), sobre um casal que se muda para uma casa que têm espíritos malignos. Nada a ver.

Outro se chama, em português, Os Mortos Vivos. O título não tem relação alguma com a história (o título original, e bem pobrinho, é Ghost Story) dos velhos amigos que, depois de 30 ou 40 anos, começam a ver manifestações que se relacionam a um crime que cometeram no passado. Eles mataram, sem querer, uma mulher, e jogaram o corpo dela no lago, dentro de um carro. O livro é enorme (e bom), tem outras coisas que não vai dar pra contar, e virou filme, em 1981. Fred Astaire, em seu último trabalho, fazia um dos velhos assombrados. O filme modifica muito a história original, nem tem graça.

Escrevo isso tudo porque, vasculhando uma caixa cheia de bugigangas antigas no meu pai, encontrei A Invasão dos Ratos (The rats), de James Herbert. Nem sabia, mas esse cara é britânico, já escreveu mais de 20 livros, vendeu dezenas de milhões de cópias, tudo, talvez, num estilo terror-pingando-sangue. Esse, especificamente, fala sobre uma raça de ratos que aparece numa grande cidade (da onde vêm não lembro) e começa a comer as pessoas. São super-ratos. Isso virou filme também, na década de 80, chamado Olhos da Noite. Vou colocar um trecho do primeiro capítulo aqui, quando os roedores nos são apresentados de forma magistral, com todo um estilo do tradutor Eurico Fernandes:

Berrou quando percebeu que alguma coisa estava A ROER-LHE OS TENDÕES. (...) Com a outra mão puxou o corpo e sentiu pêlos rijos. Tomado de pânico percebeu o que o agarrava tão monstruosamente. Era um rato! Mas era grande. Muito grande. (...) A dor que cegava parecia subir da perna até aos testículos. Mais dentes ferravam-se na sua coxa. (...) Dentes enormes que visavam a garganta  ENTERRAVAM-SE-LHE NA CARA e arrancaram um grande bocado. O corpo deitava sangue enquanto ele gesticulava em redor. (...) Ratos! A mente gritou as palavras. Ratos a comerem-me vivo! Deus, Deus me acuda! Carne foi-lhe arrancada atrás do pescoço. Já não podia levantar-se com O PESO DA BICHARADA FELPUDA a alimentar-se do seu corpo, a beber o seu sangue. As sombras indefinidas pareciam flutuar em sua frente, depois A VISÃO INUNDOU-SE DE ENCARNADO. Era o encarnado de uma dor indizível. Já não podia ver - os ratos haviam-lhe comido os olhos. (...) Os ratos tinham-se REFESTELADO NO SEU CORPO, mas continuavam esfomeados. Por isso procuraram. Procuraram mais alimento do mesmo gênero.

and i must be an acrobat

Começando a campanha de sensibilização de Deus, para que Ele ajude este seu filho a ir nos show do U2, passarei a colocar, a partir de hoje, até fevereiro, versos da banda ali no cantinho superior direito.

Serão dois shows em São Paulo, dias 20 e 21 de fevereiro, e um em Buenos Aires, dia 03 de março. Em um deles eu pretendo ir. Quando, em 1998, U2 fez shows no Brasil e eu não pude ir por ser muito novo e não ter dinheiro para encarar uma viagem, fiquei tristíssimo e e decidi que, na sua próxima vinda pra cá, eu iria, nem que fosse um show no Acre.

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Agora é questão de tomar decisões. Talvez eu não tenha os 600 pila para fazer a viagem, mas para isso é que serve cartão de crédito. O problema é estabelecer prioridades e descobrir que o show não é uma delas. Consegui pagar a dívida astrônomica que eu nutria com a Credicard, e não gostaria de fazer outra, que será impagável em vista de outras coisas que terei que comprar nos próximos meses. Outro problema é que já há pacotes de viagem à venda, as pessoas estão comprando, e se eu não me decidir logo, vou ficar a ver navios. Então, não sei. Mas esse é o único show que eu tenho realmente vontade de ir. Afinal, é minha banda preferida, tenho 13 discos deles, sei cantar 90% das músicas, e fiz meu e-mail em homenagem ao Bono Vox (isso agora parece infantilidade, mas na época foi interessante e, como se tornou meu e-mail oficial, é complicado mudar).

Finalizando, o verso que coloco ali é da bela Acrobat, do meu disco preferido Achtung Baby, o mais triste de todos.

"I know that your time is coming round
Don't let the bastards grind you down"

E, parafraseando Fernando Pessoa, para os outros nós somos os outros. Enquanto achamos que alguém é o bastardo que está nos opimindo, outra pessoa acha que nós, os bastardos, estamos a oprimi-la.

Há dias queria escrever isso, não sei bem por quê.

(foto de Anton Corbijn)

É isso aí...

A Veja desta semana coloca na capa Ana Carolina com uma manchete imensa: "SOU BI. E DAÍ?". Isso me lembrou muito aquela famosa capa da Época dizendo algo do tipo "Eu fumo maconha" e a foto da Soninha.

Lendo-se a matéria, que parece que vai tratar da cantora e seu (duvidoso) sucesso, percebemos que de música não tratam. Ficam falando de sexualidade. Tudo bem, ela não deverá processar a revista, como Soninha fez. POrém, depois de quatro parágrafos, Ana desaparece e a reportagem torna-se uma das mais comuns sobre bissexualidade (ao estilo Superinteressante, eu diria - sem negar o belo trabalho de edição).

Mas queria perceber mesmo é a importância que dão para a cantora. Colocam-na na capa, sendo que há quase quatro anos nem uma capa da revista traz um músico (a última, de janeiro de 2002, trouxe uma foto de Cássia Eller, mas tratava sobre drogas). Obviamente é porque ela, como diz o texto, vendeu 800.000 cópias em 2005. E eu não sei da onde 800.000 pessoas compraram um disco dela. Alguém aí tem disco dela? Me parece história de gravadora.

De qualquer forma, não acho ela ruim. Quando lançou seu primeiro disco, Armazém, eu gostei bastante, inclusive. Mas, depois, despirocou-se, e virou autora de baladas melodramáticas que canta como se quisesse tirar o pai da forca. É uma ótima fórmula para tocar na trilha de novelas, mas não é nada além de Whitney Houston com violão ("Cantar alto me deixa excitada", diz ela). Mas ok, nada contra, ela não está nem roubando nem matando. Só fico impressionado como as pessoas se deixam levar fácil pelo que toca na tv ou no rádio e não se esforçam um pouquinho para buscar algo melhor de se ouvir.

(foto de Peter Iliccev)

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