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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Lucy Mafra agora dá autógrafos

Vi Bárbara Heliodora esses dias na TVE dizendo que é preciso gostar de teatro para escrever sobre teatro. Na hora achei essa uma aformação boba de tão óbvia, mas o editor-chefe da Veja ainda não pensou sobre isso, e coloca gente que detesta televisão para escrever sobre televisão. E pior: para escrever sobre novela que, como sabemos, é um assunto onde se solidificam preconceitos idiotas e rasos, sem sustentação.

Pois bem, a revista falou recentemente sobre o sucesso dos personagens secundários na trama de Glória Perez. Não é uma matéria muito ruim, só dá suas alfinetadas nos protagonistas (as barbaridades que já saíram sobre Débora Secco são incontáveis - não que eu ache ela incrível, mas é sempre a mesma história: o jornalista metido a intelectual esculachando a novela das 8. Ora, vão lamber sabão!), como se numa novela com mais de 70 personagens, a história devesse ficar só em torno de três ou quatro. Bobagem.

Nos últimos dias, uma personagem bem secundária tem, mesmo, chamado muito a atenção, mas fora da novela. Lucy Mafra foi vítima de um grande boato sobre um suposto furto: ela teria pego 300 reais da bolsa de Cristiane Torloni. Não conhece Lucy Mafra? Nem eu conhecia. É aquela que faz a vizinha da Islene, a gordinha que cuida da guria cega e dá conselhos. Pois é, ela virou até capa de revista, todos os programas de fofoca falaram dela, alguns jornais publicaram entrevista, o No Mínimo fez uma grande reportagem, ela foi até no Ratinho falar sobre o assunto. E já assinou contrato com o SBT para uma novela, já que a Globo tá jogando-a pra escanteio e excluiu-a de futuros capítulos, segundo seu advogado (ela tá processando a emissora, sim).

Tudo acontece. Só falta Cristiane Torloni aparecer dizendo que virou cleptomaníaca como sua personagem e roubou a si própria usando uma echarpe, num impulso incontrolável. Não duvido.

Um quase-assalto, nada demais

Estava eu andando na Cide Baixa, sábado, com Billy, eram quase 23 horas. Passamos por um cara que puxou assunto. Papo de quem vai pedir informação. Perguntou se morávamos por ali, se conhecíamos o bairro. Disse que queria chegar na Osvaldo Aranha etc. Papo de quem vai pedir grana. Mas talvez sua conversa não fosse boa o suficiente ou seus motivos não fossem muito convincentes. Então veio com um papo de quem vai assaltar. Disse que tava foragido, que tinha droga e uma arma no bolso. Disse que não ia fazer nada com a gente, nem tava ameaçando, e para provar perguntou nossos nomes e apertou nossas mãos. Papo de amigo. Perguntou quanto a gente tinha no momento. Eu disse que tinha dois reais, Billy mentiu e disse que não tinha nada (mas não pensou em mentir quando o elemento quis saber nossos endereços: "moro ali na outra quadra". Podíamos ter sido seqüestrados). O indivíduo ficou tergiversando, se repetindo, querendo fazer ameaças furadas, muito chato. Papo de esclerosado. Perguntou se eu conseguia os dois reais pra ele. Abri a carteira e fui dar, aí pulou outro real pra fora e eu dei os três. Ele agradeceu, apertou nossas maõs de novo e se foi.

Achei interessante. Não fiquei apavorado, nem com medo, nem nada. Ele chegou conversando, com seus olhos narcotizados e olheiras aroxeadas, não tava a fim de fazer nada estranho e nem poderia, ali no meio de 50 pessoas passando por minuto. Escutei, achei de bom tom ajudar e pronto. Se o cara tava mesmo fugindo da polícia, ou não, se tinha mesmo uma arma, ou não, não interessa. Ele precisava de uma ajuda e eu ajudei. Tava com grana, não tinha muito problema em dar três pilas pra alguém que precisasse mais do que eu (apesar de ficar pensando nas milhares de utilidades que aquele dinheiro poderia ter em minhas mãos). Aliás, sou meio bobo e quase sempre dou bola para as pessoas. Não consigo ser mal-educado e virar o rosto quando falam comigo como se nada acontecesse. Obviamente, se eu percebesse perigo não teria ficado, mas o cara, apesar de (muito) nervoso, não parecia mau. Se eu precisasse de uns reais pra comprar crack, gostaria que alguém me ajudasse também.

Boi, boi, boi... Boi da cara preta

Tenho acordado cedo. Bem cedo. Vejo quase sempre o Globo Rural. Sei de cor o preço do boi rastreado e conheço uma receita supimpa de um fertilizante que leva na composição leite, esterco e casa de cupim viva. Além dessas pequenas coisas, tenho visto bonitas matérias sobre coisas sérias, como a seca no norte e a febre aftosa.

A respeito desse último assunto, quinta ou sexta-feira um repórter fez uma longa reportagem sobre o impacto social nas cidades interditadas. Foi bastante interessante ter conhecimento de como estão as coisas por dentro, e não apenas saber que os exportadores vão perder não sei quanto até dezembro.

