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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Batman inicia

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Nunca gostei do Batman. Junto com o Super-Homem ele lidera o time dos heróis que não matam os bandidos; muitas vezes, ao contrário, até dão a mão para eles quando estão caindo de um prédio ou montanha; os prendem; e meses ou anos depois têm que enfrentá-los novamente quando os meliantes fogem da prisão ou retornam do exílio. Assim, sempre preferi os X-Men, que são depressivos, complicados, têm um passado obscuro e não exitam em matar quem incomoda a paz alheia (ok, estou exagerando um pouco, afinal eles são mutantes mas são limpinhos).

Os filmes anteriores do Batman não me ajudaram a esquecer essa má impressão. Aliás, Batman, Batman - O Retorno, Batman Eternamente e Batman e Robin são peças publicitárias aumentadas. Divertidas, transvestidas, coloridas, mas sem nada pra dizer a mim. Com excessão da mulher-gato de Michele Pfeifer, todo o resto poderia desaparecer da história do cinema (incluindo aquii o queixo do Val Kilmer e os mamilos na roupa do George Clooney - sem mencionar o patético Schwarzenegger pintado de azul).

Esperava algo melhor de Batman Begins, afinal o diretor é Cristopher Nolan (o cara que fez Amnésia e Insônia, dois filmes merecedores de muitos adjetivos elogiosos que não vêm ao caso). No entanto, se eu dissesse que é melhor do que os outros eu estaria mentindo (excluo dessa comparação Batman e Robin, que pretendo um dia esquecer que vi). O filme é mais sombrio, o filme é mais sério, o filme é mais real (Gotham parece uma cidade e não um assustador quadro expressionista, por exemplo). O filme é mais várias coisas, mas se perde. Ou me perde. Longas cenas de luta e carros rangendo os freios nas autopistas me cansaram tanto quanto Matrix Reloaded. Bandidos tentando acabar com a cidade e sendo combatidos ferozmente pelo Homem Morcego sinceramente enchem meu saco.

Não quero mais falar disso. Mas gostei porque, a certa altura, Batman diz que não vai matar o bandido, mas não precisa salvá-lo também. E deixa ele morrer. Estamos evoluindo. Na seqüência, em vez de O Espantalho, vai enfrentar O Coringa. Vai ser difícil superar Jack Nicholson na pele do mesmo personagem. Melhor não dar muito destaque pra ele no roteiro.

Meus sobrinhos papeleiros

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Domingo acordei na madrugada das oito e meia da manhã para poder ir na Vila dos Papeleiros. Fazer o que lá? Ih, não sabia exatamente. Eu ia tirar fotos. Graziana tinha me chamado e eu não ouso nunca recusar um convite seu depois que ela ganhou uma super manta azul da Helen.

A tal vila fica na zona norte de Porto Alegre, numa região em que eu nem desconfiava que existia vila, quanto mais empresas e até um shopping onde almoçam pessoas. É como um condomínio fechado: tem portaria, segurança e pessoas responsáveis. O chão é forrado de brita. As casas são rebocadas, sem pintura.

Crianças e cachorros é o que mais há. Essa menina da foto é a Renata (talvez seja outro nome, não lembro bem). Ela queria ser fotografada para aparecer na televisão.

Aliás, fui assediado por crianças a tarde toda. "Tio, tira uma foto de mim!" elas pediam, às vezes pediam e puxavam ao mesmo tempo. Vou mandar algumas fotos para as crianças cujos endereços eu anotei. Tenho fotos da Valéria, da Dienifer e da Prisciele.

Prisciele estava com um vestido de prenda muito usado, sem armação, branco e amarelo, encostada numa parede. Ficou contente em tirar uma foto.

A Rainha e São Pedro

Hoje é dia de São Pedro. É feriado na minha cidade, Rio Grande. Para conseguir esse feriado municipal, lá tudo funciona normalmente em dia de Corpus Christ. São Pedro é padroeiro dos pescadores, por isso é o protetor da cidade. A catedral rio grandina, a mais antiga do estado, tem o nome do santo. É en estilo barroco. A mais sem graça que eu conheço.

A Rainha Elizabeth saiu num navio de gala hoje em mares ingleses para passar em revista mais de cem embarcações de guerra em comemoração ao bicentenário da batalha de Trafalgar.

Nada a ver com São Pedro, mas em Rio Grande vai haver (já houve até) uma "barqueata" com os pescadores. Em vez da rainha, o bispo. Quase igual. Mas ele não vai usar um chapéu esvoaçante.

