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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Pimenta cloacal

Nas últimas semanas alguns dos pratos que eu tenho preparado para minha janta têm ficado com um cheiro esquisito, quase um cheiro de esgoto.

Fiquei preocupado. Achei que algum dos ingredientes estivesse estragado, ou a água contaminada, ou as panelas dispersando metal cancerígeno no molho de tomate.

Pois eis que ontem, por acaso, descobri de onde o cheiro vinha: da pimenta branca. Fui temperar meus bifes de soja, caiu pimenta demais, e eu senti aquele cheiro desagradável.

Pimenta branca em pó, da marca Kitano, tem cheiro de esgoto.

Trágico poeta

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No último ano do colégio, a professora Mercedes pasou para a turma um curto vídeo sobre uns poetas. Lá pelo meio, falavam de um tal Augusto dos Anjos, de quem eu jamais ouvira falar. Alguém lia um poema dele e eu, pronto pra não lembrar de nada depois da aula, escuto as estrofes finais dos Versos íntimos:

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa ainda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Não esqueci o poeta, não esqueci o poema. Fui procurar algo sobre ele na biblioteca e tinha, seu único livro, o Eu. Li. E Augusto dos Anjos tornou-se meu poeta preferido.

É difícil lê-lo porque, além de ter escrito lá no comecinho do século XX (os Versos íntimos são de 1901), ele fala de coisas que nem um outro poeta até então falava (bom, houve Cruz e Souza, anteriormente, mas Augusto vai mais longe). Ele esreve sobre morte, mas não aquela morte romântica ou simbolista: ele fala dos vermes, das sepulturas, dos cadáveres malsãos, dos coveiros; ele escreve sobre doenças e seus sintomas; ele cita cientistas; ele disseca a natureza e o corpo humano. E esreve tudo não com o objetivo de chocar ou ser diferente; ele, a gente sente, esreve sobre isso porque tudo isso o incomodava.

Ele era um homem amargurado, doente, trágico, sozinho, e punha tudo o que sentia cruamente no papel. Dentre seus tantos poemas magníficos, como Monólogo de uma sombra, Eterna Mágoa, O morcego, Psicologia de um vencido, o belíssimo A árvore da serra, meu preferido é e sempre foi Os Doentes: um poema-pesadelo longuíssimo em que ele reflete sobre o mundo, a morte, os excluídos, os tísicos, as meretrizes, os bêbados, os índios aniquilados. Eis um trecho, quando está falando da prostituta, cuja perversão dos sentidos é resultante de sua adaptação à baixesa do ambiente em que vive:

Entanto, virgem fostes, e, quando o éreis,
Não tínheis ainda essa erupção cutânea,
Nem tínheis, vítima última da insânia,
Duas mamárias glândulas estéreis!

O Eu foi publicado em 1912. No ano seguinto Augusto morre, vítima da tuberculose, aos 29 anos de idade. Órris Soares, um amigo seu, escreve na apresentação do livro: "O Eu é Augusto, sua carne, seu sangue, seu sopro de vida. É ele integralmente, no desnudo gritante de sua sinceridade, no clamor de suas vibrações nervosas, na apoteose do seu sentir, nos alentos e desalentos de seu espírito."

Jogo subterrâneo

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Tudo bem, Felipe Camargo pode até estar bem representando o pianista de bar Martin em Jogo Subterrâneo, mas passei o filme todo pensando que ele é feio, desarrumado, suado e fedido. O que, numa história que trata de um homem procurando o amor de sua vida no metrô, não tem muito cabimento.

Tudo bem que a beleza interior é mais importante, mas ver ele se dando bem com várias mulheres só na questão do olhar ou por causa de poucas palavras, sendo sua figura triste, quase vomitável (como já escreveu alguém referindo-se a Humberto Martins), não dá credibilidade para a produção.

