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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Fotos da Farra de Teatro

farra3.jpg

Já estão disponíveis as fotos que tirei na Farra de Teatro do Gasômetro, no domingo dia 25. Tem fotos em P&B e a cores. Como eu já disse aqui, o cenário não era tão promissor quanto o da Farra anterior, que aconteceu no anfiteatro pôr-do-sol. A usina é toda azul e cinza e não tem uma luz legal ali naquela pracinha. Tem fotos boas, tem outras meio ruins, como em tudo que se faz. Disponibilizei todas num primeiro momento, depois eu edito e coloco um link dentro do meu site.

Para quem quiser ver vai em http://www.egnunes.pop.com.br/farra_teatro.htm

Deveria pôr um link para lá, mas não to a fim de colocar o código html agora. Só colem o endereço no navegador e vejam.

E as folhas furadinhas?

Semana passada o Gilberto Barros encheu o saco durante duas horas com o assunto daquelas folhas de goiaba com imagens de Nossa Senhora, que eu tinha comentado aqui. Desde aquele dia ele não tocou mais no assunto. Assim não é possível. Fiquei curioso. Outras pessoas ficaram também, porque vários entraram aqui no blog procurando por esse assunto. E o Padre Quevedo cadê?

E para quem entrou aqui procurando fotos da Farra de Teatro, acontecida no domingo, aviso que colocarei as fotos em meu site ainda esta semana. Foi ótimo, pena que o cenário não era tão proveitoso quanto o anterior. E a sombra enorme da Usina no final da tarde me fez ficar com muito frio.

Só vai haver mais uma exibição

Ontem, no Santander Cultural, assisti a São Bernardo, lançado em 1972, dirigido por Leon Hirszman, baseado no livro de Graciliano Ramos.

sao-bernado.jpg

É um belíssimo filme, bem diferente de tudo. A direção de fotografia de Lauro Escorel, espetacular, dá preferência à câmera parada em planos bem abertos. Vemos os personagens se mover, entrar e sair de quadro, sempre no mesmo (e bonito) enquadramento. Isso, aliado aos poucos cortes (vários planos sequências bem longos), dá uma atmosfera e um ritmo muito próprios ao filme. Além disso, o texto genial do Graciliano, é por vezes engraçado e por vezes trágico. Sem falar em Othon Bastos, perfeito na pele de Paulo Honório.

Só haverá mais uma exibição, dia 02 de outubro, próximo domingo, às 17h. Vá lá ver, não importa o que aconteça. Vá, sim.

Camila Pitanga tem um orgasmo na primeira cena

Assisti ao Sal de Prata, novo filme da Casa de Cinema, dirigido pelo Gerbase que, além de ter sido vocalista dos Replicantes é professor da Puc. Gostei o suficiente para escrever uma crítica bem positva. Lê lá.

sal1.jpg


Antes de assisti-lo eu pensava: "vou detestar Maria Fernanda Cândido". Sempre achei ela artificial e fria. Ok, já que Gerbase deu um jeito na Maitê Proença em Tolerância, deu um jeito na Fernanda Cândido também. Ela pode ainda me soar um tanto fria e distante, mas não faz feio. Contudo, Camila Pitanga tá melhor.

Nada mais a considerar, a não ser duas coisas: a direção de arte é bacana e tal, mas erra numa coisa, em minha opinião. A personagem da M.F.C. é uma economista rica, que não liga pra cinema. Então como ela tem, na parede de seu apartamento ultra-moderno, uma enorme (enorme!) foto em preto e branco de pernas de pessoas pobres e mal-vestidas, num estilo Sebastião Salgado? Tudo bem que ela tivesse pinturas (e tem), tudo bem que tivesse fotos de golfinhos ou tigres asiáticos, mas nada a ver ela ter uma foto jornalística-de-gente-necessitada. Se fosse no quarto do namorado dela, que mantém um livro de Helmut Newton na escrivaninha, tudo bem.

 Outra coisa: apesar de ser achincalhado por alguns críticos do centro do país por causa de, em Tolerância, os personagens falarem como as pessoas falam aqui em Porto Alegre (tu quer, tu vai, tu leu), Gerbase mantém essa conjugação dita errônea em Sal de Prata. Dou os parabéns, afinal se o filme se passa aqui, as pessoas devem falar como aqui se fala. Se o filme se passasse na Bósnia, seria diferente. Na época do Tolerãncia, o crítico do site da revista Superinteressante (que era gaúcho, mas era publicitário - Deus, perdoai-o) escreveu barbaridades sobre os "tus", dizendo que era um filme só pra passar na província, que o resto do Brasil não ia aceitar, que era errado e feio e sei lá mais que absurdo. Por isso, vou escrever aqui palavras de Gerbase sobre o assunto (tá tudo no material de imprensa):

Em nome de uma suposta adequação gramatical, comete-se um erro de roteiro. Erros de verosimilhança são muito mais graves que erros gramaticais. (...) A universalidade de uma história depende dos seus elementos dramáticos, da sua estruturação, de sua vocação para o diálogo com todos os públicos. E não da combinação de um pronome com um verbo. E mais uma coisa: se a idéia é atingir todo o planeta, parece uma boa tática começar com seu bairro. Quem não é entendido na sua esquina dificilmente passará a fronteira com o Paraguai. (...) O império do "você", que se estende do Oiapoque ao Mampituba, e que já ameaça Torres, deve ser detido a qualquer custo.

