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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Xingado na igreja, mas com música

Músicos da Puc são educados. Ontem, no Concerto Zaffari de Caxias, deixei meu guarda-chuva ao lado da porta de saída. Depois de todos os músicos e o coral saírem, o guarda-chuva ainda estava lá. Ninguém resolveu meter a mão nele para se proteger da chuva fina e fria que caía. Realmente educados.

Bom, mas o fato é que saí de Porto Alegre ontem pra ir fotografar em Caxias. Fui no ônibus com Tânia Carvalho, que apresenta o espetáculo. Assim que ela entrou, ainda de pé, contou sobre sexta-feira, no temporal, quando seu carro inundou na Protásio e ela teve que sair pela janela. Ao longo da noite contou isso para a orquestra inteira, para o coral, para o maestro e os solistas.

concerto-caxias-126.jpg

Duas horas para chegar em Caxias. Terrível. Estou detestando andar de ônibus de banco fofo (esses até se chamavam Fofinhos), prefiro andar em ônibus urbanos, de banco duro mesmo e sem encosto pra cabeça. Banco fofo e reclinável só me deixa cansado, sei lá por quê.

O concerto era na Igreja São Pelegrino. Uma das mais bonitas em que entrei, com pinturas chocantes no teto inteiro. Como uma igreja normal, não era enorme e, por isso, quando as pessoas começaram a chegar para a missa que aconteceu antes do concerto, fui ficando preocupado. E estava certo. A igreja super lotou, havia pessoas por todos os cantos e por todos os centímetros de chão. Mexer-me lá foi muito difícil. Tinha que ficar atravessando de um lado para o outro por cima do palco e não tinha jeito de fotografar quem estava no meio da orquestra, só nas pontas. E ainda discuti com um dos câmeras da TVCom e mais um senhor, que implicaram porque eu fiquei muito tempo em pé na frente deles tirando fotos. Uma pena não poder mandar ninguém à merda numa ocasião assim.

Quanto às fotografias, tive que fazer um esforço imenso, porque a luz era difusa e fraca. Fotografar com velocidade abaixo de 1/30, sem tripé, se mexendo pra lá e pra cá com velhinhos que te xingam, é sacanagem.

concerto_0611_35.jpg

Quanto ao concerto em si, tava ótimo, melhor que o de Novo Hamburgo. Primeiro porque o cenário era incrível, com as pinturas sacras por todo lado; depois porque eu estava mais tranqüilo e pude perceber mais a música. Mas nada foi melhor do que os 30 minutos que antecederam a apresentação. No salão paroquial, que serviu como backstage, de um lado ensaiavam os metais, de outro lado ensaiavam as cordas, em cada ponta tinha um solista aquecendo a voz e atrás de um biombo vermelho o coral se afinava. Incrível o som naqueles momentos: músicas desencontradas, instrumentos desconexos, vozes altas, vozes baixas... Fiquei até emocionado. Deveria ter gravado.