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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Histórias de filho único não têm graça

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Estas são Helen, Graziana e Luciane. Fomos almoçar no shopping DC Navegantes, num restaurante bonitinho chamado Tomatto. O único garçom tinha menos humor do que o Garoto Enxaqueca. Na mesa, entre outros assuntos, elas foram falando se suas experiências com os irmãos (ou primos, no caso da moça de manta azul). Histórias incríveis que eu, como filho único e sem grande convivência com outras crianças em quem eu pudesse bater não pude compartilhar. Dentre tantas histórias, destaco três:

Graziana no quarto com os três primos. De repente, na janela, surge o Papai Noel. Todos fogem apavorados, mas ela tropeça e cai. As outras crianças passam por cima e ela fica estatelada chorando, sendo observada pelo Papai Noel.

Helen pegou um cinto com uma pesado fivela de metal e, sorrateiramente, deu uma chicotada no irmão mais novo. A fivela pegou certeira, o guri ficou vermelho e começou a berrar. Nervosa, ela também começou a chorar. Os pais não bateram nela nem a penduraram de cabeça pra baixo no quintal, pois viram que ela já tinha aprendido a lição ensinada por Jesus: "não machucarás com cinto".

Luciane, assassina, pegou uma machadinha e saiu correndo atrás do irmão. Cortou o garoto em quatro pedaços, botou num saco plástico e enterrou no jardim. Hoje está foragida. (Essas duas últimas frases não sejam exatamente verdadeiras. Tenho que protejer sua identidade secreta...).

Eu só fui ter um irmão depois de crescido. O Nicolas mora em Rio Grande, não nos vemos muito. Na minha infância tive contato com meus primos, mas todos eram sem graça e não me proporcionaram essas histórias de sangue e tortura.

Quando eu tinha seis anos nasceu minha prima, Brisa. Ela ia com muita freqüência lá em casa, com sua mãe sádica. Nós não nos dávamos muito bem, porque eu tinha ciúme dela e ela tinha ciúime de mim. A lembrança mais quente que eu tenho de nós dois é quando brigamos para decidir quem ia ficar dentro da caixa da geladeira. Ela me puxava os cabelos gritando e eu socava a barriga dela. Se eu tivesse um irmão, poderia ter feito isso todos os dias.