Aliás, Porto Alegre está linda no filme. Mas exagera-se um pouco quando, no final, as personagens vão conversar no pórtico do cais do porto. Fica lindo ali, o negócio de vidro no pôr do sol. Só que quem mora aqui sabe que ninguém vai conversar lá. Tem uma guarita no portão e os guardas mandam tu pegar uma autorização pra poder circular.

Prendas engraxadinhas

Aproveitando o último dia do acampamento farroupilha, um jovem casal (gaúcho e prenda devidamente paramentados) andam naqueles carrinhos pedalantes ali no gasômetro. Pedalam 20 metros e a guria grita:

- Pára! Pára! Fiquei presa!

O rapaz pára o veículo e desce. O vestido azul da prenda enroscou-se completamente na correia dos pedais. O guri olha.

- Bá! E agora?

Fica puxando para arrancar o vestido de lá. Pessoas tentam ajudar. Chega outro carro pedalante, com mais um casal vestido folcloricamente. A outra guria, toda de verde, começa a rir.

- Eu levantei meu vestido. Não sou debilóide!

Fazem estratégias mil, nada dá certo. O segundo casal se cansa e vai embora, pedalando. A prenda presa supira, cruza os braços, dá voltas em torno de si mesma. Seu par, tirando a correia, consegue desmantelar o emaranhado. Eles voltam a pedalar. Metros mais adiante, o outro casal, também parado no meio do caminho. A menina de verde, recém desprendida, diz bem alto:

- Eu também! Eu Também!

Eles riem. A guria de azul mostra sua roupa:

- Olha como tá meu vestido!

A parte de baixo toda preta, repleta de graxa. A guria de verde, desiludida:

- O meu tá igualzinho.

Dali, foram para o acampamento, tentando esconder a sujeira em seu traje de 300 reais.

Virgem Maria adora goiaba

Agora, Nossa senhora manda mensagens em folhas de goiabeira. Estava vendo o Boa Noite Brasil, na Bandeirantes. Não peguei o início, mas pelo jeito é assim: há anos, as folhas do pomar de uma igreja aparecem furadas, formando imagens da Virgem Maria. Um trabalho muito bem feito: são furinhos pequeníssimos e desiguais, formando figuras humanas, raios divinos e coisas do tipo.

Quem fez? Há um perito em furos ("estudo furos há quarenta anos") que diz que formigas fizeram, sob influência de Deus. O perito é muito parcial, disse que tudo isso é o exagero do milagre (o milagre em excesso, ele quis dizer, ou seja: muito milagre numa coisa só) e que Nossa Senhora aprendeu nossa língua sem curso, indo direto do hebraico para o português (pois apareceu uma folha onde se lê PAS) e, assim, pode se enganar e usar S em vez de Z..

Padre Quevedo, pelo telefone, já ridicularizou tudo, dizendo que Deus não escreve com erro de ortografia, as mãos dos desenhos são ridículas e as cabeças parecem de ratos. "É truque! É truque!". Ele irá lá esta semana.

Já devem estar agendando romarias de todo Brasil. Pessoas absurdas me divertem. Não posso perder o próximo capítulo.

Farra no gasômetro

Surpreendido, encontro na Usina do Gasômetro ontem à tarde, as pessoas ensaiando para a próxima Farra de Teatro. Eu fotografei a primeira, que aconteceu durante o Fórum Social. Quem já teve o prazer de entrar no meu site, pôde ver as fotos. Na época, foi chamada de Maratona Teatral, porque eles ficaram (os atores, sob coordenação do Depósito de Teatro), ficaram horas sob um sol de mais de 30 graus, correndo, dançando, interpretando.

O negócio é assim: vão tocando músicas e eles vão dando forma a cada uma delas. Durante o Fórum a coisa durou mais de quatro horas (5, 6, não sei direito). Dessa vez não sei quanto vai durar, talvez não seja tanto. Eu não sabia nada a respeito no dia que aconteceu a primeira; estava distraindo, seguindo um grupo de maranhenses vestidos com roupas folclóricas, quando cheguei no anfi-teatro pôr-do-sol e percebi aquelas dezenas de pessoas empenhadas em interpretar as canções. Fotografei um pouco e fui dar uma volta no Parque Marinha. Uma hora depois, eu voltei e eles continuavam lá. Aí vi que o troço era sério e fiquei até o fim. Tirei trezentos milhões de fotos. Foi uma ótima experiência.