Aliás, pouca coisa dá credibilidade à produção, a começar pelo roteiro, que inicia eficiente e vai apodrecendo aos poucos, até se deteriorar no final. Mas não é um filme de todo ruim. O diretor consegue colocar na tela uma história moribunda (baseada num conto de Cortázar) com bastante eficiência e simplicidade, belamente fotografada por Lauro Escorel e com boas atrizes como Maria Luisa Mendonça e Daniela Escobar. Júlia Lemmertz também está, mas sua cega tem diálogos canhestros, fora do contexto e da pulsação do filme, servindo só pro personagem do Felipe Camargo explicar o joguinho que ele joga.

O filme tem seu principal ponto baixo quando, inexplicavelmente, o eixo do filme, que é a procura de Martin pela mulher ideal (portanto ele é o condutor do filme, ele nos leva e traz, vemos o mundo sob sua ótica), simplesmente é deixado de lado para que acompanhemos Ana (Maria Luisa) em seu apartamento discutindo com sua chefe (Maitê Proença), o que não importa para ninguém, só pra ela.

Ao sair do cinema, guarda-se a angústia de um homem solitário que, através de um jogo, tenta achar a mulher que lhe preencha a vida (e, aliás, o jogo nunca dá certo - eis a ironia do filme). Guarda-se também a bonita cena em que Daniela Escobar despe-se, com o corpo tatuado. E as cenas com a menina autista. E a música de Villa-Lobos. E Maria Luisa Mendonça, um pouco acima do nível do mar em alguns momentos, mas sempre marcante.

O Dr. Seixas

Estou relendo Olhai os Lírios do Campo. Isso não tem relação com o centenário do Erico Verissimo, apenas tem relação com a falta de um bom romance pra ler e, mais grave talvez, a falta de dinheiro para comprar algum.

Havia lido-o em 1995. Estava eu então com 14 anos. Foi o segundo livro do Erico que eu li (o primeiro foi Música ao Longe). Me marcou bastante e agora percebo o quanto influenciou na minha escrita.

Queria colocar alguma frase ou trecho do livro aqui. Resolvi copiar uma das melhores descrições físicas de um personagem que eu já li:

No saguão do hospital, Olívia e Eugênio encontraram o Dr. Seixas.
- Olhe quem vem vindo aí! - exclamou ela alegremente.
O Dr. Seixas era um homem grande, barbudo e de ar agressivo. Vestia-se mal e era o médico mais pobre que eles conheciam.

Filmes, vários filmes

Na tv a cabo se vê de tudo. Eu, passando uns dias na casa de minha mãe, assisti a muitas horas de televisão. Dentro dessas muitas horas, várias passaram enquanto eu assistia a filmes. Filmes que eu queria ver e nunca tinha visto, filmes que eu não queria ver e acabei vendo, filmes que eu já tinha visto e queria rever, filmes que eu nunca tinha ouvido falar e filmes que eu nem sequer podia supor que existia algo parecido.


No primeiro exemplo encaixa-se o bonito Longe do Paraíso (cujo título em inglês é lindamente sonoro: Far fron Heaven), de Todd Haynes, com Julianne Moore no papel de uma dona de casa exemplar da década de 50 que descobre que seu marido é gay. Por causa disso, ela acaba se apegando à amizade de seu jardineiro, um homem negro, por quem se apaixona e causa escândalos na preconceituosa cidadezinha em que vive. Não tenho nada a dizer a respeito além do que já disse: é bonito.


No segundo caso, cito Gigli. Hehehehehehe. Foi o "filme-bomba" de 2003, estrelado por Jennifer Lopez e Ben Affleck enquanto eles pensavam em se casar ainda. Ouvi e li barbaridades a respeito do filme, o que me leva a ter certeza que as pessoas gostam ou não das coisas por influência dos outros (imprensa, principalmente). Bom, não é tão ruim assim. Jennifer Lopez não é uma das piores atrizes do mundo, e Ben Affleck tenta parecer convincente na maior parte do tempo. É verdade que a direção não deu o mínimo ritmo pro roteiro que, por sua vez, não tem uma dose de ação ou sensualidade ou seja lá o que for. Na verdade, é um filme bem insosso, mas tem coisas bem piores por aí. E alguns dos diálogos absurdos dão até um certo charme, como o elogio às mulheres e às vaginas que Jennifer faz enquanto se alonga na sala. Na história, os dois fazem "bandidos bons" que, sem se conhecer, envolvem-se no seqüestro de um retardado mental.