Bom, na reportagem, ele foi num assentamento perto de um dos focos. Lá, falou com uma família de pequenos agricultores que têm umas 40 cabeças de gado leiteiro. Vão ter, provavelmente, que matar todos eles, mesmo nem um apresentando a doença. O agricultor conversava com uma saudade antecipada de suas vacas que possuem, cada uma, um nome. E, enquanto sua esposa falava sobre as dificuldades que eles estavam passando e iriam passar mais ainda se a morte dos bovinos se fizesse necessária (e vai ser), o menino filho deles chorava baixinho, de cabeça baixa, a seu lado. Deveras comovente.

Smashed turtles and the slackerbitch

Dia bonito hoje, fui dar uma volta no gasômetro, acabar de ver a Bienal na Usina, que não pude ver quinta-feira por causa de grupos incontrolados de adolescentes.

Na estrada que margeia o rio, uma tartaruga atropelada, completamente esmagada, pedaços do casco por todos os lados. Algo triste, talvez, mas bastante interessante graficamente. Melhor que muita coisa na Bienal.

Mais tarde, casais desavisados tiravam fotos de seus filhos junto a uma bruxa que distribuía panfletos de um sexshop.

E eu, comendo os kibes que fiz. Sem farinha, mas ótimos.

Avião e mortos-vivos

Não gosto de filmes de animação. Não porque não goste de animação por si própria, mas porque geralmente são filmes com idade mental de aproximadamente 12 anos. Isso não é mau, já que se destinam a indivíduos com aproximadamente 12 anos, ou menos. Como eu já tenho 24, há outras coisas que me interessam mais do que a historinha do robozinho, do monstrinho, do esquilinho, do ursinho ou do dinossaurozinho. A última animação que eu havia visto no cinema tinha sido Procurando Nemo (e antes disso, só O Rei Leão, em 1994). Vi, gostei, ri, achei algumas idéias muito boas, mas não voltei para ver os pinguinzinhos nem os alienigenazinhos, pois considero que há muito mais coisas que o cinema pode me oferecer. Há tempos já não leio Turma da Mônica, não tem porquê eu ir assistir o filme do cachorrinho, do galinho ou do coelhinho.

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berinjela da sorte

Minha lasanha de berinjela ficou ótima. E deu sorte. Apareceram trabalhos fotográficos para fazer. Cozinharei berinjela mais vezes.

Outra coisa: quem quiser um filme bom pra ver não vá ver A Noiva-cadáver. Amanhã me alongo no assunto.

pois é...

Estou sem inspiração para escrever no blog. E também estou sem internet em casa. E também estou triste. Vou fazer lasanha de berinjela hoje.

Cuidado com Dypraxa

ralph.jpg

O Jardineiro Fiel é um filme com Ralph Fiennes. Depois de O Paciente Inglês e A Lista de Schindler, era um ator que eu admirava bastante, mas me cansei dele. Com excessão de Dragão Vermelho, em que é um frio assassino com lábio leporino, ele usa sempre a mesma cara. Talvez no novo Harry Potter isso não seja verdade, já que deve estar sob alguma incrível maquiagem.

O Jardineiro Fiel é um filme de Fernando Meirelles. Muito mais interessante do que Água Negra, do Walter Salles. Mais substancioso. Mais relevante do que histórias de fantasmas que se manifestam numa mancha escura no teto.

Escrevi sobre O Jardineiro Fiel aqui. Lê lá.

Chico Buarque também

Dia 23 então haverá o referendo. Estou de saco cheio de toda a propaganda na televisão. Eu voto SIM, e a propaganda do Não me faz sentir um idiota canalha. Já a propaganda do Sim me faz sentir um ingênuo pronto a abraçar a lagoa pela paz, como já falou Jô Soares.

Arma me assusta. Para que serve um revólver? Para que pegamos aquilo na mão? Simplesmente para matar, para tirar a vida de outra pessoa, e acho isso bastante terrível. Ok, essas coisas existem há bilhões de anos, mas não creio que pessoas comuns devam ter isso em casa.

É ótimo que se façam leis proibindo coisas. No Brasil todo mundo acha que pode tudo, por isso é uma zona. Acho muito apropriado que se proiba a venda de armas, assim como acharia bom que se proibíssem a venda de cigarros, de celulares com câmera e de caixas acústicas para automóveis. O direito de alguém ter uma arma ou fumar não é maior do que meu direito a não ser baleado ou de não ter câncer na traquéia.

Deixo aqui um trecho de um texto da Soninha (que agora assina Soninha Francine e eu acho muito estranho), disponível no site do SIM:

"Mas é importante deixar claro que quem defende a proibição do comércio de armas não "viaja" em um mundo ideal, de paz e solidariedade entre todos. Sonha com isso, sabendo que é impossível -- e faz o possível para diminuir as possibilidades de sofrimento. Por isso, é importante levar em consideração os fatos, a realidade. E a realidade, insisto, é que armas "legais" vão parar MUITO nas mãos dos bandidos, e que armas "legais" também são disparadas por cidadãos comuns e matam gente a torto e direito. Menos armas, menos riscos - é nisso que eu acredito, é por isso que eu vou votar SIM, pela proibição do comércio."

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