Há duas décadas, na sua casa

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No mês de junho de 1985 (portanto há vinte anos), estreava na Rede Globo a novela Roque Santeiro. De problema, a obra de Dias Gomes torneu-se dádiva. Problema porque a mesma novela, que era baseada em uma peça do autor, O Berço do Herói, havia sido proibida pela ditadura em 1975, mesmo depois de a sinopse ter sido aprovada e por volta de 36 capítulos terem sido gravados (mudaram os censores, mudou a forma de avaliar o trabalho). O departamento artístico da Globo (na época chefiado por Boni e Daniel Filho) se mobilizou para tentar a liberação, mas não teve remédio: nada pôde ir ao ar, dando um prejuízo imenso para a emissora.

O que se faria, então, para substituir Escalada, de Lauro Cesar Muniz, que acabaria em breve? Sem outro remédio, pela primeira vez a Globo reprisou uma novela em seu horário mais nobre: Selva de Pedra, de Janete Clair, voltou ao ar, em versão reduzida, enquanto uma outra novela era produzida às pressas, com o elenco de Roque Santeiro. Seria Pecado Capital, da mesma Janete Clair.

Roque Santeiro, asssim, só foi ao ar dez anos depois. Nos papéis principais estavam Regina Duarte (em vez de Betty Farias), Lima Duarte e José Wilker. Foi o maior sucesso da tv brasileira da década de 80 e uma das maiores audiências da Globo de todos os tempos. Quando a novela reprisou pela segunda ou terceira vez, em 2000, eu, que já havia assistido quando criança, pude perceber o porque do sucesso: realmente, a novela era miuto boa. Desde o texto crítico, ácido, debochado, absurdo, até as interpretações fantásticas e memoráveis dos atores (além dos já citados destacavam-se, por exemplo, Ary Fontoura e Eloisa Mafalda, como Seu Flô e Dona Pombinha, Cláudio Cavalcante como o "padre comunista", Armando Bogus como o Zé das Medalhas e Cássia Kiss como sua esposa, a Dona Lulu), tudo era bem acima da média. Numa época em que as novelas estavam em crise, foi um marco do gênero.

O centro da trama era a história da cidade de Asa Branca que cresceu e prosperou sobre uma mentira: o mito do herói Roque Santeiro, que teria enfrentado sozinho um bando de cangaceiros que invadiram a cidade e, por isso, teria sido morto. Além disso, passou a fazer milagres e foi considerado santo pela população local. A região vivia dessa lenda, explorando desde venda de medalhinhas e imagens para os turistas até a possibilidade de se banhar nas lamas milagrosas onde Roque teria aparecido para a menina Lulu. No entando, eis que surge o prróprio Roque Santeiro, 15 ou vinte anos depois, vivinho da silva, e coloca em risco tudo o que a cidade construíra até ali (na verdade ele não enfrentara nem um cangaceiro - havia fugido com medo). Se a mentira fosse descoberta, todos seriam desmascarados (o coronel Sinhozinho Malta, o prefeito, os empresários e inclusive Porcina, que não era realmente a viúva de Roque). A novela é construída sobre esse conflito: verdade e mentira, honestidade e corrupção, sinceridade e fingimento.

No final da peça, Roque Santeiro é assasinado pelos poderosos de Asa Branca, que assim podem continuar vivendo da lenda mentirosa. Mas, como novela não é teatro (nem deveria ser), na obra televisiva Roque Santeiro concorda em ir embora, mas antes dando um jeito de arrumar um pouco as coisas. Sinhozinho Malta e Porcina ficam juntos e felizes, Zé das Medalhas morre soterrado em suas medalhas, Lulu, que antes era prisioneira do marido, liberta-se (e acho que se casa com o padre - ?), um novo prefeito é eleito, o lobisomem parece que fica com a dançarina (Ruy Rezende e Cláudia Raia).

A novela, apesar de ser da obra de Dias Gomes, foi apenas metade escrita por ele. A outra metade saiu das mãos de Aginaldo Silva, que hoje em dia escreve coisas tipo Senhora do Destino (vomitável...).

Até os gigantes derretem

Picolé gigante derrete e inunda as ruas de NY

A tentativa de colocar o maior picolé do mundo em uma praça de Nova York terminou em desastre. O doce de 7,6 metros de altura e 17,5 toneladas derreteu mais rápido do que se esperava, INUNDANDO O UNION SQUARE, ontem em Nova York. Os bombeiros tiveram que fechar várias ruas e utilizaram mangueiras para sugar todo o líquido nos sabores morango e kiwi.