Entre os filmes que eu revi, está As Horas. Lindo, lindo, lindo.


Entre os que eu nunca tinha ouvido falar está Parallel Lines, um documentário que consiste em uma mulher viajando de carro de São Francisco a Nova Iorque em dezembro de 2001. No caminho, ela vai conversando com as pessoas sobre suas vidas ("paralelas à vida da nação"), seu modo de ver o mundo e como reagiram aos atentados de 11 de setembro. Um filme simples e marcante, dirigido, produzido, gravado e editado por Nina Davenport.


Na última categoria devo citar My Flesh and Blood. Difícil falar desse filme, porque é tão diferente de tudo e tão triste. É um documentário sobre Susan Tom, uma mulher sozinha que tem 9 ou 10 filhos adotivos. Ok, não é algo tão diferente, se não fosse o fato de quase todas as crianças terem problemas físicos ou mentais. Vejamos: duas gurias sem pernas, um guri com o rosto deformado não sei por que, uma deficiente mental, um garoto com EB (Epidermólise Bolhosa - uma doença gravíssima que, segundo a própria Susan, faz ele sentir uma dor terrível e ininterrupta), outro que tem ataques de raiva e algo como asma, a mais velha que, se não tem problemas, está de saco cheio da vida e da família, além de outros que não aparecem muito no filme.


A gente pode acompanhar o dia a dia deles, a tentativa de namoro de uma das gurias sem perna, o esforço do garoto com EB pra interagir com os outros (ele tem seus parentes biológicos, que, todos, vão em sua festa de aniversário - mas não querem a guarda dele). É, sem dúvida, uma família terrível para se viver.


 De todos, o que parecia mais "normal" era o guri com asma. Ele tinha ataques de raiva e xingava todo mundo; queria ir morar com seus pais biológicos (que o rejeitaram); se isolava, mas era bonito e parecia saudável. Até que um dia ele é levado pro hospital. Tudo ia bem. Mas à noite, ele tossiu tanto que quebrou uma costela. Morreu horas depois.


E os outros, todos fudidos, continuaram.

Um anão lá dentro

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Vendo um documentário no canal E! sobre os três primeiros filmes (que agora são os três últimos) da hexalogia Star Wars, me deparo com muitas informações que até então eu desconhecia.

Mas nem uma superou o fato de que, dentro daquele robozinho irritantemente engraçado chamado R2D2 existia um ANÃO.

E o anão falou sobre a dificuldade de gravar as primeiras cenas na Tunísia, quando ele mexia a cabeça do robô e os fios internos enroscavam no seu pescoço. Contou também sobre a equipe, que ia almoçar e deixava ele dentro do boneco, trancado.

Apareceu também os homens que estavam por baixo das fantasias de C3PO e Chewbacca (um cara com um cabelo muito louco). E Carrie Fischer, dizendo que, como tinha cedido o direito de sua imagem para os filmes, cada vez que olhava no espelho tinha que pagar ao George Lucas.

Pulitzer

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Esta foto foi a vencedora do prêmio Pulitzer na categoria Featured Photografy. A autora, Deanne Fitzmaurice, retratou os esforços para salvar um menino iraquiano de 9 anos, ferido numa explosão em seu país.


Pesquisas confusas

Descobri que, assim como existe pessoas que não sabem pesquisar em lista telefônica, tem outras que não sabem pesquisar na internet (talvez sejam as mesmas...).

Pelo registro de quem entra aqui no blog, grande parte vêm porque o Google aponta pra cá. Alguns vêm porque a pesquisa que fazem é tão absurda que deve apontar pra um milhão de páginas ao mesmo tempo. Como esta: imagens da personagem Mia da novela Rebeldes do Sbt. Ora, que criatura procura algo desse jeito?

Ou então: quais são as músicas da novela América. Mecanismos de procura trabalham com palavras chaves, não com perguntas complexas. Tem gente que precisa raciocinar um pouco mais.

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