O espetáculo é lindo, e pode parecer estranho no começo, mas quando pega-se o espírito da coisa, fica-se preso esperando o próximo passo. As músicas também são muito significativas. Na primeira edição, minha preferida foi Solidão, do Alceu Valença, cantada por uma voz feminina que nunca descobri quem é. Lindíssimo. Havia também Chico Buarque cantando "é a parte que te cabe neste latifúndio", enquanto eles andavam e iam caindo ao chão, como se morrendo. Foi ótimo fotografar esta, embora eu tenha ficado surpreso com as pessoas despencando de repente.

farra.jpgfoto: Ederson Nunes

Outra coisa que me deixou surpreso foi o último número, em que todos perseguem uma das atrizes, negra, xingando-a, jogando coisas nela; então arrancam sua roupa e ela fica nua, apavorada, como num linxamento. Daí, um por um, os outros vão tirando a roupa também e formam um círculo. Achei lindo, fiquei chocado e me esqueci de ajeitar o foco da câmera.

Por falar em atriz negra, uma das músicas é Elza Soares cantando "a carne mais barata do mercado é a carne negra". Então, os atores se chegam ao público e ficam oferecendo-se, como se estivessem num mercado mesmo. Expõe seu corpo, dizem o preço, pedem pra levar pra casa. Não esqueçam: é só representação. Se alguém agarrar um dos atores, tem polícia por perto.

A Farra Teatral acontece, então, neste domingo à tarde, na Usina do Gasômetro. Caso chova, vai ser dentro, se não, será ali fora.

Fale agora ou...

Entrevistas são interessantes quando o entrevistado tem o que dizer. É óbvio. Não é exatamente o que se vê por aí em todos os programas desse tipo. Jô Soares, por exemplo (e só pra pegar o mais evidente), leva em seu programa muitas pessoas que não tem nada de proveitoso para expor. Vão lá divulgar coisas, mostrar sua inteligência, dizer que são diferentes, martelar idéias e opiniões já difundidas. Tudo bem, são três entrevistas por dia, não é fácil ser sempre criativo e interessante.

Então, quero destacar duas entrevistas que eu vi esta semana na televisão. Primeiro, sexta-feira, no sempre ótimo Conexão Roberto Dávila. O entrevistado era Edu Lobo e ele falou sobre música e música e música. Ótimo. É um programa que marca não só pelos entrevistados de nível, mas também pelo entrevistador, que domina o assunto de que está tratando.

clod.jpg Foto: Esther Rocha

Segundo, Clodovil sendo entrevistado por Gugu dentro de uma catedral. Clodovil está com câncer, agora todos querem conversar com ele. Ele se julga o próprio messias, o salvador da Terra. Fala sem parar e dá voltas e voltas em suas respostas, sempre jogando Deus no meio. Mesmo assim, é fascinante, porque realmente ele acha que tudo que ele diz é a verdade absoluta. A entrevista demorou bastante no ar, talvez meia hora, o que é algo não muito comum no Domingo Legal, creio eu - e venceram o Faustão na audiência.

Gugu até parecia gente, falando coisas sérias e perguntando inteligentemente algumas vezes. Entre vários delírios e barbaridades que Clodovil falou ("eu expeli metade do meu câncer quando eu urinei"), esteve uma frase muito marcante e, creio eu, verdadeira. Ele disse algo como: "Se Jesus Cristo retornasse, nós o crucificaríamos de novo, e dessa vez de cabeça para baixo. Não pense que nós mudamos". Legal, não é?

Títulos bons, outros melhores

Leio a Veja, mas porque tenho acesso a ela pelo site, não porque gosto exatamente. Aliás, procuro não ler a sessão política para não me indignar. Como cultura é o que mais me interessa, sempre leio as matérias, e na edição do site desta semana, há títulos magníficos. Primeiro, para a reportagem sobre o mais conhecido artista da música eletrônica. É assim o título no índice: Moby, o chato de galochas. Já na página da reportagem a manchete é Cala a boca e toca.
Logo abaixo, no índice: Novos filmes americanos são uma porcaria. Acho graça, mas concordo. Nunca vi tanto filme ruim estreando por aí. Na matéria sobre programas de tv da tarde: Revire-se, Freud.

Aproveitando o ensejo, compartilho uma informação difícil de acreditar, mas que é verdade: Moby é descendente do autor do livro Moby Dick (sabe, aquele da baleia?). Por isso seu apelido, que vem de criança.

Passando para a Istoé, o prêmio de melhor título da semana. No texto referindo-se a Avril Lavigne, que faz shows no Brasil nos próximos dias, sapecam lá: Xuxa punk.

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