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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Jogo subterrâneo

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Tudo bem, Felipe Camargo pode até estar bem representando o pianista de bar Martin em Jogo Subterrâneo, mas passei o filme todo pensando que ele é feio, desarrumado, suado e fedido. O que, numa história que trata de um homem procurando o amor de sua vida no metrô, não tem muito cabimento.

Tudo bem que a beleza interior é mais importante, mas ver ele se dando bem com várias mulheres só na questão do olhar ou por causa de poucas palavras, sendo sua figura triste, quase vomitável (como já escreveu alguém referindo-se a Humberto Martins), não dá credibilidade para a produção.

Aliás, pouca coisa dá credibilidade à produção, a começar pelo roteiro, que inicia eficiente e vai apodrecendo aos poucos, até se deteriorar no final. Mas não é um filme de todo ruim. O diretor consegue colocar na tela uma história moribunda (baseada num conto de Cortázar) com bastante eficiência e simplicidade, belamente fotografada por Lauro Escorel e com boas atrizes como Maria Luisa Mendonça e Daniela Escobar. Júlia Lemmertz também está, mas sua cega tem diálogos canhestros, fora do contexto e da pulsação do filme, servindo só pro personagem do Felipe Camargo explicar o joguinho que ele joga.

O filme tem seu principal ponto baixo quando, inexplicavelmente, o eixo do filme, que é a procura de Martin pela mulher ideal (portanto ele é o condutor do filme, ele nos leva e traz, vemos o mundo sob sua ótica), simplesmente é deixado de lado para que acompanhemos Ana (Maria Luisa) em seu apartamento discutindo com sua chefe (Maitê Proença), o que não importa para ninguém, só pra ela.

Ao sair do cinema, guarda-se a angústia de um homem solitário que, através de um jogo, tenta achar a mulher que lhe preencha a vida (e, aliás, o jogo nunca dá certo - eis a ironia do filme). Guarda-se também a bonita cena em que Daniela Escobar despe-se, com o corpo tatuado. E as cenas com a menina autista. E a música de Villa-Lobos. E Maria Luisa Mendonça, um pouco acima do nível do mar em alguns momentos, mas sempre marcante.