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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Sarita existiu

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Minha vida foi repleta de gatos. Quando pequeno, morando numa casa grande, num pátio enorme, vivia cercado de bichos: os patos, gansos, galinhas, periquitos, canários e cachorros do meu avô, e os gatos de minha vó. Em certa época, quando meu vô tinha cerca de 17 gansos barulhentos, que às vezes voavam em bando em frente a nossa casa, minha vó contabilizava 14 gatos. Eu sempre me dei bem com todos os animais e tive meus cães, coelhos e garnizés, mas talvez os gatos tenham me marcado mais, pelo simples fato de serem limpos e poder ficar dentro de casa, enquanto os cachorros estavam sempre sujos, fedendo e repletos de pulgas mal-intencionadas.

Dos gatos que já tive, talvez a mais importante tenha sido a Sarita, que nasceu quando eu tinha uns 9 anos. Era muito inteligente: conseguia fazer as 4 manobras necessárias para se abrir a porta da sala. E era meio chata também: ficava miando insistentemente atrás de mim, sempre me afofando quando vinha pro meu colo e às vezes cravando os dentes no meu queixo, possuída por alguem espírito de javali. Seu nome veio do personagem de Glória Pires em uma novela da época, O Mapa da Mina. Essa foto, comigo apertando o pescoço dela para que ficasse quieta, foi tirada por ocasião de meu aniversário de 11 anos. Na verdade, a foto foi tirada vários dias depois da festa, não lembro o porquê. Por isso estou usando uma manchada calça de moleton e não a bermudinha azul abominável que eu usei na data exata.

Sarita viveu por muitos anos.

Quando eu já não morava lá, ela sofreu uma doença, algo como um câncer no rosto: seu nariz foi desaparecendo de uma forma que devia doer muito. Não levei ao veterinário porque não tinha a mínima condição fianceira e também porque, como já não a via todo dia, dava pra não ficar muito culpado com isso - e mesmo assim eu fiquei. Além disso, as pessoas de lá (meu pai, avós etc..) nunca viram um veterinário na vida e só sabem comprar alguma injeção para tacar nos bichos. Não sei exatamente como ou quando ela morreu. Acredito que não tenha deixado descendentes, pois me lembro que ela comia seus filhotes.