(Noticia no portal Terra)

Puto escreve puto no chão

Rodrigo:
um menino de uns 9 anos no máximo escreveu na calçada Puto...com um giz...
Ederson:
ele queria escrever o nome do cachorro do mickey
Rodrigo:
queria nada...deve ter se sentido o máximo escrevendo uma palavra tão feia
Ederson:
não é tão feio. é até musical: "puto". bonito
Rodrigo:
nada bonito, mas pra ele é algo proibido
Rodrigo:
e depois uma véia q mora no prédio e q anda sempre com uma outra véia parou e leu...achou um absurdo...depois o jardineiro jogou água em cima e apagou
Ederson:
o q tu falou dava uma crônica bacana
Rodrigo:
eu sei..por isso eu falei
Ederson:
não vou roubar tua experiencia. escreve.
Rodrigo:
eu naum...diz q um amigo autorizou, inventa algo em cima disso tb

(conversa no MSN - lembrando que em Portugal "puto" é o mesmo que garoto - por isso o título; eu não estou xingando a criança.)

Nothing´s gonna change my world...

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Fui ao teatro. Nem queria escrever a respeito, mas pensei que há tão exíguos lugares na internet onde se pode ler uma opinião a respeito de teatro que resolvi dizer o que achei. Pode ser útil pra quem quiser assistir a peça, que vai estar em cartaz ainda hoje e amanhã, no Theatro São Pedro.

Bom, a peça é Baque, do norte-americano Neil Labute, dirigida por Monique Gardenberg. É assim: 3 monólogos (na verdade o do meio tem dois atores, mas eles não dialogam, o que acaba sendo um monólogo também). Nunca tinha visto monólogo dramático. É bastante incômodo. Os atores falam olhando ou pro nada ou pra platéia. Não há descanso, não há a resposta. É eles lá e nós aqui. O primeiro monólogo é com Emílio de Melo. Ele sentado em uma cadeira, num bar, conversando com um homem (nós, no caso). Ele conta um pouco sobre sua vida de executivo. Nada me comoveu (tava achando bem chato, inclusive) até que ele começa a falar da esposa, da filha recém-nascida. E da morte da filha recém-nascida. E depois ele esclarece um pouco mais a morte da criança. E ainda um pouco mais. Ficamos desconcertados. Primeiro baque.

O segundo é com Carlos e Débora Evelyn. Não falam entre si, mas contam a visão de cada um sobre o que aconteceu. São pessoas felizes, festidos para uma festa que aconteceu no Copacabana Palace. Eles falam sobre seu relacionamento amoroso (namoram há seis anos e vão ficar noivos), sobre a viagem que fizeram para o Rio com uns amigos. Falam sobre a festa. Ele fala sobre o que fez depois da festa. Fala sobre um homem na praia. Sangue na camisa. Um anel de ouro. Segundo baque.

O terceiro é Débora Evelyn frágil, magra, linda, sentada em uma mesa em uma delegacia, falando sobre o que a levou até ali. Ela chegou algemada, logo sabemos que provavelmente não foi ela a vítima. Bom, de certo modo, talvez até tenha sido. “Esta história não tem nada de especial. A única coisa interessante nela é que aconteceu comigo”, diz ela. Então conta sobre o abuso que sofreu do professor no aquário de tubarões. Depois, do beijo que deu nela no carro. Da relação que eles mantiveram, do filho que ela teve. O homem foge. Ela cria o filho. Catorze anos depois de reencontram, num hotel, os três. Billy Holliday no toca-fitas. Terceiro baque.

As três histórias são muito angustiantes, porque começam falando de banalidades e te arrastam até a sordidez humana. Todos os atores estão ótimos. Entretanto Débora, na última parte, não fica muito natural. Ela força a voz e o vocabulário, porque sua personagem é uma mulher dura e sofrida, mas não chega a convencer como sua personagem anterior. Mesmo assim percebemos todo o esforço que ela faz, como ela se dá pro papel (tanto que na hora dos aplausos ela aparentava estar exausta - e triste), todo sua linguagem corporal fortíssima, mesmo ficando o tempo inteiro sentada (de perna aberta numa minissaia de brim - as calcinhas brancas aparecendo).

Peça interessante, um exercício de paciência (monólogos cansam, às vezes são bem monótonos...) e compreensão (como entendemos - se entendemos - aquelas pessoas? Elas são ruins? O que é uma pessoa "ruim'?). Três cenários simples e bonitos de Isay Weinfeld. Na terceira parte, Débora Evelyn fuma algumas vezes enquanto fala. A fumaça vai lentamente se dispersando, como um balão inchando de ar, diluindo-se sob a luz branca do holofote.

