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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Dos tempos de escola ... (parte 2 - Primeiros colegas)

Na minha primeira série, conheci algumas pessoas. O Alemão (Wagner Leitão era seu nome), que tinha os cabelos parecidos com os do He-man e que um dia eu flagrei sentado na privada do banheiro sem trinco.

A própria Rita, que se tornou minha melhor amiga até a segunda ou terceira série (depois ela foi sendo reprovada e desapareceu. Quando eu estava na oitava série e ela não devia mais estar estudando, seus seios tinham crescido tanto que a chamavam de Tetolândia).

A Aline, que era mais pobre que eu e sempre pedia minha borracha emprestada.

O Adão, que eu só lembro porque a gente sempre perguntava pra ele como estava a Eva.

O outro Wagner, de cabelos escuros, que me acompanhava, com minha mãe, depois da saída e ia conversando com a gente (que assuntos teríamos, não imagino).

Foi o Adão, eu acho, que bateu no meu nariz, sem querer, durante um recreio. Levei um susto e vi que estava sangrando. Sem reação, debrucei-me sobre o muro e cobri o rosto. Alguém pediu pra me ver, eu não deixei. Chamaram a professora. Me levaram ao banheiro e lavaram meu rosto. Toda a escola à minha volta. Minha camiseta manchada. E eu com cara de choro, envergonhado.

Dos tempos de escola ... (parte 1)

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A partir de hoje vou publicar minhas memórias dos oito anos do meu primeiro grau, na Escola Municipal Bento Gonçalves. Isso aconteceu de 1987 a 1994, lá na Vila da Quinta, que é um distrito do município de Rio Grande, no Rio Grande do sul, Brasil. Sobre a Quinta vou escrever outro dia. Só quero adiantar que é um povoado distante 30 minutos da cidade. Fica no caminho pra Pelotas. Não tenho a mínima idéia de quantos habitantes vivem lá, mas hoje deve ter umas 10 mil pessoas, talvez (são várias vilas dentro da Vila). Na época em que eu morei lá era menor. Talvez houvesse a metade da população. É um lugar simples, onde a maioria das pessoas, na época, não tinha chegado ao segundo grau. Muitos estudavam só pra passar o tempo até crescer e poder trabalhar com alguma coisa que lhe desse a possibilidade de sustentar com dificuldade um par de filhos.

Me lembro do meu primeiro dia como estudante. Eu tinha seis anos. Fui andando com minha mãe até o Bento Gonçalves, a escola, que ficava (e fica ainda) perto do arroio. Dá uns 20 minutos de caminhada. Fui estudar lá, e não no Lília Neves, que era mais perto, porque este era tido como o colégio dos metidos a besta. O Bento era mais gente fina.

Fui distraído, conversando alguma coisa. Quando cheguei perto da escola, me desesperei. Enpaquei. Minha mãe me puxava. Eu chorava, sapateava. Me agarrei numa árvore. Minha mãe me puxava. O dono da venda em frente (que depois soube chamar-se Joaquim e que morreu um dia) me deu algumas balas. Fiquei mais conformado.

Enfim, fui pra escola, "só pra ver como era". Fiquei em frente à sala, olhando o que se fazia lá dentro, minha mãe a meu lado. Uma colega, Rita (que deveria já ser repetente, pela forma natural como agia), veio saber quem eu era. A professora, Sônia, falou comigo. Era simpática, e resolvi entrar. Mas ficava espiando pra ver se conseguia encontrar minha mãe do lado de fora. Ela não estava. Voltou só pra me buscar.