Um baço chora

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Tenho um primo chamado Guilherme. Quando ele nasceu minha tia já estava separada do meu tio, embora vivessem juntos. Na família especula-se que o pai dele é outro homem.
Tenho um primo chamado Guilherme. Tem cabelos loiros muito lisos. Na minha família quase todos têm cabelos negros. Ele se destaca nas fotografias.
Tenho um primo chamado Guilherme . Ele mijava no telhado da casa do vizinho de minha outra tia.
Tenho um primo chamado Guilherme. Ele nunca tinha ido num baile de carnaval porque sua mãe disse que não era para criança.
Tenho um primo chamado Guilherme. Ele não ganha a atenção dos pais. Todos brigam. Quem mais cuida dele é a irmã, impaciente. O que ele mais quer é um quarto só seu.
Tenho um primo chamado Guilherme. Não nos vemos há mais de um ano. Ele gostava de andar e conversar comigo. Ele é inteligente. E sempre tem uma maneira de pedir um real.
Tenho um primo chamado Guilherme que hoje grita no hospital. Teve o baço perfurado por uma tábua no trabalho de sua mãe. Uns garotos bateram nele. Há homorragia interna. Sangue por dentro. Há riscos em se retirar o baço, porque ele não tem mais que 11 anos. Tem medo, sente dor, está com fome porque não pode comer nem beber nada. Talvez seja operado esta tarde. Provavelmente não vai ficar num quarto só seu.

I'm Fiennes, thank you

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Ontem trocando de canal na televisão, noto que a Ulbra Tv estava passando O Morro dos Ventos Uivantes, com a Juliette Binoche e o Ralph Fiennes. Aquilo que é drama de verdade. Heathcliff é meu ídolo.

Enquanto observo minha tela chuviscada, onde fica impossível ler as legendas, lembro de outros filmes com Fiennes, este grande ator galês que despontou em 1996 depois de viver o Conde Almásy no lindamente triste O Paciente Inglês. Antes, aliás, ele já tinha sido indicado ao Oscar de coadjuvante por seu nazista sádico (e barrigudo) em A Lista de Schindler, mas foi com o Paciente Inglês que ele se tornou, digamos, um galã (pelo menos durante o grande sucesso do filme - e também quando ele fez Dragão Vermelho: os tarados por lábio leporino adoraram).

Mas o que eu queria dizer mesmo é que eu assisti a Sunshine, um filme que mostra várias gerações de uma família judia, no qual ele faz três papéis (o avô, o filho e o neto, se não me engano). Um dos seus personagens é um esgrimista famosíssimo, medalhista nas olimpíadas, que é preso durante a segunda guerra mundial. A morte dele é algo de patético. Ele tem uma discussão com um guarda ou um oficial no campo de concentração, daí é amarrado suspenso em uma árvore e molhado com uma mangueira até pedir desculpas. É inverno, a neve cai, ele não pede desculpas. Morre sob o gelo que a água forma em torno do seu corpo. Incrível.

Agora ele está no novo filme do diretor brasileiro Fernando Meirelles: The Constant Gardener. Se você não sabia que Meirelles tinha feito um filme "pros gringo" espere pra ficar chocado quando lançarem Dark Water, filme de Walter Salles com um fantasma e Jennifer Connely. Pelo menos Jennifer Connely.

Tártaro, adeus!

Eis que os caminhos intrincados do destino me levaram ao dentista hoje. Na verdade, à dentista: Andrea Albuquerque. Se ela não fosse atenciosa, paciente e tranqüila com os pacientes a consulta já valeria à pena por causa da vista que a janela do consultória tem sobre Porto Alegre: é no vigésimo segundo andar de frente para a Praça da Alfândega. Vemos, além de toda a praça, o Margs, o Memorial e o Santander monolíticos ali parados, e o Guaíba refletindo o sol, com as ilhas e, à direita, a ponte que levanta. Preciso tirar fotos.

Bom, fiquei quarenta minutos de boca aberta, com o sugador de saliva fazendo barulhos estranhíssimos. Fiz limpeza de tártaro e restaurei um dente (diria obturei, mas ninguém diz mais isso). Andrea aplicou-me anestesia. Enquanto aplicava, explicava. Disse:"o que dói não é a agulha, é o próprio líquido. Ó!" e tacou o negócio em mim. Veio aquela frieza na gengiva, mas nem foi uma grande dor.


Fiquei sabendo que uma de suas pacientes só usa fio-dental quando come carne. E tive que perguntar pra que fim afinal serve aquela luz azul que todo dentista coloca em mim. Ela disse que é para endurecer a resina.

Tenho que dar parabéns aos dentistas, que conseguem fazer dúzias de procedimentos sem ficar consultando um manual. Maquininha ali, aparelhinho aqui, um troço pra raspar, um troço pra empurrar, um troço pra puxar, um negócio que vai, outro negócio que não deixa ir. Complicado.

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